Profissionais da saúde relatam experiência de atuar na pandemia e torcem por um ano melhor

De março a maio de 2021 foi a fase mais difícil para os trabalhadores, que perderam colegas e precisavam lidar também com a dor dos familiares de luto

Após passarem pelo primeiro baque de lidar com a pandemia do coronavírus em 2020, os profissionais da saúde da rede pública da Capital se mantiveram firmes frente ao desafio de lutar contra as novas ondas de casos da covid-19 em 2021. Para o novo ano, esses trabalhadores torcem para que a situação se normalize para a sociedade voltar à rotina.

Em Cuiabá, desde o início da pandemia, 134.211 registros da doença foram contabilizados até 30 de dezembro, sendo 114.702 em residentes da Capital. Até o início deste mês, 9.742 pessoas precisaram ser internadas, 3.688 delas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e 2.605 passaram pelo procedimento de intubação. O antigo pronto-socorro da Capital se tornou o Hospital Referência e, ali, 1.856 pessoas foram internadas e ao menos 1.028 tiveram alta.

A assistente social da unidade hospitalar, Flávia Tereza do Nascimento, acompanhou grande parte desses pacientes e relata que 2021 foi mais difícil do que 2020, quando houve uma nova onda de casos. Inclusive, a profissional elenca que perder colegas de trabalho foi um dos momentos mais complicados pelos quais passou ali dentro.

“Ficávamos preocupados em perder outras pessoas e também com muito receio de nos contaminarmos e aos nossos familiares”, comenta.

Esses momentos de perda mexeram muito com Marden Lima, psicólogo hospitalar. O profissional relata que em alguns dias foram 12 óbitos no plantão e ao comunicar isso para a família dos pacientes as reações eram diversas.

“Algumas pessoas desmaiavam, outras queriam depredar e culpavam o hospital pela morte, não aceitavam aquela perda”, conta. “No auge da pandemia, em março, abril, às vezes eram três ou quatro famílias recebendo a notícia ao mesmo tempo. Era muito difícil”, lamenta.

Emoção à flor da pele

Porém, em meio à tensão, foi possível ainda vivenciar momentos especiais. Marden relembra que teve casos de paciente que passou muito tempo internado em UTI, como o de uma pessoa que ficou 40 dias no leito intensivo, 20 deles intubada, mas conseguiu se recuperar.

Flávia trabalha na unidade há 5 anos (Foto: Acervo pessoal)

Já a assistente social Flávia relata uma das histórias comoventes que presenciou. Um paciente que estava internado e sofreu sequelas por conta da covid-19 conseguiu alta. Ao ouvir a voz da esposa, o homem ficou bastante emocionado.

“Tivemos muitos momentos que nos entristeceram e outros que nos renovaram a esperança, nos ajudam a seguir em frente”, sintetiza a profissional.

Esperança por dias melhores

Marden defende que as pessoas precisam se vacinar para que o cenário pandêmico seja revertido (Foto: Divulgação / Secom Cuiabá)

Com a chegada do novo ano, há a expectativa que boas notícias se propaguem e a vida consiga se normalizar. Marden defende que é preciso que as pessoas se vacinem para evitar a propagação do vírus e, assim, a covid-19 consiga ser controlada.

Flávia frisa que a pandemia ainda não acabou, mas avalia que as equipes estão mais preparadas para lidar com situações mais graves. “Não sabemos como serão os próximos dias, mas estamos melhor preparados agora. Porém, esperamos que venham dias melhores”, torce.

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