O xeque-mate na fase tático-operacional

Antes do Xeque-mate é aconselhável, segundo a estratégia de um dos jogadores, que ele seja precedido de vários xeques exploratórios, capazes de lhe abrir o caminho e garantir que o movimento final seja resolutivo.

O enfraquecimento dos alicerces, que mantêm as nações de pé, precede o Xeque-mate. Solapar as bases aumenta a chance de êxito, para quando vier o golpe final, este seja letal e definitivo. Quando se vai demolir um prédio implode-se seus alicerces, depois ele cai naturalmente. Desta forma vários xeques preliminares, ligados mais diretamente ao movimento final, foram desferidos de 40 anos para cá. São quarenta anos no deserto construindo o cenário e a linha de tempo.

Dentro deste entendimento estratégico do jogador os xeques preliminares ao Xeque-mate visam deixar fragilizados os alicerces basilares das nações, ou seja, abalar três pilares: o Poder Militar/Armado, o Poder Econômico/Financeiro e o Poder Religioso/Sistema de Crenças, que a nível internacional tem suas bases de projeção de poder em Washington, Londres e no Vaticano, respectivamente.

Importa atuar também nas Expressões do Poder Nacional: a expressão política, a expressão econômica, expressão psicossocial, expressão militar e a expressão científica e tecnológica. Foi essencial impedir que as nações atinjam seus Objetivos Nacionais, que no caso brasileiro são divididos, segundo a Escola Superior de Guerra (ESG) em: Objetivos Fundamentais (OF), Objetivos de Estado (OE) e Objetivos de Governo (OG). A capacidade de preservar os OF foi completamente dilapidada pelos xeques preliminares. A Estratégia Nacional (preparação e aplicação do Poder Nacional para atingir os Objetivos Nacionais à partir de uma Política Nacional) tornou-se quase inexequível.

Para implantar os xeques preliminares adotou-se uma estratégia de longo prazo, que começou sua fase mais evidente no início da década de oitenta. Visavam condicionar e enfraquecer os Fundamentos do Poder Nacional: o Homem, a Terra e as Instituições.

O Homem foi atingido nas concepções éticas e morais, fragilizando seu código interno de “certo e errado”, sabotando ainda o conceito de Família (núcleo basilar). Ademais, abalou-se sua concepção de si próprio, a identificação com a autoimagem (conceito de gêneros). As dúvidas e indefinições minaram sua determinação. Tudo passou a ser relativo, e sua compreensão imprecisa.

A Terra tornou-se alvo de disputas entre ruralistas, sem terras, garimpeiros, madeireiros, traficantes e índios. Verdadeira “Terra de Ninguém”. O Governo tornou-se incapaz de interferir neste conflito. As regiões Centro-Oeste e Norte, bem como as fronteiras, são um exemplo disso. As demarcações de Áreas Indígenas em lugares estratégicos foi um instrumento para impedir o acesso da nação aos seus recursos minerais e de biodiversidade, expropriando-a de parte do Território Nacional ao limitar sua soberania, além de proteger entradas para instalações sensíveis.

As Instituições Nacionais foram solapadas em sua credibilidade e totalmente desmoralizadas, com raríssimas exceções (ligadas aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciários). Os xeques preliminares sabotaram e enfraqueceram substancialmente os Fundamentos do Poder Nacional.

Uma estratégia importante utilizada nos xeques preliminares é dividir para conquistar. Desta forma, dividir a sociedade em segmentos (negros contra brancos, ricos contra pobres, heteros contra homos, esquerda contra direita, católicos contra evangélicos, jovens contra “coroas”, etc….) foi determinante. Uma nação unida não cai. Utilizar a vitalidade dos jovens, e seu descontentamento intrínseco, sempre disposto a contestar, tem sido muito útil para causar o caos e a divisão.

