Preços em alta: fogo destrói sítios e desabastece Cuiabá

Agricultura familiar está ameaçada pelas chamas que duram semanas no entorno de Cuiabá

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Alguns produtos estão com o abastecimento comprometido e outros tendem a encarecer devido aos incêndios que tomam conta das regiões no entorno de Cuiabá. Em alguns casos, como da mandioca e do chuchu, a saca de 20 quilos já está custando o dobro.

Carlos Alberto Souza Ferreira, 34, é produtor de mandioca e disse que não tem mais nada para ser colhido. A fazenda dele foi tomada pelo fogo e das 150 sacas que deveriam ser entregues na quarta-feira (11), apenas 90 chegaram às mãos dos clientes.

Desde então, não há o que vender e todas as encomendas serão suspensas.

Por causa da escassez, os preços já começaram a subir. Há duas semana, uma saca de mandioca era comercializada a R$ 30. Agora, custa R$ 60.

“Quem ainda tem alguma coisa está segurando para ver se consegue mais pelo produto”.

Ferreira tem dois sítios, um em Chapada dos Guimarães e outro na Agrovila das Palmeiras. Ambos foram atingidos pelas chamas.

Nas comunidades, os vizinhos tiveram o mesmo problema, o que trouxe prejuízos econômicos ainda não calculados.

Alguns produtos chegam com dificuldade ao Centro de Distribuição de Cuiabá  (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Colonos brigadista

Em algumas localidades, os próprios sitiantes precisaram se unir para tentar proteger as áreas. Foi assim na região do Rio dos Peixes, em Chapada dos Guimarães.

O piscicultor Francisco Neto da Silva conta que atuou no combate as chamas na terça-feira (10) e, junto com os vizinhos, conseguiu salvar três sítios.

Após o trabalho intenso durante a madrugada, eles perceberam que os contatos por telefone e internet ficaram interrompidos.

“Muitos clientes entraram em contato, mas eu não tive condições de atendê-los. Tinha que anotar os pedidos para entregar hoje [quarta-feira]. A situação é ruim porque eles estão acostumados com o compromisso da entrega”.

Atrasos diários

O atacadista José Gomes relata que a redução da produção começa a aparecer e que os comerciantes estão comprando os alimentos fora do Estado para não haver um desabastecimento.

João Gomes diz que caminhões chegam a atrasar 2 horas por causa da fumaça na estrada (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Sendo assim, o problema a ser enfrentado é o preço e os atrasos no fornecimento.

Hoje, motoristas ficam até duas horas esperando na pista para seguir caminho, por conta da fumaça. O nevoeiro é forte e em alguns casos não há condições de seguir viagem com o mínimo de segurança.

De acordo com o comerciante, os impactos podem aparecer nas verduras regionais, como é o caso da abobrinha, chuchu, jiló, berinjela, pimentão e pimenta do reino.

Combate ao fogo

Conforme informações do Corpo de Bombeiros, 18 militares estão atuando em Chapada dos Guimarães, na região do Florada.

Um dos pontos mais graves é o Parque Estadual Cabeceiras do Rio Cuiabá (Divulgação/Corpo de Bombeiros)

Já em Santo Antônio de Leverger, o fogo está próximo ao Parque Estadual das Águas Quentes.

Em Poconé, os trabalhos estão concentrados na região do Posto 120, onde existem muitas fazendas.

Também há frentes no Parque Estadual Cabeceiras do Rio Cuiabá. Este é um dos casos mais graves e gerou o fechamento do Sesc Serra Azul.

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