15 de abril de 2026 15:31
JudiciárioMato Grosso

Último a ser ouvido, Arcanjo é o único a falar e nega esquema

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Camilla Zeni

O ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, acusado de retomar a liderança da organização criminosa Colibri, que comandava os jogos de azar em Mato Grosso, passou por interrogatório na Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), na tarde desta quinta-feira (6), e negou seu envolvimento nos crimes.

Arcanjo chegou à sede da GCCO por volta de 13h40, de colete à prova de balas, e foi ouvido por mais de duas horas pelos delegados Luiz Henrique Damasceno e Juliana Chiquito Palhares. Da Colibri, ele foi o único a falar.

Segundo o advogado de Arcanjo, Zaid Arbid, o “momento” foi necessário para que o acusado pudesse esclarecer todos os pontos levantados pelas investigações da Polícia Civil. A defesa do ex-comendador também tornou a afirmar para a imprensa que Arcanjo não tem ligação com o jogo do bicho e que os delegados não possuem provas concretas contra seu cliente.

De acordo com o delegado titular da GCCO, Flávio Stringueta, durante seu depoimento, Arcanjo teria informado que, em seu estacionamento localizado na Avenida do CPA, ele apenas administrava sua empresa. O local foi alvo de busca e apreensão da Polícia Civil na manhã do dia 29 de maio, quando foi deflagrada a operação.

Em uma das empresas do prédio onde fica o estacionamento, a polícia encontrou planilhas e documentos relacionados ao jogo do bicho. Para o delegado, as provas apontam em direção contrária ao depoimento de Arcanjo.

“Isso é indício, sim, de que ele tinha conhecimento. O escritório dele ficava no mesmo prédio em que funcionava a central da Colibri, então não vejo como não relacioná-lo ao jogo do bicho”, frisou o delegado.

Conforme Stringueta, a Polícia Civil deve encaminhar nessa sexta-feira (7) o inquérito policial referente a operação. Os documentos serão analisados pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

A Operação

Deflagrada no dia 29 de maio para apurar esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais em Mato Grosso, por duas organizações, a operação recebeu o nome de Mantus, que, da mitologia etrusca, é conhecido como o Deus do azar, uma vez que chamava atenção de suas vítimas através de jogos, roubando, assim, suas almas.

A operação resultou no cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão e no pedido de prisão de 33 pessoas, sendo que 29 foram cumpridos. Entre os presos estão o próprio João Arcanjo Ribeiro, seu genro Giovanni Zem Rodrigues, e o empresário Frederico Muller Coutinho, que chefiava a organização Ello/FMC, principal concorrente do ex-comendador.

Giovanni Zem foi apontado pela investigação como líder da Colibri junto de Arcanjo, passou por interrogatório na terça-feira e permaneceu calado. Sua defesa, patrocinada pelo advogado Ulisses Rabaneda, já entrou com pedido para a liberdade do empresário.

Frederico Muller, por sua vez, foi interrogado na manhã de quarta-feira (5) e também se recusou a colaborar com a polícia.

Confira outros destaques sobre a Operação Mantus:

Funcionários de Arcanjo têm receio pelo histórico de violência, diz delegado

Funcionário de rival de Arcanjo delata esquema, mas líder fica em silêncio

Defesa nega liderança em esquema e pede liberdade para genro de Arcanjo 

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