Justiça de MT mantém preso sargento que recebeu botijões de gás como propina

Ao ser denunciado, militar ainda teria dito que daria um "pipoco" na vítima

Foto da Agência Brasil

Um sargento da Polícia Militar que recebeu R$ 800 e dois botijões de gás como “propina” para liberar um caminhão que transportava regularmente o produto em Nova Bandeirantes (1.025 km de Cuiabá) teve o habeas corpus negado pelos magistrados da Primeira Câmara Criminal de Mato Grosso. O caso aconteceu em fevereiro e o militar seguirá preso, tendo em vista que prometeu dar um “pipoco” na vítima que lhe denunciou.

De acordo com o processo, dois militares (o 3º sargento e um soldado) faziam rondas na estrada que dá acesso ao distrito de Japuranã, quando abordaram o motorista do veículo que transportava gás de cozinha. Por recomendação do sargento, o motorista foi encaminhado ao quartel, sob o argumento de não apresentar a documentação exigida (notas fiscais).

Ainda segundo narram os autos, neste momento, o militar escreveu “R$ 2 mil” em um papel, sugerindo que esse seria o valor para liberar a carga. A vítima disse que não teria a quantia exigida, por isso, uma nova proposta foi feita: “um negócio de pai para filho”, teria dito o sargento, baixando o valor da propina cobrada para R$ 1 mil.

Na ação, a vítima alegou que fico sob ameaça de ter o caminhão apreendido, sendo assim, entregou R$ 800 e dois botijões de gás ao militar. A movimentação, entretanto, foi percebida por um tenente que trabalhava no quartel. Desconfiado, ele foi até o motorista e perguntou o que estava ocorrendo. Foi quando a denúncia ocorreu.

O processo narra que o sargento negou a versão do motorista, mas ao ser revistado, foi encontrado o dinheiro e o papel inicialmente entregue ao caminhoneiro. Além disso, testemunhas conformaram a versão do motorista. Nesta ocasião é que o sargento teria dito: “vou responder a isso aqui, mas vou dar um ‘pipoco’ nesse cara”.

Juiz convocado para relatar o caso no segundo grau, Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto observou a necessidade da prisão preventiva.

“A prisão encontra-se fundamentada na garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal, consubstanciada na gravidade da conduta atribuída ao paciente, o qual – policial militar – teria exigido valor pecuniário para liberação de um veículo que não possuía qualquer irregularidade e, também, ameaçado a integridade física da vítima. A possibilidade de o paciente eventualmente ser condenado a cumprir sua pena em regime menos gravoso do que o fechado afigura-se insuficiente para lhe conferir a liberdade”, pontuou em seu voto, seguido pelos demais membros da câmara julgadora.

*Com assessoria

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