Atletas de esportes equestres protestam contra a proibição de provas de laço em MT

Manifestantes foram recebidos por deputados que prometeram criar leis para assegurar prática esportiva

Cerca de 300 cavalheiros montados percorreram 10 quilômetros na manhã desta terça-feira (18), em Cuiabá, para protestar contra a proibição de provas de laço em Mato Grosso.

A comitiva de cavaleiros partiu do Haras Twin Brothers e seguiu até a Assembleia Legislativa, no Centro Político Administrativo. Os manifestantes foram recebidos por deputados estaduais, que sinalizaram que vão trabalhar na criação de uma lei que assegure a prática esportiva em Mato Grosso.

A manifestação é uma resposta à proibição da prova de laço resultante de uma liminar obtida na Justiça pelo Ministério Público Estadual, no final do mês de maio. Na ação, o MP argumenta que as provas realizadas nas modalidades que utilizam laços causam maus-tratos aos animais.

Proprietário do Haras Twin Brothers, Cae Povas – Foto: O Livre

Proprietário do Haras Twin Brothers e líder da manifestação, Cae Povas, criticou o fato da decisão sair horas antes do início do evento, o que impossibilitou os organizadores de entrar com recurso. “Nós cansamos disso, nós queremos trabalhar. Não somos bandidos, não somos ladrões. O que fizeram com a gente foi uma situação inaceitável”, critica.

Segundo ele, a proibição das provas que envolviam os animais, trouxe prejuízo de R$ 400 mil, além do impacto emocional já que haviam pessoas de todas as regiões do Estado, incluindo os que viajaram mais de 2 km para participar do evento.

O presidente da Associação dos Criadores de Cavalos de Mangalarga Marchador de Mato Grosso, Álvaro de Carvalho, ressaltou que o esporte equestre emprega diretamente mais de 610 mil pessoas no país e rende mais de R$ 16 bilhões ao ano, segundo dados do Ministério da Agricultura.

Lembrou que a criação de equinos é o 6º maior negócio do setor agro do país e que Mato Grosso tem a 5ª maior tropa do Brasil.

Presidente da Associação dos Criadores de Cavalos de Mangalarga Marchador de Mato Grosso, Álvaro de Carvalho – Foto: O Livre

Ele afirmou ainda a que vontade dos praticantes do esporte era de não estar na manifestação, mas os esportistas vêm sendo confundidos com “pessoas que maltratam animais e isso não é a nossa realidade. Muitos desses animais são o maior patrimônio que temos”, desabafou.

Para o criador de cavalo pantaneiro e empresário do ramo de ecoturismo, André Thuronyi, “essas alegações de maus tratos vêm de pessoas que não têm noção dos cuidados que nós temos com a nossa tropa”.

Segundo ele, graças ao esporte esses animais tem uma razão de existir. “Se nós tirarmos os esportes, para quê criar cavalo? No passado, os cavalos já foram instrumentos de guerra, transporte público, já foram apoio na agricultura. Eles tinham uma razão de ser, mas nos dias de hoje, se não for através do esporte, este animal está sem função”, avalia.

Thuronyi explica também, que a prática do esporte gera “recursos que fazem com que pessoas se interessem em criar esses animais”. Além disso, observa que “30 anos atrás, 70% da humanidade vivia em zonas rurais, essa situação inverteu e agora o contato da juventude com a natureza é totalmente diferente dos que eu tive. O cavalo e o montador têm um elo de interação e harmonização enorme, haja visto o crescente número de pessoas beneficiadas com a equoterapia”, finaliza.

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