Calúnia, o passatempo dos medíocres

No Brasil, a incompetência dos caluniadores é tão grande quanto a clareza de seus propósitos

O ministro da Educação, Abraham Weintraub: ele tem que se defender de calúnias e defender o MEC dos vermelhos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Mais um ano se findou e as frustrações se acumulam. E por que não nos sentar no alto de nossa mediocridade e começarmos a culpar este e aquele pelas coisas que não deram certo? Falar mal dos outros parece ser o principal passatempo brasileiro.

A “Nova Direita”, então, se especializa nisto, e a cada nova semana elege o bode-expiatório da vez. Das rodas de amigos à internet o que se ouve é fofoca política que segue o modelo das redes de intrigas telenovelísticas.

Outro dia foi Weintraub que se mancomunou com esquerdistas das mais variadas facções para esquerdizar o MEC, como se possível tornar o ministério ainda mais vermelho do que já é.

Depois vem o Alvim, da Cultura, detestado pela corja artística; em seguida, a ministra Damares, que por gerir uma pasta tão complexa é alvo fácil, e portanto criticada impiedosamente por tudo o que faz, desde uma foto com o Papa, até o cancelamento do fornecimento de camisinhas e lubrificantes para as instituições de ressocialização de menores.

O mundo vai acabar, porque o primeiro cancelou verbas que financiam aparições de homens nus a crianças de escola elementar e a outra não vai fornecer camisinhas custeadas pelo pagador de impostos para que os criminosos mirins vivam sua plenitude sexual!

Quando saio do campo de guerra que é o Twitter, no Youtube me deparo com um vídeo de 30 minutos do Prof. Olavo de Carvalho se defendendo com a pachorra que lhe é característica dos ataques mal construídos e mentirosos de colunistas da Folha.

Se calúnia é um esporte nacional, pelo menos deveríamos saber fazê-lo bem, escondendo as mentiras debaixo de pseudo-verdades, disfarçando em nuances de linguagem intenções espúrias. Mas não, a incompetência dos caluniadores é tão grande quanto a clareza de seus propósitos.

Discussões com substância são inexistentes. Nosso vício cultural de nos atermos a detalhes quase irrelevantes provavelmente deriva da incapacidade de entender a natureza da política. Somos gato escaldado. Nos colocamos num canto sempre esperando o momento em que a nova “oligarquia” vai nos trair, porque sempre fomos traídos.

Como imaginar um futuro fora das predeterminações do esquerdismo que nos consumiu por décadas? Como imaginar o jogo político sadio, que exclua negociações torpes, mas que nem por isso pode deixar de ser um jogo?

Como entender que um veto ou a falta dele à lei com a qual discordamos não é o mesmo que ter “autorado” a lei?  Vamos aprender a permitir a nossos políticos de direita a utilizar a inevitável e necessária dança política? Ou vamos assumir mau-caratismo e traição todas as vezes que uma estratégia diferente do confronto agressivo for tomada?

O fato é que o novo ano já está começando cansado, sancionando a prática abjeta da calúnia como a principal arma dos dois lados do espectro político. É mais fácil presumir o mal automaticamente do que se dar ao trabalho de fazer uma avaliação racional. É mais saborosa a difamação gratuita do que a trabalhosa análise da conjuntura. E assim tocamos o barco, dando um viva à mediocridade geral da nossa fauna tupiniquim.

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