É matar ou morrer

Perto do primeiro turno, o que vemos é a antecipação da guerra do fim do mundo, que geralmente ocorre no segundo

(Foto: Montagem/O Livre)

A menos de 20 dias do primeiro turno das eleições de 2018, onde, teoricamente, cada eleitor daria seu voto ao candidato que mais representa suas crenças, deixando para o segundo turno a decisão de votar no menos pior, caso seu preferido não tenha chegado, o que vemos é a antecipação da guerra do fim do mundo.

Petistas e antipetistas, salvo um fato novo arrasador, deverão se enfrentar com os ânimos extremamente acirrados e dispostos a matar ou morrer. Não importa mais, para o eleitor, quais são as propostas, e o que cada um pensa sobre as soluções para tirar o Brasil desse atoleiro.

Ou voltamos aos anos de escuridão de Lula e do poste Dilma, quando a esquerda apoderou-se deste país, com a corrupção atingindo níveis nunca imaginados, com a política econômica desastrosa, com a educação sem rumo e uma enorme desesperança. E essa continuidade, agora, vem na figura de Haddad, mais um poste de Lula colocado para, se eleito, indultá-lo e transformá-lo em seu primeiro ministro e sair da cadeia para governar o Brasil.

Ou mergulhamos na incerteza da extrema-direita com Bolsonaro, um candidato com a saúde fragilizada e sem uma vida política pregressa que o credencie a fazer o Brasil crescer com sustentabilidade. Seu “Posto Ipiranga”, onde poderão ser encontradas todas as soluções, é um homem só, Paulo Guedes. Se, por qualquer razão houver um atrito ou qualquer desentendimento, seremos uma nau sem rumo. Mais uma vez.

[featured_paragraph] O triste disso tudo é que chegamos a essa encruzilhada antes do devido tempo. O voto útil, para impedir quem não queremos, já passa a ser o voto mais buscado. A carnificina geral será, a partir de agora, onde cada um dos dois candidatos, para buscar o eleitor de qualquer espectro, tentará mostrar que dos desastres possíveis representa o menor. Aliás, essa luta pelo voto útil será de Ciro, Marina e Alckmin que ainda sonham com o milagre do fato novo para mudar uma tendência já consolidada.[/featured_paragraph]

O crescimento de Haddad nas últimas pesquisas já era esperado. Cresceu de 8 a 11% nas intenções de votos segundo os resultados divulgados nesta semana, assumindo, como já dizia o antigo slogan do SBT: liderança absoluta do segundo lugar.

A saída oficial de Lula da disputa – por ser um criminoso, estar na cadeia, condenado em segunda instância e ficha-suja, impedido, pois, de candidatar-se – transferiu quase que imediatamente a Haddad os votos fundamentalistas. O que não se sabe, ainda, é qual será o teto desses votos e como será migração dos votos dos outros candidatos.

Com possibilidade de ser o nome a enfrentar Bolsonaro, Ciro, mais uma vez, foi traído pelo gênio indomável e a língua de lavadeira: chamou um repórter de filho da puta, deu-lhe um safanão e pediu que o prendessem. Perdeu aí preciosos votos que, pela polarização Bolsonaro/Haddad, não parecem ser possíveis de recuperar.

Marina, candidata copa do mundo – só aparece de 4 em 4 anos -, derreteu antes de chegar perto da praia. Sem propostas concretas, sem carisma e com viés ambientalista assustador, viu escorrer-lhe pelos dedos os 20 milhões de votos da eleição de 2014 que lhe acalentavam o sonho de chegar ao trono.

Álvaro Dias é outro desse time que sairá menor do que entrou. Não conseguiu a liderança das intenções de votos nem no seu estado, Paraná, onde ocupou todos os cargos possíveis. De vereador a  governador e sempre foi bem avaliado. Isso tudo apesar de seu competente vice, Paulo Rabello de Castro. Restar-lhe-á a tribuna do senado, nos quatro anos que lhe restam de mandato, para pregar no deserto.

A situação pior, porém, é de Alckmin e seu PSDB, que estão estarrecidos e catatônicos ao ver cair a ficha de que não mais serão protagonistas nas decisões deste país. Passarão a meros coadjuvantes, restando-lhes o papel de sair com o pires na mão a pedir esmolas. Uma legenda formada por um grupo de vaidosos e covardes e descomprometida com o país.

Sempre uma oposição quase inexistente. O PSDB sempre foi dissimulado.  Não cassou Aécio, impediu, no Mensalão, o impeachment de Lula e, entre tantas coisas, nunca se uniu. Todos trabalham contra todos. Basta lembrar os exemplos de Lulécio e Dilmasia em MG e o corpo mole do partido contra a candidatura de Serra em 2002.

Alckmin negociou até o que não deveria para ter o apoio dos partidos do Centrão, imaginando que, com o latifúndio de tempo na propaganda eleitoral, teria também o apoio dos eleitores fora das extremas direita e esquerda. Confabularam, uniram-se e preparam-se para a partilha do bolo que viria. Esqueceram-se, porém, de combinar com o eleitor e, faço aqui uma analogia à frase histórica de Garrincha na Copa de ’58, quando Vicente Feola disse-lhe qual a jogada deveria fazer para passar pela zaga russa: “Mas vocês combinaram com os russos?”.

Estamos a menos de 20 dias das eleições e o quadro que aparentemente nos resta, salvo um fato novíssimo, não nos permitem sonhar, ainda desta vez, com o Brasil dos nossos sonhos.

*Ricarte de Freitas
Advogado, analista político e ex-parlamentar estadual e federal

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