Dentro do tópico “dividir para conquistar” cabe ainda a estratégia da imigração radical e não assimiladora de cultura, sob a bandeira dos “direitos humanos”, que cria dois grupos no país-alvo: os “nativos” e os imigrantes. Ao não assimilar a cultura local o imigrante a dilui, e a medida que se torna maioria na população ele a destrói paulatinamente (caso dos muçulmanos na Europa). Sabotar a base “religiosa” ou “cristã” torna-se importante, pois a religiosidade cria esperança e motiva. Ela deve ser manobrada para gerar conformismo, e não reação. A população deve ser mantida na ignorância total, manipulada pela opinião massificada pela mídia “esquerdista” controlada. Outro ponto relevante é mantê-los incapazes de se defender, bloqueando completamente seu acesso a armas.

Enfraquecer a base econômica do país-alvo, deixando-o endividado, sem reservas cambiais reais e totalmente dependente do “mercado” para se financiar foi essencial. Uma boa ferramenta para implantar este xeque preliminar foi a introdução da corrupção nas vísceras estatais. Através dele foi possível apossar-se dos recursos do governo, direciona-los e desperdiça-los em gastos que não redundaram no progresso real do país.

Adicionalmente o país-alvo deve ficar desguarnecido, sem empresas nacionais em ramos estratégicos, sem controle do sistema financeiro, sem deter tecnologia competitiva, com mão-de-obra despreparada e dependente do Estado, e sem reservas cambiais com lastro real. A nação atingida fica inerte, com sonhos de grandeza que entorpecem os sentidos e que não se realizam, mas mantem o torpor.

Ao criar o conceito de “politicamente correto” é possível manipular os assuntos que são postos em discussão, suprimindo o debate sobre os temas realmente importantes que são gerados pelos xeques preliminares. Não discutindo não o percebem no conjunto. A democracia passa a ser apenas um conceito muito propalado para dar cobertura à censura mental, mas jamais praticada de forma ampla. As eleições foram transformadas num Concurso de Simpatia, em que o eleitor nunca conhece apropriadamente em quem está votando. Faz suposições, mas nunca tem conhecimento apropriado para exercer corretamente um discernimento justo. As eleições devem ser “fraudadas” para eleger a quem for conveniente, seja através de sistemas eletrônicos ou manipulação da opinião nas redes sociais, etc….

A radicalização política, criando a ilusão que só existem dois lados, o “nós” contra “eles”, tem um papel importante no processo de acirrar os ânimos e dividir, evitando que surjam soluções de “terceira via” que possam promover a união nacional e o fortalecimento do Estado. Se apenas um lado prevalecer hegemônico a divisão não acontece tão rapidamente quanto desejado pelo jogador. Precisa haver disputa, divisão. Assim, quando o viés “social” e de “esquerda” passou a ser predominante no hemisfério ocidental, foi necessário fazer surgir o seu oposto, ainda que o “eleito” não tenha consciência de quem está por trás do processo. Seu papel é, mesmo inconscientemente, levar à radicalização, que consequentemente dividi e enfraquece o poder nacional, pavimentando o caminho para o Xeque-mate.

Assim, este movimento segue avançando em vários países do mundo. Nos EUA este processo está em andamento acelerado, inserido nas agendas de ONGs e do Partido Democrata, sendo discutido abertamente a possibilidade de uma Guerra Civil, como mostrei em artigo anterior. Na Europa, onde fiquei quase um mês no ano passado visitando seis países (Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Portugal e Espanha) para observa-los, percebe-se claramente a implementação desta agenda, tendo como ponta de lança os imigrantes, com a perda da identidade nacional e o acirramento dos conflitos, fruto da divisão da sociedade. A Europa está se esfacelando. A África virou terra de ninguém, com conflitos constantes. O Oriente Médio está envolto em guerras intermináveis, com ódios e facções sendo habilmente manipuladas. Na Ásia há bastiões de resistência a este movimento globalista, com um preço elevado relativo a liberdades individuais, todavia mantendo parcelas significativas da soberania nacional, o que tem mantido suas nações mais importantes razoavelmente preservadas.

