“Mato Grosso tem dono”. Esse teria sido o recado que dois “capangas” do ex-comendador João Arcanjo Ribeiro teriam dado para o membro de uma organização criminosa rival, a Ello/FMC, comandada pelo empresário Frederico Muller Coutinho, quando ele tentava implantar o jogo do bicho por outra “empresa” no interior do Estado.
A informação consta na decisão judicial que autorizou as ações da Operação Mantus, deflagrada na quarta-feira (29).
Conforme o documento, um homem chamado Fábio teria ido até a cidade de Juara (700 km de Cuiabá), em julho de 2018, com o intuito de implantar o jogo do bicho pela empresa Ello/FMC, que havia recém-iniciado suas operações em Cuiabá.
No dia 16 daquele mês, Fábio se instalou em um hotel e, logo depois, foi abordado por duas pessoas, que se passaram por policiais. Segundo revelou, eles o colocaram no banco traseiro de um veículo algemado e repetiam, a todo momento: “Mato Grosso tinha dono”.
O próprio membro da organização criminosa rival reconheceu que, no Estado, reinava a “Colibri Loterias”, propriedade de Arcanjo. Ele ainda revelou que os supostos policiais perguntavam a todo momento sobre “as máquinas de jogo do bicho”, que acabaram sendo entregues.
Ao revelar o caso para a polícia, Fábio afirmou conhecer “Mariano”, que trabalhava com o ex-comendador. Segundo ele, o homem teria passado em frente ao seu hotel e o encarado “com um olhar intimidador”.
Para o homem, as duas pessoas que o sequestraram na porta de seu hotel seriam “funcionários” de Mariano, uma vez que era ele quem comandava a exploração dos jogos de azar em Sinop (500 km de Cuiabá).
De acordo com a Polícia Civil, o caso é considerado extorsão mediante sequestro, uma vez que a vítima, Fábio, entregou seus bens, ou seja, as máquinas de jogo do bicho.
“A imputação poderá decorrer da posição de liderança de Arcanjo, com base na teoria do domínio da organização, embora os atos executórios tenham sido coordenados diretamente pelo seu subordinado”, diz trecho do documento.
Conforme informou a Polícia Civil, Mariano é um dos presos na operação desta semana.
Operação
Deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) em conjunto com a Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz), a operação tinha o objetivo de prender duas supostas organizações criminosas envolvidas com lavagem de dinheiro e com a contravenção penal denominada “Jogo do Bicho”.
Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de prisão preventiva, em Cuiabá, cidades do interior de Mato Grosso e em Guarulhos (SP), e outros 30 mandados de busca e apreensão. As autorizações foram concedidas pelo juiz da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu Rodrigues.
Até o final da tarde de quinta-feira, cerca de 20 pessoas tinham passado por audiência de custódia.
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