Homem foge de cativeiro e revela sequestro armado por colega

Um dos membros da quadrilha fingiu também estar sendo sequestrado, mas a vítima percebeu a farsa e seis pessoas foram presas

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Um homem de 32 anos foi libertado nesse sábado (26) depois de ficar cerca de 13 horas nas mãos de sequestradores. Ele foi encontrado por volta das 11 horas desse sábado, em uma rua do Bairro Mapim, em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá), com as mãos amarradas e uma fita adesiva pregada em sua boca.

A Polícia Militar foi acionada por moradores que viram a vítima pedindo ajuda. Aos militares, ele contou que na sexta-feira (25), por volta das 22 horas, foi levar um adolescente de 17 anos e seu amigo em uma distribuidora, que pertenceria à família do adolescente.

Conforme o boletim de ocorrência, chegando no local dois homens armados entraram no veículo e, com muita agressividade, ordenaram que a vítima dirigisse até um local abandonado, onde a terceira pessoa que estava no carro conseguiu fugir correndo, ficando apenas a vítima e o adolescente.

A vítima foi passada para o banco de trás do carro e escondeu seu celular no porta-revista atrás do banco, sem que os suspeitos percebessem.

Os sequestradores retiraram todos os pertences da vítima (carteira, corrente e relógio), amarraram seus pés e mãos e o amordaçaram com a fita adesiva.

Os criminosos então perguntaram se ele morava sozinho e ele disse que não. Já o adolescente, quando perguntado, disse que sim. Então, todos foram levados para a suposta residência do adolescente, onde já havia uma pessoa aguardando por eles.

A casa, segundo a vítima relatou aos policiais, estava abandonada. Ele foi agredido com um capacete, socos e chutes. O adolescente também teria apanhado.

“Porém, com o passar das horas, a vítima notou que L.R.S.B. [o adolescente] estava fazendo gestos para os elementos para liberarem ele, foi quando a vítima teve a certeza de que L.R.S.B. tinha arquitetado e forjado o sequestro”, consta no boletim de ocorrência.

De repente, o adolescente desapareceu do cativeiro e a vítima ficou sob os cuidados de um jovem. Até que, por volta das 10 horas desse sábado (26), percebeu que estava sozinho na casa, soltou seus pés e correu para a rua, onde pediu socorro.

Quando a Polícia Militar chegou ao local, um motociclista parou em frente ao cativeiro e perguntou o que estava acontecendo. Os policiais informaram e ele saiu. A vítima o reconheceu como um dos olheiros do cativeiro, mas temeu falar na frente dele.

Os militares fizeram rondas pelo bairro, encontraram o motociclista novamente e o prenderam. Depois, os militares foram até a distribuidora onde aconteceu o sequestro e encontraram o adolescente, dono do local.

Segundo o boletim de ocorrência, ele estava machucado e com um arranhão no rosto.

Questionado sobre o que havia acontecido na sexta-feira (25), ele contou uma “história sem sentido” aos policiais.

Ao revistarem a distribuidora, os militares encontraram o documento de um Honda City que ele afirmou ter encontrado na rua, porém, ao checar, a equipe descobrir se tratar de um veículo roubado na sexta-feira (25). O menor foi detido.

O carro da vítima do sequestro foi encontrado na Avenida Couto Magalhães, em Várzea Grande, depois que familiares rastrearam o celular que ele escondeu no veículo.

Um adolescente de 16 anos (irmão do dono da distribuidora, que teria forjado o sequestro) e um jovem de 22 estavam no carro. Os cartões da vítima foram encontrados com o jovem.

Os dois foram detidos e confessaram que os materiais encontrados dentro do carro (produtos de salão, mochilas, bolsas e cueca) haviam sido comprados com os cartões da vítima. Eles ainda contaram que a arma (de airsoft) utilizada no crime estava em um lava-jato, cujo proprietário era o motociclista que perguntou à Polícia o que estava acontecendo em frente do cativeiro.

A arma foi encontrada no lava-jato. Ela havia sido escondida por um funcionário, que também acabou preso por participar do crime. O dono do lava-jato entregou ainda mais um colega, de 15 anos, que também foi detido.

Conforme o boletim de ocorrência, o jovem de 22 anos preso com o carro da vítima relatou aos policiais que toda a quadrilha foi para Nobres (125 km de Cuiabá) na sexta-feira (25), depois do sequestro, com o carro da vítima, para comemorar o aniversário de um deles.

Ao todo, seis suspeitos de participar do crime foram encaminhados para a Central de Flagrantes de Várzea Grande, onde o caso foi registrado como “utilizar arma brinquedo a fim cometer crime, ameaça, roubo, tortura, mediante sequestro, formação de quadrilha ou bando armado, sequestro e cárcere privado e corromper ou facilitar a corrupção de menores”.

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