Na América Latina a estratégia dos xeques preliminares foi implementada com foco e tenacidade. Se em julho, quando comecei a série Xeque-mate, eu escrevesse que o Chile entraria no caos que virou, certamente eu seria criticado. Tido como modelo para os demais países da América Latina, propagava-se aos ventos o dinamismo e exemplo de sua economia, a segurança reinante, etc…. Vimos no que deu.

Todos os países do continente estão infiltrados por agentes venezuelanos, cubanos, dentre outros, que aliados ao Crime Organizado, notadamente ao tráfico de drogas, e sendo financiados pelos “globalistas”, tem construído as pré-condições “revolucionárias”.  Aproveitam-se das insatisfações populares para capitalizar o ódio e propor a violência como único modo de “fazer justiça”. Possuem dados de inteligência, armas, recursos financeiros, experiência acumulada (vide as FARC), conhecimento do terreno e razoável controle dos “movimentos sociais”, sindicatos, meios acadêmicos e mídia. Praticamente já estão com a “faca e o queijo na mão”, diante de países despreparados para este cenário, que durante décadas foram omissos ao ver (ou não) crescer as “capacidades” deles.

Após abalar as estruturas e fomentar a divisão e o ódio, o jogador está à espera de aplicar o xeque final, o colapso da estrutura econômico-financeira. O colapso gera o ingrediente final, ou seja, desmorona com a sensação de segurança econômica (trazendo o medo da fome e desabastecimento) e da segurança física (em função dos saques e desordem que se seguem). Com os alicerces da sociedade fragilizados, e seus segmentos divididos, o tecido social é rasgado de cima embaixo tornando uma reação nacionalista organizada muito pouco provável. Sem reação aplica-se a equação PROBLEMA x REAÇÃO x SOLUÇÃO.

Esta equação significa que o mesmo jogador que criou o problema agora aguarda a reação “prevista”, que deverá ser de desespero, fazendo com que as pessoas abram mão de suas garantias individuais (várias pesquisas após eventos-teste mostraram que as pessoas abrem mão de garantias individuais para restaurar a sensação de segurança e previsibilidade), para depois oferecer a solução já previamente definida e que lhe convêm.

Observem os últimos anos e vejam se o roteiro percorrido não foi esse. Basta agora o movimento final, o Xeque-mate. Ao longo dos artigos tenho mostrado que ele já está maduro para ser implementado, o que agora é apenas uma questão de “time”. O Xeque-mate não depende da “esquerda”, ela é apenas um instrumento, mas será implementado pela elite econômico-financeira internacional para completar o jogo nesta fase.

Na América Latina a “joia de coroa” para eles é o Brasil. Tem trabalhado para que o golpe seja rápido e letal. O “silêncio” atual prenuncia a tempestade. Observem o “estado da arte” e verão que, da forma atual, o atual Governo Brasileiro terá imensas dificuldades para lidar com este evento. Vários dos países vizinhos podem fornecer “bases” informais para uma força de guerrilha e nossa fronteira é uma “peneira” desguarnecida. Percebam que o Governo Colombiano, com todo apoio dos EUA, num território bem menor que o Brasil, foi incapaz de debelar as FARC, mesmo depois de décadas de luta sangrenta com milhares de vítimas. Imaginem no Brasil, com imensos vazios demográficos, lutando uma Guerra Assimétrica. Ademais, lembrem-se que os EUA estarão travando a sua própria “guerra” e possivelmente, não poderá dar um suporte decisivo ao Brasil.

Existem vários cenários possíveis para o Brasil. No Chile estima-se entre 5 a 7 mil infiltrados. Imaginem no Brasil, depois do programa cubano Mais Médicos e da leva de “refugiados” venezuelanos que invadiu o Brasil? Ademais, foram quase 22 anos de governos de esquerda, de FHC a Dilma (1995 – 2016) que “plantaram” as pré-condições paulatinamente, utilizando fatores objetivos (suborno, etc….) e também subjetivos, utilizando técnicas como a “Janela de Orwell” e o “Túnel de Realidade” para chegar a “Imunização Cognitiva”. Quantos simpatizantes ou militantes de esquerda tem no Brasil? Certamente milhões. A situação é totalmente diferente de 1964 e é relevantemente mais grave.

