Lavador de carros chama atenção em MT criando conversíveis de papelão e resina

Ele criou o primeiro carro para poder levar a mãe e a avó para a igreja e a criação se tornou sua paixão

Em 2016, quando o lavador de carros Jocinei de Oliveira, hoje com 42 anos, decidiu criar seu carro com as próprias mãos ele nem imaginava que isso se tornaria uma paixão que nunca mais sairia da sua vida.

Morador de Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá), à época ele tinha apenas uma Mobilete e não tinha condições financeiras para comprar um carro. Frequentador da Assembleia de Deus, ele queria levar a mãe e a avó para a igreja, mas não tinha como com a Mobilete, então teve a ideia de criar seu próprio veículo.

Ele encontrou um rapaz que tinha a resina de fibra e os pneus para vender e trocou a Mobilete no material. Conseguiu comprar um motor de motocicleta usado e moldou todo o carrinho com as próprias mãos. Com molde papelão e resina, criou um modelo conversível, que ele diz se assemelhar mais a um Mini Buggy.

“Aquele Mini Buggy passou a ser meu veículo de locomoção. Aí eu ia para a igreja e levava a minha avó e minha mãe, que ia sentada na parte do motor”, contou Jocinei.

Esse primeiro veículo era menor, de cor azul, e foi uma verdadeira experiência para o lavador de carros, que teve que aprender a fazer solda e a mexer na adaptação do motor. O carrinho, que é bem menor que um veículo de passeio comum, não tinha câmbio, era transmissão de corrente, e foi construído na bicicletaria de um colega de Jocinei.

Segundo carro

Um tempo depois, Jocinei de casou com Inês, 26 anos, e seu primeiro carrinho (mais um pouco de dinheiro) se tornou a entrada de um veículo de verdade. Mas não demorou para ele querer fazer outro carrinho, dessa vez um vermelho.

Jocinei pegou um paralama usado de carreta, cortou, emendou e usou papelão e resina para fazer todo o molde do carro. “Esse deu muito trabalho”, contou ao LIVRE.

Dessa vez, o lavador de carros usou um motor de Biz e colocou partida elétrica no veículo, que ia só para frente, para dar ré tinha que empurrar o carro com o pé, ou com as mãos.

Esse veículo foi trocado por uma Biz que Jocinei e a esposa possuem até hoje.

“Eu precisei ter uma moto, porque minha mulher estava fazendo faculdade e roubaram a Biz dela. Eu fiquei com dó dela, porque ela acordava 5 horas para fazer faculdade. Ai eu tive que desfazer do meu carrinho, ela ficou até com dó de mim: ‘você vai se desfazer do seu carrinho?’. Mas era necessário”, lembrou Jocinei.

Terceiro carro

No terceiro carro Jocinei seguiu muitas coisas que havia aprendido com o segundo, como o motor de Biz e a partida elétrica, e ele também ia só para frente, não dava ré.

Mas esse, que era preto e branco, teve algumas melhorias, a roda, por exemplo, era de um Ônix, com calota aro 16 de um Nissan.

Jocinei queria vender o veículo por R$ 8 mil, mas acabou vendendo por R$ 5 mil. Os proprietários, porém, bateram o carro e, agora, o várzea-grandense quer recomprá-lo para reconstruí-lo.

“Estou tentando resgatar ele para eu colocar ele aqui no pátio do lava-jato para os clientes chegarem e brincarem com o carrinho”, disse.

Quarto carro

A venda do terceiro carro por um valor menor tinha um motivo, Jocinei tinha o desejo de fazer um carro com motor e câmbio de carro, para ele dar ré.

Assim nasceu o atual conversível do várzea-grandense, preto e vermelho, com motor de motocicleta (anda a gasolina) e câmbio de Pálio.

“Eu queria o câmbio de um HB20, porque é menor e mais leve, mas eu não tive condição, porque é uma faixa de R$ 2 mil o cambio do HB20 usado no ferro velho. Ai eu decidi que mais para frente, quando eu estiver melhor financeiramente, eu tiro o meu e coloco o cambio do HB20”, contou Jocinei.

Além dos quatro carros, o lavador de veículos também fez um robô estilo Transformers e um Trike, com pneu de bicicleta na frente e de kart atrás. Ele usa suas criações para divulgar seu lava-jato, localizado no Bairro Costa Verde, em Várzea Grande.

“O carrinho não é um veículo de passeio, é um veículo de propaganda do meu lava-jato. Mas eu uso ele, vou embora para casa, venho com ele. Eu venho dia sim e outro não com ele”.

Nos veículo cabem duas pessoas, se não forem muito grandes. E eles são resistentes à chuva, mas, como são conversíveis e não tem capota, se chover precisa procurar abrigo, “igual se estiver de moto”, disse Jocinei.

“Inclusive fui com minha mulher no shopping e fiquei com dó dela, porque estava muito sol, muito quente. Mas se chover não estraga, porque ele é fibrado, por fora é toda de fibra, o papelão fica por dentro. Ele só não pode molhar porque tem som. Mas pode rodar na água tranquilo”, explicou.

Todos os carros que já foram feitos por Jocinei estão em Cuiabá ou Várzea Grande. Ele disse que até daria para fazer um carro por encomenda, mas o custo sairia alto, o último feito ficou cerca de R$ 7 mil. “Para ter um carrinho desse tem que ter amor”.

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