Rogers, sobre Stringueta: “delegado queria atingir Pedro Taques”

O ex-secretário dedicou um capítulos para detalhar seu relacionamento com o delegado Flávio Stringueta

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Atingir a mim, para Flávio Stringueta, significaria atingir Pedro Taques”. Assegurando que tudo que pesa contra ele nas investigações referentes ao caso das escutas telefônicas clandestinas, conhecido como Grampolândia Pantaneira, não passa de perseguição, o ex-secretário de Estado de Segurança Pública Rogers Jarbas dedicou um dos nove capítulos de sua defesa para detalhar sua relação com o delegado Flávio Stringueta.

No documento, obtido com exclusividade pelo LIVRE, Rogers diz que o gatilho para seu problema com Stringueta,um dos responsáveis pela condução dos trabalhos investigativos dos grampos, foi disparado em 2016, quando o delegado teria posto seu cargo de diretor de Atividades Especiais da Polícia Judiciária Civil (PJC) à disposição. Stringueta, segundo Rogers, teria se irritado com um pedido do então secretário de Estado de Segurança Pública, Fábio Galindo, para que a Pasta fosse comunicada das operações da PJC antes da deflagração

Logo após a exoneração de Stringueta do cargo, o diretor-geral da PJC à época, Adriano Peralta, teria dado início às tentativas de remoção do delegado do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCCO). O argumento seria de que problemas pessoais enfrentados por ele estariam refletindo negativamente em seu trabalho.

A remoção, por sua vez, só teria sido concretizada na gestão de Fernando Vasco, em abril de 2017, quando Rogers já tinha assumido o comando da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp). Conforme o ex-secretário, ao saber da remoção Stringueta teria pedido que ele interviesse na decisão, mas teria respondido que não cabia ao secretário da Sesp interferir na gestão da PJC. A partir daí, de acordo com Jarbas, teria passado a ser tratado como “inimigo” pelo delegado.

Além disso, de acordo com Rogers, tudo teria piorado depois que Stringueta e as delegadas Alana Cardoso e Alessandra Saturnino passaram a ser investigados pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, em processos que apuravam a suposta ocorrência de “barriga de aluguel” (escutas ilegais) e “história cobertura” (ligação anônima de um orelhão) em operações deflagradas por eles: a Forte, Pequi e Querubim.

O ex-secretário relata que, logo após serem processados, Stringueta divulgou que estava se afastando das investigações da “Grampolândia Pantaneira” por problemas incuráveis de saúde e indicou Ana Cristina Feldner como sua substituta. Pouco antes da deflagração da Operação Esdras – que resultou na prisão de Rogers – entretanto, o delegado teria solicitado que a restrição médica fosse revisada, pois desejava voltar a trabalhar imediatamente.

“Ou seja, o que era incurável acabou sendo curado por vontade do ‘enfermo’, pois, na verdade, o que ele desejava era demonstrar que sua vingança trazia frutos, tendo ingressado [na Sesp] com um sorriso estampado no rosto”, comenta Rogers Jarbas, em trecho de sua defesa.

Ainda de acordo com ele, Stringueta confeccionou o relatório que subsidiou a aplicação de medidas cautelares às quais está submetido, quando estava afastado do cargo. O pedido de restrição à liberdade do ex-secretário foi formalizado ao desembargador-relador do caso no Tribunal de Justiça, Orlando Perri, por Ana Cristina Feldner, que já estava à frente dos trabalhos.

“Sem entrar no mérito da responsabilização, sua atuação nos inquéritos é ilegal porque atos praticados por ele são objeto de apuração no mesmo inquérito. Incontestável e manifesto, portanto, que a atuação do delegado Flávio Stringueta como autoridade policial nos procedimentos investigatórios em comento constitui afronta ao rol de direitos e garantias fundamentais assegurados pela Constituição Federal, seja pela figuração de seus atos como objeto da investigação, seja pelo seu auto-posicionamento como vítima dos atos praticados pelo requerente, seja pela inimizade manifesta e amplamente externada em relação ao subscritor”, sustenta.

Rogers, que também foi afastado do cargo de delegado, foi preso com a deflagração da Operação Esdras, sob a acusação de que estaria usando seu cargo e influência para interferir nas investigações. Posto em liberdade, ele cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça, tais como o uso de tornozeleira eletrônica.

Outro lado

Ao LIVRE, o delegado Flávio Stringueta declarou que se defender é um direito do ex-secretário e que não tinha interesse em saber o que ele havia argumentado. “Nada do que nós fizemos foi considerado nulo. O Rogers sequer conseguiu habeas corpus da prisão dele, foi solto porque o STJ deixou o prazo das prisões transcorrer um pouco a mais, então não quero nem saber qual é a defesa dele”.

Segundo Stringueta, o ex-secretário está atacando a pessoa errada. “Em nenhum momento eu assinei qualquer documento das investigações do Rogers, quem investigou não fui eu. Nenhum inquérito dele eu presidi, fiz algum ato de investigação. Isso é desespero de quem está se defendendo. As coisas que ele andou dizendo já contra mim em depoimento que ele prestou já está na justiça para ele responder. A pessoa quando não tem como se defender, ela ataca, quando não tem argumento, ataca o investigador”.

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