Ana Feldner: “Acusações do investigado Rogers são infantis e ridículas”

Delegada diz que situações narradas por Rogers Jarbas são inverídicas e demonstram "machismo"

Felder e Strigueta comandavam as investigações dos grampos ilegais em MT Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

“Infantis e ridículas”. Foi com essas palavras que a delegada Ana Cristina Feldner, indignada, classificou as acusações do ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas, que levantou suspeitas sobre a imparcialidade dela na condução do inquérito que resultou na Operação Esdras, que levou Jarbas e outras sete pessoas para cadeia, sob a acusação de tentar atrapalhar as investigações do esquema de interceptações telefônicas ilegais que ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira.

Em nota à reportagem do LIVRE, a delegada afirma que as situações narradas por Jarbas no texto são inverídicas e avalia que o “destempero” do ex-secretário revela “no mínimo, temor com relação às investigações”.

De acordo com Ana Feldner, provas robustas apresentadas à Justiça é que levaram Rogers Jarbas à prisão e à suspensão de suas funções como delegado.

“Se o mesmo foi preso, sofreu busca e apreensão e ficou afastado de suas funções, houve decisão judicial devidamente sustentada em provas robustas (tanto é assim que o mesmo perdeu vários – para não falar todos-recursos em instâncias superiores). Em minha vida profissional atuei em vários casos de repercussão e sei que é comum investigados (notadamente quando não possuem argumentos jurídicos em seu favor) atacarem aqueles que os investigam”, disse ela.

A delegada afirma ainda ver como “comum” que investigados “notadamente quando não possuem argumentos jurídicos em seu favor” ataquem quem os investiga e destaca estar com a “consciência tranquila quanto ao cumprimento do meu dever”.

Especialmente sobre a hipótese levantada pelo ex-secretário de que ela teria um relacionamento amoroso com o tenente-coronel PM José Henrique Soares – Feldner ainda acrescenta que Jarbas se comporta como “homem machista, preconceituoso e abusivopor usar relações pessoais de uma mulher – que ela sustenta que jamais existiram – “com o único intuito de denegri-la moralmente”.

“É abominável que em pleno ano 2019 nós, mulheres profissionais,  soframos este tipo de abuso”, escreveu, destacando ser mãe de dois filhos.

Sindicato

Em “nota de repúdio” (veja íntegra abaixo), a presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de Mato Grosso, Maria Alice Barros Amorim, também criticou o que chamou de acusação “desrespeitosa, preconceituosa, machista e vil”.

“Entendemos que os fatos em questão são por demais desgastantes para todos os Delegados de Polícia do Estado de Mato Grosso e acreditamos que as questões jurídicas, motivo de eventual defesa, devem se ater ao processo em questão, o que por certo esta sendo amplamente discutido nas diversas esferas jurisdicionais”, afirma.

Confira na integra da nota da delegada Ana Feldner:

“Tomei conhecimento pela imprensa de declaração feita pela pessoa do investigado Rogers Jarbas que, pelo destempero e por inverídicas que são revelam, no mínimo, temor com relação às investigações do caso conhecido como Grampolândia. Acredito que eventuais provas devem ser discutidas no processo e não pela imprensa.

Se o mesmo foi preso, sofreu busca e apreensão e ficou afastado de suas funções, houve decisão judicial devidamente sustentada em provas robustas (tanto é assim que o mesmo perdeu vários – para não falar todos-recursos em instâncias superiores). Em minha vida profissional atuei em vários casos de repercussão e sei que é comum investigados (notadamente quando não possuem argumentos jurídicos em seu favor) atacarem aqueles que os investigam. Tenho a minha consciência tranquila quanto ao cumprimento do meu dever, e quanto a minha vida pessoal tenho satisfações a dar apenas para minha família e em nenhuma hipótese para um investigado.  

As acusações feitas pelo investigado Rogers são, na maioria, infantis e ridículas. Porém, há uma acusação que merece ser ponderada, pois tem o cunho iminente preconceituoso e tenta me difamar inventando/expondo questões de vida pessoal. Típico comportamento de um homem machista, preconceituoso e abusivo, que atribui relações da vida pessoal de uma mulher, relações que nunca existiram, com o único intuito de denegri-la moralmente.

É abominável que em pleno ano 2019 nós, mulheres profissionais,  soframos este tipo de abuso.  Duplo abuso, o primeiro daquele que proferiu falácias difamatórias que atingem a minha honra e moral, e o segundo deste veículo de comunicação que ainda coloca como título de matéria uma situação com intuito de difamar a imagem de uma profissional, mulher, mãe de 02 filhos, sem sequer se preocupar com os impactos que tais falácias proferidas pela imprensa incorrem na saúde mental de uma família.

Este comportamento adotado é inaceitável, sou delegada de polícia e sou mulher e pela honra de todas as mulheres que há anos lutam para não serem violentadas física e moralmente, jamais vou me calar ou me intimidar diante de tais absurdos/invenções preconceituosas e abusivas, pelo qual adotarei todas as medidas legais cabíveis”.

Veja íntegra da nota do Sindepo/Amdepol

O Sindicato dos Delegados de Polícia de Mato Grosso em respeito a profissional mulher de todo o mundo e principalmente em respeito a todas as Delegadas de Polícia de Mato Grosso e do Brasil, vem a público repudiar a forma desrespeitosa, preconceituosa, machista e vil como a Delegada de Polícia, Dra. Ana Cristina Feldner foi tratada em matéria intitulada “suposto affair é crucial para desvendar trama que levou Perri ao engano”, publicada pelo site “O LIVRE”, no dia 10 de maio de 2019.

É repugnante que em pleno século 21, após anos e anos de lutas em todo o mundo para reconhecimento das conquistas sociais, políticas e culturais das mulheres, a vida íntima de uma profissional ainda seja vilipendiada desta maneira.

Entendemos que os fatos em questão são por demais desgastantes para todos os Delegados de Polícia do Estado de Mato Grosso e acreditamos que as questões jurídicas, motivo de eventual defesa, devem se ater ao processo em questão, o que por certo esta sendo amplamente discutido nas diversas esferas jurisdicionais.

É importante que a sociedade saiba que o fato de ter uma Delegada de Polícia trabalhando em investigação complexa não a desqualifica para tanto. Ao contrário, demonstra que a instituição não distingue seus profissionais pelo gênero, o que infelizmente não é uma realidade em diversas carreiras do país.

A matéria não tem cunho de defesa, trata-se de uma conduta deliberada com objetivo específico de aviltar a vida íntima de uma Delegada de Polícia, profissional, mulher, mãe em uma demonstração genuína do mais puro preconceito, machismo e violência que a sociedade atual afirma repudiar.

 MARIA ALICE BARROS MARTINS AMORIM

Presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de Mato Grosso

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