Leonardo Albuquerque: “Isso aqui é passageiro, não vou mudar meu jeito de ser”

Pouco mais de um mês após tomar posse, o deputado federal fala sobre as diferenças entre os Legislativos, projetos, seu passado, forma de ser e até mesmo sobre Pedro Taques

(Foto: Reprodução/O Livre)

Clínico-geral com pós-graduação em psiquiatria, casado e pai de dois filhos, o deputado federal por Mato Grosso Leonardo Ribeiro Albuquerque (SD), mais conhecido como Dr. Leonardo, foi eleito deputado estadual em 2014, representando Cáceres (230 km de Cuiabá) na Assembleia Legislativa pela primeira vez em 20 anos.

Como médico, começou atuando em Várzea Grande, mas logo depois se mudou para Cáceres como oficial médico do Exército Brasileiro do Batalhão de Fronteira. Na Assembleia, foi líder do ex-governador Pedro Taques (PSDB) e presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

Agora, pouco mais de um mês após tomar posse na Câmara Federal, ele fala sobre as diferenças entre os Legislativos, projetos em tramitação na casa, seu passado, sua forma de ser e até mesmo sobre o ex-governador e ex-senador Pedro Taques.

Confira as cinco perguntas que Leonardo Albuquerque respondeu para o LIVRE:

1 – O senhor saiu da Assembleia Legislativa para a Câmara Federal. Quais as principais diferenças que sentiu até agora?

Leonardo Albuquerque – No Congresso Nacional depende muito da liderança do partido para que as discussões e votações aconteçam. A bancada pesa muito em relação a isso. Graças a Deus temos uma bancada que é coerente, que está ao lado da população, que não é oposição, mas está independente nas votações. Aqui depende muito do partido, da bancada, são 513, você não consegue falar a todo momento, para apresentar emendas precisa de um número mínimo de assinaturas.

Muita coisa mudou aqui em Brasília, que muita gente não sabe. Hoje, um deputado estadual tem mais estrutura para trabalhar do que um federal. Além disso, o controle e a transparência estão maiores no Congresso do que nos Estados. Gostaria que essa transparência fosse mais intensa e contaminasse todos os estados.

2 – O senhor vai participar da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, como o senhor vê a reforma proposta pelo Governo Federal?

Leonardo Albuquerque – Fizemos uma análise técnica inicial da PEC [Proposta de Emenda à Constituição] e achamos que é necessária uma discussão maior. Reformas são necessárias no Brasil, mas não dessa maneira, dessa maneira não vai ser justa e não podemos aceitar uma reforma que não vai ser justa, que não vai ser boa para o povo brasileiro, que não seja consistente, que daqui a pouco vai ter que mudar de novo. O Solidariedade vai oficializar um convite ao Governo Federal para que venham explicar os pormenores, os detalhes dessa reforma. Queremos os números reais, sabemos que não estão corretos, não estão claros. Queremos que o povo saiba o que realmente é verdade na Previdência.

3 – O ex-governador Pedro Taques, de quem o senhor foi líder na Assembleia Legislativa, propôs, quando senador, um projeto para tornar corrupção crime hediondo. Ao assumir a cadeira de deputado federal o senhor apresentou uma proposta para tornar crime hediondo a corrupção na saúde. De alguma forma, o senhor se inspira em Taques?

Leonardo Albuquerque – Eu vou trabalhar muito como deputado federal em relação à corrupção na Saúde. Como deputado estadual, eu presidi a CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] que investigou as OSS [Organizações Sociais da Saúde], os atrasos de repasses do Governo do Estado, e provamos um rombo de R$ 200 milhões somente nos contratos. Mas esses escândalos são maiores, existem muitos esquemas de roubo e fraude dentro da saúde, com muita gente envolvida. Então, eu propus esse projeto para deixar a pena mais dura, vai dar cadeia para quem cometer esse crime.

O ex-senador Pedro Taques propôs mudanças no crime hediondo, nós aprimoramos mais ainda o texto. Ele foi um grande senador, é reconhecido como um grande legislador no Brasil até hoje, mas me inspiro sempre na coerência, no que a população gostaria de ser representada, na honestidade, no povo trabalhador, que sofre e carece de representatividade.

4 – O que o senhor acha da possibilidade de Pedro Taques disputar o Senado numa eventual cassação do mandato de Selma Arruda, como ventilou-se nos últimos dias?

Leonardo Albuquerque – Eu acho que tem que esperar o que vai acontecer. Torço por nossos senadores, que foram eleitos pela população. Claro que, se alguém cometeu algum ilícito, a Justiça tem que julgar. Quem quer que seja, ninguém pode estar acima da lei. Torço que as coisas se esclareçam e, se isso acontecer, vão aparecer vários players no cenário. Não conversei mais com o ex-governador, perguntei para pessoas próximas e falaram que isso nunca partiu dele, acho que tem que esperar acontecer.

5 – Depois do episódio do jantar de bermuda, o senhor tem evitado sair sem calça?

Leonardo Albuquerque – (rs)…Não mudo meu jeito de ser e não vou mudar para agradar ninguém. Não é a roupa que vai fazer o homem. Adoro chinelo, quando posso estar de bermuda e chinelo sempre estou. A repercussão foi boa, mostrou aquilo que eu sou de verdade, um médico, mas um homem simples. Eu fui office boy, tenho carteira assinada desde cedo, tenho uma história de vida muito bonita, de origem nordestina, sou médico de profissão, sou Leonardo Ribeiro Albuquerque, isso aqui é passageiro. Enquanto eu puder servir o povo, estarei aqui servindo, mas não vou mudar nunca minha essência.

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