Amigos homenageiam Bolinha: “vai reencontrar Mestre Albertino. Imagine a festa no céu?!”

O Mestre do iê-iê-iê e "limpa banco" se foi e a cultura mato-grossense está de luto

A figura de um artista solícito e alegre – o sorriso já era “parte integrante” da sua feição – vai ficar guardada para sempre na memória dos amigos que puderam conviver com João Batista de Jesus, o Mestre Bolinha.

O homem que herdou do pai, o Mestre Albertino, o talento e o entusiasmo pela música faleceu nesta segunda-feira (5), aos 79 anos, em Cuiabá. Cidade em que nasceu e cresceu e local onde seus feitos radiaram de tal forma, que o tornaram uma verdadeira lenda, um ícone da história da arte mato-grossense.

Foi professor na Escola Técnica Federal e tocou em várias bandas, em sua formação oficial ou em apresentações pontuais como convidado especial. Foi um dos pioneiros do rock´n roll cuiabano, mas quando era chamado para o “limpa banco”, o genuíno rasqueado cuiabano é que ele brilhava ainda mais.

Amigos e parceiros da música se despedem, reforçando a relevância de seu nome na cultura mato-grossense. O corpo de Bolinha está sendo velado na Sala Orquídeas da Capela Jardins e o sepultamento será às 17h. O cortejo sai da capela às 16h.

Vera Capilé

Vera Capilé

“Quando você me pede para falar sobre o Bolinha, eu lembro do China, do Penha, grandes músicos que esta terra acolheu, abrigou, fez nascer. Bolinha foi um destes. Ele seguiu o exemplo do pai dele e também foi maestro na Escola Técnica. E lembro dele mocinho, tocando em banda. Viajando, saindo pelo Brasil. Junto com Neurozito, Jacildo. Ele não tinha constrangimento de tocar a hora que ele quisesse, a hora que pedissem. Já sacava o instrumento e saía tocando. Um dia ele estava tocando o hino de Cuiabá, na comunidade de São Gonçalo. Peguei o microfone e cantei junto. Fizemos um dueto como se tivéssemos ensaiado o mês inteiro. Foi lindo. Ele me chamava de Dona Capilé. Passei uma época fazendo show com o balé Caroline, em cima de um caminhão, um palco que tinham montado. E ele chegou e me perguntou: ‘O dona, Capilé como a senhora faz para esses gurizinho ficar dançando atrás da senhora, que coisa bonita!’. Mas era eu que os acompanhava e não o contrário. Aquilo eu não esqueci nunca, era de uma simplicidade e de um deslumbramento com as coisas, muito lindo. Esse era o Bolinha. Com ele vai toda essa pureza e encantamento da música que ele trazia”.

Pescuma

“Ainda na sexta-feira passada fui à casa dele e almoçamos juntos. Combinamos de fazer um show ainda este ano. Toda vez que nos encontrávamos era uma festa. Minha parceria com o Mestre Bolinha foi rica e deixou um legado para o rasqueado. Por muitos anos tivemos Bolinha, Pescuma e o Grupo Ventrecha de Pacu. Com muito rasqueado, instrumental ou cantado. Foi nesta época que compusemos um dos maiores sucessos de nosso rasqueado: Cabeça de Boi (Cuiabá Cidade Verde), em que nos unimos ao também saudoso Mário França. Bolinha sempre foi um mestre para mim e para tantos outros. Mato Grosso perde um dos maiores artistas e instrumentistas de nossa história. Um ser humano que espalhava alegria e música por onde passava. Lembro de uma vez que o levei para conhecer minha família em Taubaté, terra do Mazzaropi. Bastou isso para eu ganhar o apelido de Mazzaropi. Ele era mestre dos apelidos, todo mundo da banda tinha o seu. Ríamos muito. O céu está em festa.

Henrique

Emocionado, Henrique quis usar a música para lembrá-lo. “Nossa homenagem está eternizada nessa música”:

Neurozito

O parceiro dos tempos de Jacildo e Seus Rapazes, o baixista Neurozito Barbosa, também ficou muito abalado. Neste ano, os dois estiveram juntos em comercial da Unimed que homenageava o amigo e a parceria deles, na banda Jacildo e Seus Rapazes, primeira banda de rock´n roll, a representante do iê-iê-iê mato-grossense: “Fui o único que ficou daquele grande grupo, estou muito triste com a partida de Bolinha”.

Fabrício Carvalho

“Tinha nos últimos momentos uma ligação muito forte. Trabalhamos juntos, pois o homenageamos no concerto Mato Grosso de Todos os Ritmos. Agora no dia 30 de abril ele fez a última apresentação pública dele.

Diversos amigos estiveram presentes para celebrá-lo. Ele estava muito alegre, aliás, essa era uma característica dele. O sorriso, a generosidade para ensinar, eram marcas dele indelével dele frente à banda Mestre Albertino na Escola Técnica. Carregando o nome do pai ele ensinou tanta gente que está hoje no mercado. E o Bolinha, Jacildo e Seus Rapazes encantou tanta gente na década de 50 e 60 e acho que foi um anjo na terra, só fez coisa boa, só inspirou, só alegrou. Me ensinou muito. Desde moleque acompanho China e Bolinha, dois mestres que eu tenho. É uma tristeza muito grande, mas sei que agora a energia dele está em outros palcos, reencontrando amigos, o pai, o China. Imagina a festa que está no céu!”

 

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorVocê é insubstituível
Próximo artigoExportação de carne bovina alcança o melhor resultado do ano

O LIVRE ADS