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Funcionário de rival de Arcanjo delata esquema, mas líder fica em silêncio

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Camilla Zeni

Três pessoas foram interrogadas pela Delegacia Fazendária (Defaz), na manhã desta quarta-feira (5), a respeito do esquema de jogo do bicho e lavagem de dinheiro em Mato Grosso, apurado na Operação Mantus, deflagrada no dia 29 de maio. Desses, apenas um, apontado como o recolhedor dos valores arrecadados, confessou sua participação no caso e delatou o crime.

Apontado pelas investigações como líder da organização criminosa Ello/FMC, o empresário Frederico Muller Coutinho também foi levado para prestar depoimento, mas preferiu manter-se calado. Na saída, ele também negou dar esclarecimentos à imprensa.

De acordo com o delegado Luiz Henrique Damasceno, que coordena da operação, Frederico teria informado que deverá se posicionar apenas na Justiça “em razão da complexidade dos fatos”.

Nesta manhã, passaram por interrogatório, além do líder da organização, Eduardo Coutinho Gomes, apontado como suporte operacional, e Edson Nobuo Ybumoto, que seria gerente das operações em Tangará da Serra (240 km de Cuiabá) e delatou o esquema.

[featured_paragraph]”Ele não trouxe nada de novidade além daquilo que nós já tínhamos, apenas corroborou. Ele citou a participação de todos que ele tinha acesso na organização. Ele não tinha acesso direto, mas ele confirma Frederico como líder”, informou o delegado.[/featured_paragraph]

Ainda conforme o delegado, Edson teria informado, por exemplo, que, em Tangará da Serra, a organização Colibri, chefiada pelo ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, tinha mais força. Por isso o recolhimento era baixo.

De acordo com o delegado Flávio Henrique Stringueta, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o recolhedor recebia, em média, R$ 2 mil pelo trabalho na organização criminosa.

Investigações da Polícia Civil apontaram que a Ello/FMC atuava com o esquema de jogos ilegais em Mato Grosso há pelo menos dois anos. Apesar de ser citada como a principal concorrente da Colibri, os “negócios” ainda estavam em expansão para o interior do estado.

O caso ficou evidenciado quando um dos funcionários de Frederico, identificado como Fábio Plitz, tentou expandir o esquema para o município de Juara. No entanto, ele teria sido sequestrado e sofrido extorsão por membros da organização de João Arcanjo Ribeiro, que chegaram a avisar que “Mato Grosso tem dono”.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Depois do depoimento desta quarta-feira, os presos foram levados de volta ao Centro de Custódia da Capital, onde permanecem desde a deflagração da operação, no dia 29 de maio. Chefe e funcionário retornaram no mesmo carro.

Oitivas

Desde a quinta-feira (30), todos os 33 alvos da Operação Mantus tem prestado depoimento à Polícia Civil.

Na tarde de terça-feira (4), foi interrogado pela GCCO o genro de João Arcanjo Ribeiro, o empresário Giovanni Zem Rodrigues. No entanto, ele também preferiu manter-se em silêncio, por orientação do advogado Ulisses Rabaneda. Segundo a defesa do empresário, a equipe ainda não teve acesso a todos os documentos da operação, mas já protocolou um pedido de liberdade junto à Justiça.

O ex-comendador João Arcanjo Ribeiro deverá ser ouvido na tarde de quinta-feira (6), a partir das 14h, na GCCO.

Confira outros destaques sobre a Operação Mantus:

Defesa nega liderança em esquema e pede liberdade para genro de Arcanjo 

Membro de organização rival de Arcanjo confessa participação e delata esquema 

Defesa de gerente da Colibri diz que faltam provas sobre esquema de jogos

Membros de organização se chatearam com chefe que “retirava dinheiro demais”

Dinheiro na casa de Arcanjo era lícito e de recebimento de terceiros, diz advogado

Homens de Arcanjo teriam dito que “Mato Grosso tem dono” a rival sequestrado

Saiba quem é quem na organização que levou Arcanjo de volta à prisão

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