Arcebispo de São Francisco levanta questão sobre excomunhão de abortistas

Religioso se diz perturbado por ver que muitos defensores do aborto se autoproclamam católicos

(CNS foto: Nancy Phelan Wiechec)

Em um artigo publicado no Washington Post na semana passada, Salvatore J. Cordileone, arcebispo de São Francisco, Estados Unidos, escreveu sobre a possibilidade de excomunhão de abortistas que se dizem ser fiéis católicos, aproveitando o calor das reações “hiperbólicas” de políticos de esquerda americanos à nova lei do Texas, que proíbe o aborto se forem detectados batimentos cardíacos no feto.

Citando os protestos do dito católico presidente dos Estados Unidos Joe Biden e de Nancy Pelosi, presidente da Câmara do mesmo país, ambos Democratas, o arcebispo se diz perturbado por ver que muitos defensores do aborto se autoproclamam católicos.

Acusado, juntamente a outros bispos americanos, de forçar a religião na política após discussão sobre a recusa de Eucaristia – o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo – a funcionários públicos pró-aborto, Salvatore relembra a posição firme de um colega de episcopado numa batalha histórica que agrada a esquerda de hoje no mundo todo: a luta contra o racismo nos Estados Unidos.

Discriminação racial em terras americanas

Tomando como inspiração, o arcebispo de Nova Orleans Joseph Rummel, atuante na Arquidiocese de 1930 a 1964, o autor do artigo mostra que o então líder religioso católico não “ficou na dele” naquela época de discriminação racial em terras americanas. Em vez disso, começou uma longa e árdua campanha moral para mudar a opinião dos católicos segregacionistas.

Segundo o texto, Rummel promoveu vários atos que deixavam esses fiéis furiosos, como fechar uma igreja pela rejeição desta a um padre negro e remover das igrejas de sua Arquidiocese as placas discriminatórias com os escritos “white” (“branco”) e “colored” (“de cor”), comuns, na época, para delimitarem, por exemplo, quais banheiros e quais bebedouros poderiam ser utilizados por negros.

Em 1962, o Arcebispo de Nova Orleans excomungou três conhecidas personalidades por defenderem a segregação racial, incluindo um ex-juiz, de acordo com Salvatore.

Perguntando-se se essas excomunhões foram inválidas – e logo respondendo um certeiro “não” a si mesmo -, o atual Arcebispo de São Francisco comparou tal época à atualidade e cita as palavras de Rummel ao se referir ao aborto: “nos nossos tempos, o que seria mais notoriamente uma ‘negação da unidade e solidariedade da raça humana’ que o aborto?”.

“Aborto mata um ser humano único e insubstituível crescendo no ventre de sua mãe”, continua ele. “Todos que defendem o aborto, de maneira pública ou privada, que financiam isso ou que o apresentam como uma escolha legítima participam de um grande mal moral.”

Assistência a mulheres em desespero

Após trazer à tona o número de vidas perdidas desde o início da prática abortista nos Estados Unidos – mais de 60 milhões – e lembrar do sofrimento das mães que recorrem ou pensam em recorrer a essa nefasta medida a contragosto, Salvatore apontou políticas adotadas no Texas para ajudar essas mulheres em desespero, como assistência financeira a maternidades e a centros de adoção.

Mencionou, também, o oferecimento de materiais e serviços gratuitos, incluindo fraldas, papinhas e treinamentos de trabalho para as mães que desejam manter seus filhos vivos. “A resposta para gestações adversas não é violência, mas amor, tanto para a mãe quanto para a criança”, destacou o líder religioso católico de São Francisco.

E completou: “Você não pode ser um bom católico e apoiar o direito aprovado pelo governo de matar seres humanos inocentes”.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorJustiça nega usucapião a empregado que morava em imóvel cedido pela empresa
Próximo artigoAziz Ansari – as perguntas que incomodam