Existem vários cenários possíveis. Vamos explorar superficialmente um deles. É dado o Xeque-mate (fartamente documentado nos artigos anteriores) com a eclosão de uma grave crise ao estilo de 2008, todavia mais profunda e extensa. Com a depreciação do dólar a liquidez das reservas brasileiras sofre forte erosão. O mundo paralisa para adequar-se ao novo paradigma, mediante confrontos entre grupos internacionais com interessantes distintos. Os “movimentos sociais” culpam o Presidente Bolsonaro pela crise. Começam os tumultos nas grandes e principais cidades brasileiras, ao estilo do ocorrido no Chile, Bolívia e Equador. Há desabastecimento e eventuais cortes de serviços essenciais, principalmente transporte e energia elétrica. Para garantir a paz social aplica-se a GLO (Garantia da Lei e da Ordem). Os militares das Forças Armadas vão para a rua em apoio às Policias. A experiência no Rio de janeiro já mostrou bem o nível de dificuldade destas operações.

Nas capitais do Sudeste e Sul a situação de torna paulatinamente grave, enquanto no Nordeste e Norte os “agitadores” contam com uma certa “tolerância” dos governos estaduais esquerdistas. No Centro-oeste, exceto Brasília, a situação também se torna grave. Enfrentamentos armados com o Crime Organizado, passeatas de estudantes e “trabalhadores” que degeneram em violência e são imediatamente denunciados na mídia nacional e internacional como “repressão sangrenta e desproporcional”, tornam-se rotinas. Levas de pessoas menos favorecidas começam a ser “atraídas” para os protestos, onde crianças e idosos são colocados como “escudos humanos” para darem manchetes aos telejornais. O Governo vê-se acuado pela intensa pressão de organismos internacionais que cogitam cortar todo tipo de financiamento e suporte financeiro ao país. Enquanto as Forças de segurança estão envolvidas com o Sudeste e Sul, paulatinamente os “insurgentes” começam a tomar conta da situação no Norte e Nordeste, e a fronteira do Mato Grosso com a Bolívia começa a ser ainda mais infiltrada. Argentina, Venezuela, União Europeia e a ONU expressão preocupação quanto as “graves violações dos direitos humanos” no Brasil.

Com todas as forças nacionais tentando controlar a situação nas grandes cidades do Sul, Sudeste e Nordeste, uma força militar composta por milhares de guerrilheiros, com armamento pesado e bem treinados, com suporte e liderança de agentes cubanos, venezuelanos e pessoal da FARC, avança pelas imensas e pouco povoadas planícies de Mato Grosso em direção à Capital do estado – Cuiabá, pilhando imensas fazendas cheias de viveres e agua. No caminho até Cuiabá, capital de Mato Grosso, encontram parca resistência. As Forças Armadas brasileiras, envoltas em dezenas de outras frentes no Sudeste, Sul e Nordeste não dispõe de efetivos e armamentos para deslocar para esta região. Um “enclave” revolucionário é estabelecido, numa associação de guerrilha e tráfico de drogas, fórmula bem conhecida na América Latina. Daí para a frente dá para imaginar o que acontece…….

Neste cenário o mundo está tentando recuperar-se do Xeque-mate, a América Latina precisa resolver seus próprios problemas.

Um jogador está à espera de aplicar na hora certa o colapso econômico-financeiro mundial como evento detonador do Xeque-mate global. J P Morgan e Deutsche bank estão a postos. Outro jogador aguarda atento, escondendo uma carta na manga.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas” – Sun Tzu em “A arte da Guerra”.

O efeito dominó começou, na medida que a cada movimento um novo dominó cai e empurra outro para a queda seguinte!

Todo jogo acaba ou muda de fase. O xeque-mate se aproxima.

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