Secretário se estressa, cobra atitude da polícia e acaba acusado de injúria

A situação já gerou uma ação judicial, um boletim de ocorrência e um ofício encaminhado à Câmara Municipal de Poconé

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Policiais militares de Poconé acusam o secretário de Desenvolvimento Econômico e Urbano da cidade, José Joadir do Amaral Júnior, de ter cometido injúria e difamação contra o soldado Ferreira e o 3ª sargento Antônio Rodrigues. Ambos atuam na 6ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) do município.

A situação já gerou uma ação judicial, um boletim de ocorrência e um ofício encaminhado pela CIPM à Câmara Municipal.

Ao LIVRE o secretário disse que tudo começou porque ele exigiu que a PM “cumprisse seu papel” e atendesse aos chamados feitos pela população.

Popular em grupos de WhatsApp, Amaral começou a receber reclamações diretamente dos moradores em seu celular. E, segundo ele, sempre orientava que ligassem para a Polícia Militar quando as queixas eram relacionadas à aglomeração de pessoas ou som alto.

O secretário, então, cansado de repetir sempre a mesma coisa, resolveu ligar diretamente para a base da PM no município e exigir uma atitude.

“Em um domingo, o pessoal me cobrando e me ligando, eu liguei para os policiais. De fato, eu fui inicialmente grosso com o policial. Até pedi desculpas para eles pela forma como o tratei”, admite.

Satisfação

Vinte minutos depois, Amaral recebeu a ligação do sargento Rodrigues. “Ele me ligou e começou a falar meio grosso comigo: [perguntou] quem eu era para ligar e desafiar o policial? Eu falei: ’em primeiro lugar, eu liguei para ele como secretário e não como pessoa! Inclusive, eu já até pedi desculpas para ele [o soldado que atendeu]'”.

Amaral afirma que o sargento respondeu que ele deveria aprender a respeitar. Quando ouviu isso, o secretário, mais uma vez, saiu do sério e reconhece que afirmou: “quer saber de uma coisa? Vai trabalhar, deixa eu fazer minha parte e você faz a sua”.

O secretário ainda continuou a discussão, afirmando que a PM estava sob a jurisprudência do município e que a instituição deveria atender às necessidades da comunidade.

(Foto: Secom)

A PM então ignorou o secretário e registrou um boletim de ocorrência em que o acusa de calúnia e difamação. Além disso, enviou ofício à Câmara Municipal, pedindo que investigue a conduta do secretário. O ofício foi lido em sessão ordinária realizada nesta terça-feira (4).

No documento, a Corporação afirma que não tem percebido alterações significativas na sede do município e nem nas comunidades rurais que justifique reforço da atividade policial, conforme alega o secretário.

“Aproveito para informar que este comandante encaminha tais informações ao prefeito municipal de Poconé, solicitando abertura de processo administrativo para apurar a conduta do representante municipal, bem como cópias ao Ministério Público Estadual, instituição responsável pela defesa da ordem pública e dos interesses sociais e individuais”, ressaltou o major da PM Matheus Beiphman, enquanto comandante substituto da 6ª CIPM.

População insatisfeita

Ao LIVRE, o proprietário de uma mercearia em Poconé, que pediu para não ser identificado, confirma a versão do secretário Amaral.

Ele contou que há cerca de dois meses seu estabelecimento foi assaltado. Na ocasião, uma vizinha percebeu a movimentação dos assaltantes e ligou para a PM , mas os policiais não teriam aparecido.

Uma moradora, que também não será identificada pela reportagem, manifestou nas redes sociais indignação com a situação.

“Esses policiais daqui não fazem nada. Se tem uma ocorrência, não vão. Só ficam na porta de garimpos. Tá (sic) na hora da gente unir e pedir pra trocar todos. Eles só mostram serviço junto da força tática, aí sim querem aparecer”.

Ação judicial

Em uma ação judicial, a Procuradoria do Município também narrar o deficit policial em Poconé, mas, apesar de argumentar que a situação já estava gerando “hostilidades”, limitou-se a pedir o cumprimento de acordo feito entre o Estado e a Prefeitura. Um termo que garantia segurança reforçada para fazer cumprir determinações feitas pelo município no combate à pandemia do novo coronavírus.

O juízo da Vara de Fazenda Pública de Várzea Grande resolveu a questão oficiando o comando da PM para verificar a situação.

O que diz a PM?

O LIVRE entrou em contato com a PM de Poconé, mas não obteve respostas até o momento. A assessoria de imprensa da Polícia Militar de Mato Grosso também foi acionada.

O espaço segue aberto para manifestações.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Mato Grosso é esse lugar único na face da terra onde o confinado público não pode ser incomodado, não pode ser cobrado. Ele não é o servidor, ele é servido pela população – que tem a obrigação de pagar seu salário, e só : não tem atendimento quando precisa, não tem saúde, educação, segurança, nada. É não pode dar um tiro no meio da cara do bandido, porque vai preso. O bandido é aquela entidade santa e sobrenatural que não pode ser incomodada também.

  2. Itanhaém – SP não é diferente.
    A PM por aqui tem seu “modus operandi” conforme a cara do cliente.
    Liga para o 190 a equipe de dois, o ruim e o pior, eles demoram e quando chegam, estão mais preocupados em ferrar com você.
    Aqui resolvemos esse problema, nunca chamem a PM se você estiver sozinha, sempre duas ou mais pessoas.
    Gravem toda a ocorrência, faça os brutos perceberem que estão sendo observados e filmados.
    Afinal, você não é o meliante, FOI VOCÊ QUE SOLICITOU A PM.
    Cuidado com a PM, leiam sempre assuntos relacionados a eles.

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