Réu confesso e delator, Silval Barbosa tenta constranger servidor em entrevista

Arquiteto desmente Barbosa e diz que não assinou nenhum estudo de viabilidade no governo dele

O ex-governador de Mato grosso Silval Barbosa entrou ao vivo em um programa jornalístico na Rádio Conti, conduzido por Lino Rossi, na noite dessa quinta-feira (14), e deixou o arquiteto e mestre em transportes Rafael Detoni em uma verdadeira “saia justa”.

Ao vivo e via telefone, o ex-governador, que confessou ter recebido propina proveniente da obra do VLT, falou que estava surpreso com a fala do arquiteto, que defendia a mudança do modal VLT para o BRT. Na fala, Detoni explicava os motivos da decisão governamental e se posicionava favorável à troca.

Segundo Barbosa, o objetivo da intervenção dele não era questionar a mudança do modal porque isso dizia respeito apenas ao governo, mas a fala de Detoni, que esteve presente e acompanhou todos os estudos usados na escolha do VLT.

Vale lembrar que naquela época o arquiteto integrava a Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa-MT) , contudo ele assegura que não participou da elaboração de nenhum estudo – veja versão de Detoni abaixo.

“Eu estou morando aqui em São José do Rio Preto e eu ouço a Conti ao vivo. Hoje, eu estranhei uma entrevista que saindo ao vivo com Rafael Detoni. Primeiro, eu não quero discutir a mudança porque é um decisão de governo e baseada em dados técnicos da equipe que está aí”, afirmou.

“O que me estranha é que o Rafael Detoni é um grande técnico e foi enquanto serviu meu governo na Secopa. E todas as decisões que eu tomei foram baseadas em estudos que ele participou. Tanto que todos os pareceres de viabilidade que estão no Ministério das Cidades, ele assinou”, argumenta.

Veja participação do ex-governador na íntegra:

Corrupção e VLT

A construção do VLT foi iniciada em 2012, na gestão de Silval Barbosa, e a obra estava incluída no pacote de melhorias para a Copa do Mundo de 2014.

No decorrer do andamento, várias denúncias de irregularidades foram noticiadas e levaram Barbosa a ser condenado na Justiça por corrupção.

A obra ficou paralisada por anos, já consumiu quase todo dinheiro previsto, porém muito pouco foi executado. Conforme o governo do Estado, um balanço atual aponta que dos R$ 1.477.617.277,15 previstos, R$ 1.066.132.266,11 já saíram dos cofres públicos.

Estudo realizado na gestão atual, a de Mauro Mendes, apontam ainda que seria necessários mais R$ 763.374.124,25 para a conclusão. Enquanto para o BR, o valor seria de R$ 333.659.254,04.

A história não é bem assim, afirma Detoni

O arquiteto relata que a afirmação de Silval Barbosa é mentirosa e que ele não atuou nos estudos de viabilidade para implantação do VLT. Ele conta que é concursado na Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Cuiabá e que foi solicitado pelo governo do Estado, em 2008, quando a capital mato-grossense era candidata a sede da Copa do Mundo.

Naquela época, a função dele era criar um plano de mobilidade para as cidades de Cuiabá e Várzea Grande. Como tinha participado do primeiro projeto integrador das duas cidades, em 1998, ele resgatou o trabalho.

Nele continha, entre as ações de médio e longo prazos, a construção de um corredor de transporte, no caso o BRT.

Contudo, depois de Cuiabá eleita entre as sedes, em 2011 o presidente da Secopa, Eder Moraes, e o governador Silval Barbosa, optaram por mudar o modal após uma viagem para a Europa.

Silval procurou o Ministério das Cidades para mudar a matriz de responsabilidade e o órgão encaminhou uma série de questionamentos de ordem econômica e técnica para complementar o pedido.

Nesse momento, Detoni ficou responsável por responder a parte técnica que envolvia perguntas como a quantidade de usuários do transporte, as linhas e demais esclarecimentos sobre o modelo usado.

Depois disso, foi chamado em uma sala e Eder Moraes apresentou um estudo que havia sido contratado por ele de uma empresa portuguesa, chamada Fer Consult.

“Eu não fiz o estudo, apenas tive contato porque Moraes queria que eu fizesse o projeto de adaptação do BRT para VLT. A parte técnica. E foi essa a minha participação no projeto. O governador e o secretário determinaram que devia ser feito”, afirma.

Depois de fazer o projeto-base para a licitação, Detoni foi encaminhado para outra função, a de fazer o plano operacional de trânsito para os dias de jogos e não teve mais nenhuma atuação no VLT.

Outra mentira apontada pelo governador, explica Detoni, foi a ida dele para o Rio de Janeiro nas Olimpíadas. Ele conta que não foi contratado por conta do trabalho no VLT e sim no plano operacional para os dias de evento.

Ele atuou nesta parte do processo e acabou acompanhando a construção do VLT do Rio de Janeiro porque precisava dialogar com todos os modais para planejar o trânsito durante os jogos.

Depois, ele voltou para Mato Grosso, onde foi convidado a participar na retomada do VLT durante a gestão do governo Pedro Taques, sem sucesso.

E, agora, ele e os técnicos da Sinfra realmente fizeram um estudo próprio e Detoni realmente assinou o trabalho.

“Sou técnico. Apresento os pontos favoráveis e os riscos. Apenas isso. E, é muito desagradável este tipo de situação que passei porque vivo do meu trabalho técnico e não de partido político ou indicações”, finaliza.

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