Rogers x Feldner: briga por nota em curso e remoção teriam motivado “ódio”

O ex-secretário também dedicou um capítulo de sua defesa para detalhar seu relacionamento com a delegada Ana Cristina Feldner

Felder e Strigueta comandavam as investigações dos grampos ilegais em MT Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Assim como ao delegado Flávio Stringueta, o ex-secretário de Estado de Segurança Pública Rogers Jarbas também dedicou um capítulo de sua defesa contra as acusações referentes ao caso das escutas telefônicas clandestinas, conhecido como Grampolândia Pantaneira, para detalhar sua relação com a delegada Ana Cristina Feldner. Ela substituiu Stringueta nas investigações do esquema antes que os autos fossem remetidos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No documento, obtido com exclusividade pelo LIVRE, ao falar de sua relação com Ana Cristina Feldner, o ex-secretário retrocede ainda mais no tempo do que fez com Stringueta. Ele inicia sua história contando uma situação envolvendo os dois que supostamente teria ocorrido em 2007, durante o curso de formação de delegados de polícia. Segundo ele, um desentendimento por notas teria sido o pontapé para o “ódio” da delegada.

Ao fim do curso, por sua vez, ele acabou sendo designado para atuar em Cáceres (200 km de Cuiabá) e ela ficou na capital, cidade para a qual Rogers se mudou somente em 2016, para a assumir o comando da Secretaria de Estado de Segurança Público (SESP). Ele, então, passou a ser vizinho da delegada em um condomínio de luxo.

No começo, a relação entre os dois teria transcorrido dentro da normalidade e ele diz que chegou a pensar que o episódio da nota tinha sido esquecido por ela. No fim de 2016, contudo, ao saber que seria removida da Delegacia do Consumidor (Decon), ela o teria procurado “desesperada” e, a partir daí, teria começado o problema.

Assim como quando Stringueta o procurou, o ex-secretário alega ter dito que não poderia fazer nada, pois não seria ético. Ana Cristina, então, teria mudado a “postura de insistência” e dito que queria ficar somente até concluir uma grande investigação, que estava em andamento há quase dois anos e ensejaria uma grande operação policial.

“Eu disse, então, que ia ver o que era possível fazer”. Ao entrar em contrato com o delegado-geral Rogério Modeli, no entanto, Rogers diz que soube que a Delegacia do Consumidor estava com mais de 800 inquéritos parados e que Ana Cristina mal aparecia para trabalhar.

“Então eu disse ao delegado-geral que não tinha intenção de interferir na decisão, mas queria externar o desejo de Ana Cristina concluir as investigações. Ele concordou e disse que comunicaria ao diretor metropolitano para tomar todas as providencias. Liguei pra ela e contei e ela disse, de forma ríspida, que não queria a investigação se não fosse ficar na Decon e que seu substituto que se virasse”. Depois disso, ela teria mudado totalmente com o ex-secretário.

Segundo Rogers, ao assumir as investigações dos grampos, Ana Cristina Feldner representou pela imposição das medidas cautelares, as quais está submetido, sem se aprofundar no caso, utilizando como fundamento diversos fatos que ela própria teria admitido que não tinham sido esclarecidos.

“Cerca de sete dias depois, baseada única e exclusivamente nas oitivas – três ao todo, sendo uma filmada, outra gravada apenas áudio e outra escrita – do tenente-coronel José Henrique Costa Soares (a quem classificou como testemunha mesmo sendo o algoz de gravações ilegais envolvendo o desembargador Orlando Perri), Ana Cristina Feldner e o coronel Jorge Catarino Moraes Ribeiro, presidente do IPM que apurava os grampos ilegais praticados, em tese, por militares estaduais de Mato Grosso, pessoa com quem Ana Cristina Feldner, segundo alguns investigados, mantinha relação amorosa, representou pelas prisões deste subscritor, do Maj PM Michel Ferronato e de outros investigados, as quais, sem qualquer manifestação do Ministério Público, foram rapidamente decretadas pelo desembargador Orlando Perri, ensejando, posteriormente, na operação Esdras”, sustenta o ex-secretário.

O suposto caso entre Ana Cristina Feldner e o tenente-coronel José Henrique Costa Soares é apontado por Rogers como ponto inicial para o “descortinamento” do que chama de “trama maquiavélica” construída pelos dois e pelo também delegado de polícia Flávio Stringueta.

O ex-secretário, que também foi afastado do cargo de delegado, foi preso com a deflagração da Operação Esdras, sob a acusação de que estaria usando seu cargo e influência para interferir nas investigações. Posto em liberdade, ele cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça, tais como uso de tornozeleira eletrônica.

Outro lado

O LIVRE tentou entrar em contato com a delegada Ana Cristina Feldner por telefone e por meio da assessoria de imprensa da Polícia Judiciária Civil (PSC), mas não obteve retorno até o momento. O espaço continua aberto para manifestações.

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