Covid-19: secretário diz que medidas sanitárias de prefeitos têm “viés eleitoreiro”

Gilberto Figueiredo afirmou que gestores não estão conseguindo conciliar isolamento social e abertura econômica, já pensando no calendário das eleições municipais

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O secretário de Saúde de Mato Grosso Gilberto Figueiredo disse nesta sexta-feira (22) que as decisões de prefeitos mato-grossenses, de imporem medidas sanitárias contra o novo coronavírus, escondem um “viés eleitoreiro”.  

Por causa do calendário de votações municipais neste ano, os gestores estariam com “dificuldades” de agir de modo apropriado. 

“O Governo do Estado já claramente apontou qual deveria ser o comportamento, isso não é mais segredo para nenhum gestor. Parece-me que sendo um ano político, que tem eleições, gestores municipais estão encontrando dificuldades para tomar decisões à luz das medidas sanitárias e do pleito econômico”, disse. 

Segundo ele, “alguns municípios estão adotando as medidas corretamente e outros encaram naturalmente” a evolução do contágio. As declarações foram feitas no contexto de aumento da incidência da covid-19 em Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. 

 Nos últimos 30 dias, o número casos em Várzea Grande passou de nove para 73, aumento de nove vezes no registro do contágio. O município foi um dos primeiros a flexibilizar o isolamento social em Mato Grosso.  

Em Chapada dos Guimarães, a circulação de pessoas continuava intensa até há algumas semanas e os pontos de turísticos de banho e visitação estavam abertos. 

Há um mês, o município não aparecia na lista de casos confirmados da SES e hoje tem sete casos, com uma morte. 

“Ceticismo” 

O secretário afirmou que a evolução de casos confirmados em alguns municípios está ocorrendo em decorrência de certo ceticismo quanto à evolução do contágio. 

Esse comportamento estaria sendo visto até mesmo por pessoas classificadas no grupo de risco, com idade acima dos 60 anos ou comorbidades.  

Ele ressaltou que a maioria das mortes registradas até o momento em Mato Grosso está dentre as pessoas com doenças que enfraquecem o sistema imunológico. 

“O principal mecanismo de evitar o óbito é a imunidade, e já deu para perceber que pessoas com comorbidades estão mais vulneráveis. Parece que a população não acredita ainda que existe uma pandemia. Ela é pouco letal, mas com alta capacidade de infecção”, pontuou. 

Ainda conforme o secretário, o nível de isolamento social está bem abaixo do nível considerado seguro.  Há 60 dias, nas semanas dos primeiros registros, estava em 60%, hoje está em 43%. 

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