Deixem seus filhos tentarem

(Foto: Daniela Dimitrova/Pixabay)

O que eu agora escrevo é mais um relato pessoal do que qualquer outra coisa. Não pretendo e nem poderia desejar que essas palavras fossem maiores do que realmente são. Isso não é um manual, tampouco é um conselho, é apenas uma, entre tantas possibilidades que você pode levar em conta.

Após esse importante adendo, podemos começar.

Posso começar com, talvez, a maior distorção que as pessoas têm em relação a minha educação por ser filho de militar. Elas presumem que tive uma infância dura, rigorosa e com muitas regras, e possivelmente, estariam certas em muitos casos – mas, não no meu.

Não quero entrar em detalhes sobre a minha relação com o meu pai hoje, mas posso dizer que tenho muito orgulhoso de ser filho dele. Com certeza é o homem mais íntegro que eu tive a honra de conviver e por ele ser educado.

O que meu pai esperava de mim?

Imagino que muitos filhos se perguntam isso dos seus pais, e, penso que o filho que diz não se importar está mentindo, e no fundo sabe disso.

Meu pai me disse no meu 21º aniversário que esperava que eu fosse uma boa pessoa, apenas. Que não tinha qualquer pretensão ou expectativa em relação a qualquer escolhe que eu tomasse, desde que cumprisse esse preceito básico.

Ou seja, eu estava livre para tentar.

Aos 18 anos fui para São Paulo fazer música.

Meu pai apenas perguntou se era isso o que eu queria, e se sim, que buscasse então o meu caminho. Antes de ir morar fora, meu pai já havia percebido, eu acho, que eu seria incompleto somente com a música – mas, que também sem ela não poderia viver. Ele me disse que a música poderia coexistir com outras paixões na minha vida. Demorei 7 anos para entender. Aos 25 entendi o que meu pai me disse aos 18.

Posso dizer que foi um caminho tortuoso até chegar aqui, posso dizer também que eu falhei bastante. Mas, o que eu não posso dizer é que eu não tive apoio dos meus pais. Como eles nunca me forçaram a nada, eu não tive contra quem me rebelar. Eu não tinha a quem culpar, se não a mim mesmo se eu não estava chegando aonde eu gostaria.

Sabe quando dizem “Nossa, se eu soubesse disso quando era jovem, não teria cometido tantos erros”. Olha, eu discordo. Porque ainda que meu pai fosse o mais didático possível, talvez, em um cenário onde ele me mostrasse o futuro em uma tela mágica, provavelmente, eu ainda assim teria cometido os mesmos erros. O aprendizado não é uma ação passiva, ela é e sempre será ativa. Os aprendizados vieram só para ratificar aquilo que já haviam me falado, mas que só agora eu conseguia enxergar.

Ou seja, encha seus filhos de bons conselhos e sabedoria, e ainda assim, ele terá que fazer sua própria caminhada.

Coloque bons exemplos para o seu filho, e, ainda que ele saia da linha, ele sempre saberá para onde retornar.

Pelo menos foi assim comigo. Talvez, por isso, minhas falhas sempre me incomodaram muito, porque sempre estive consciente delas e isso, eu aprendi com o meu pai.

Em suma, eu tive apoio, tive bons conselhos e mais do que tudo, tive bons exemplos. Espero que Deus me dê a graça de seguir os passos do meu pai na educação dos meus filhos.

Marco Túlio é músico, publicitário e professor. Seu instagram é @omarco.tulio

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorMinistério da Economia abre processo seletivo com 100 vagas imediatas
Próximo artigoMercado de apostas esportivas deve ser regulamentado em 2021