Autossabotagem

Por Francisney Liberato

Não dependa da motivação para agir. Faça o que deve ser feito e desfrute do melhor sentimento: a realização.

Eu tenho o costume de, pelo menos três vezes por semana, fazer caminhada. Normalmente, na semana anterior eu já defino toda a programação de treino da próxima semana.

No dia de 29 de julho de 2020, no período da noite, percebi que a temperatura da minha cidade Cuiabá tinha diminuído, ou seja, a sensação era de frio.

Dentro da minha programação, no dia 30 de julho de 2020, às 7 horas da manhã, eu deveria fazer a minha caminhada combinado com a corrida.

Ao acordar, no dia do treino, eu percebi que a minha mente começou a levantar alguns pontos negativos sobre aquela atividade física, como por exemplo: já que estava um pouco frio, eu poderia prorrogar o treino. Em outro momento, a mente me informava que era melhor deixar o treino para a noite. Ainda, com pensamentos para desestruturar o meu planejamento, começavam a me dizer que eu poderia abrir mão da caminhada, pois havia outra atividade mais relevante a fazer.

Será que esses pensamentos ocorrem na sua vida? O que todos esses pensamentos podem nos dizer? Qual é a frequência com que esses diálogos permeiam o nosso cérebro? Como temos agido para resolver esse cenário?

Na lida com as pessoas, durante todo o percurso de minha vida, eu tenho notado que esses pensamentos não ocorrem apenas comigo, mas sim com a grande maioria dos seres humanos, não importando a raça, a cor, a idade, o sexo e o gênero. Nós não estamos imunes aos chamados pensamentos sabotadores.

Esses pensamentos são o que podemos chamar de sabotagem, que é um verdadeiro boicote do nosso cérebro, e que normalmente ocorre de forma inconsciente. Nada mais é do que a nossa luta interna entre o que devemos fazer e o que queremos fazer. O pior de tudo isso é que essas sabotagens, ou autossabotagem, são “boicotes” da nossa mente para nós mesmos.

É importante destacar que esses pensamentos de autossabotagem são criados, implicitamente, ou, em alguns casos explicitamente por nós mesmos, com base em situações que cada um vivencia durante o seu percurso nesta vida, principalmente na infância. Exemplo: um estudante que não aprecia a disciplina de física, mas sabe da sua importância para passar de ano, caso não persista deverá repetir o ano letivo. Ao invés de estudar, prefere fugir da responsabilidade.

Outros exemplos que também atrapalham um indivíduo a realizar as suas tarefas, devido à autossabotagem, são: falta de motivação, procrastinação e baixa estima.

Vale ressaltar que, como no exemplo da caminhada, que é uma situação pequena diante de todo o complexo de atividades que fazemos ou deveríamos fazer durante um dia, a autossabotagem se faz presente, ou seja, ela atinge as pequenas atividades como também as grandes tarefas do dia a dia.

Cada um de nós, por ter uma realidade singular, e um histórico de vida distinto, sofre a variação da frequência e do nível de autossabotagem. É bom frisar que autossabotagem é prejudicial para a nossa vida do presente, como também para a realização futura. Se você tem autossabotagem e isto lhe incomoda, creio que chegou o momento de não mais permitir que isso ocorra na sua vida, sendo assim, ainda hoje há possibilidades de mudanças.

É de se notar que se não combatermos a autossabotagem ela terá um efeito progressivo, multiplicador e viral, ou seja, é provável que a quantidade de pensamentos negativos e sabotadores o contamine por completo.

Os efeitos da autossabotagem, são: depressão, transtornos de ansiedade, tentativas de suicídio, automutilação, dentre outros. Ressalta-se a importância de procurar tratamento com um profissional da área.

É importante entender que somos seres humanos falíveis e cometemos muitos erros comportamentais e de outras naturezas. Sendo assim, é necessário conhecer e reconhecer as nossas limitações e ter paciência com esses pensamentos inoportunos.

O primeiro passo para o enfrentamento da autossabotagem é decidir não mais querer continuar a vida que você tem vivido. Decidido isso, é relevante que, para cada pensamento de sabotador, você introduza, racionalmente, três pensamentos positivos ou soluções para desmantelar a autossabotagem. Faça um inventário de todos os pensamentos negativos que ocorrem na sua vida, com as devidas soluções. Fazendo isso, você aplicará a técnica do autoconhecimento, que é fundamental para nos ajudar a sair desse algoz.

Você precisa ter autorresponsabilidade sobre esses pensamentos intrusos que surgem em sua vida, e propor mudanças sustentáveis. É primordial confiar na sua capacidade de solucionar essa demanda, pois você tem a capacidade necessária para reverter esse panorama.

Uma dica que pode lhe ajudar ainda mais é utilizar o princípio ensinado por Deus a Moisés. Moisés estava diante do Mar Vermelho – o que, em outras palavras, quer dizer: um momento sem uma aparente solução e num cenário de encruzilhada. O princípio ensinado a nós é: marche, continue, prossiga, aja e faça!

Mesmo você tendo pensamentos de autossabotagem na sua vida, é preciso continuar a sua jornada. Naquela manhã, ainda assim, eu acordei e fui fazer a minha atividade física, e a cada passo dado, a cada conquista alcançada, a autossabotagem foi se dissipando do meu treino.

Não seja o seu maior inimigo. Cuidado com esse inimigo silencioso. Não sofra, mesmo entendendo que está tudo bem. O inimigo interno da autossabotagem tem forças maiores do que o inimigo externo. Aplique as técnicas dispostas neste texto para mudar a sua vida. Continue firme nesta caminhada, independentemente das circunstâncias existentes.

Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT. Palestrante Nacional, Professor, Coach e Mentor. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz” e “Singularidade”.

http://www.francisney.com.br

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