O aventureiro e o palhaço

Ser ou não ser um palhaço?

Parafraseado Hamlet em sua frase mais icônica, temos aí uma pergunta que vale ouro. No filme “O palhaço” de 2011, dirigido e atuado pelo Selton Melo, essa questão é apresentada de uma forma muito interessante.

Em resumo, o protagonista era filho de um palhaço dono de um circo, e durante toda a sua vida ele foi um palhaço também. Sendo fruto desse meio, o seu destino já estava dado de certa forma. Porém, ele começou a demonstrar uma grande insatisfação, como se ele não tivesse tido escolha.

Ele deixa o circo, e tenta ganhar a vida de outras formas sem sucesso – ele tenta criar algo novo para si mesmo. Até que um dia, em uma cena cômica, ele faz duas meninas naturalmente caírem na risada. Pronto, ficou claro para ele que, trazer alegria para as pessoas fazia parte do que ele era e do que ele buscava. Então, após toda essa volta, ele regressa para o circo novamente, mas agora sabendo que era exatamente ali o seu lugar.

Uma jornada similar foi vivida pelo escritor G.K. Chesterton, narrada por ele em seu célebre livro “Ortodoxia”. Ele tentou criar para si uma religião. Passou um longo período dando os retoques finais a sua criação, para depois descobrir que, a “sua” criação já existia a dois mil anos, e era o Cristianismo.

Como ele mesmo diz, é como um aventureiro que sai da Inglaterra de barco para descobrir outro continente, mas que por um erro de cálculo, acaba voltando para o mesmo país. Pense em como ele iria ver tudo como se fosse a primeira vez, repararia em cada detalhe; assim como o palhaço do Selton Melo.

Por fim, Chesterton nos diz que há duas formas de voltar para casa: nunca saindo dela, ou, dando a volta no mundo para voltar ao mesmo lugar. Pode até ser frustrante voltar ao mesmo lugar depois de uma longa jornada. Mas, quem deu essa a “volta ao mundo” com certeza não é o mesmo “palhaço” do início da jornada, e isso por si só, vale toda a aventura.

 

 

 

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