O xeque-mate caminha rápido para as etapas finais

O jogo continua com lances acontecendo de forma rápida e assertiva. Aqueles que já perceberam as estratégias e objetivos finais estão se precavendo. Sabem que a Torre, o Bispo e o Cavalo jogam juntos com a Rainha para dar xeque-mate no Rei. Assim, tomar medidas acautelatórias é essencial a sobrevivência no jogo.

Tirar “oxigênio” do Bispo, para minar a sua dinâmica de movimentação, é uma das estratégias de um dos jogadores. Em 01/10/19 foi divulgado que ocorreu uma busca por documentos e dispositivos eletrônicos, indo ao coração financeiro do Vaticano – vide. À partir de “denúncias”, sobre atividades do chamado Banco do Vaticano, os promotores agiram – vide. A análise do “achado” se juntará a outras evidências.

O Cavalo tem sido chamado ao movimento preventivo. A raivosa polarização política nos EUA, agravada pelo pedido de impeachment de Trump, levaram o jogo local a um ponto de não retorno. As consequências são inexoráveis. Na segunda-feira passada (07/10/19) houve uma reunião na Casa Branca com portas fechadas. Alguns especulavam que o assunto era o ataque da Turquia aos curdos no norte da Síria. Todavia, fontes qualificadas o tema era outro. Na mesa a diretiva 550/19 que aborda a convocação de unidades de reserva do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA para atender pedidos de apoio e defesa de autoridades civis, assinada em 3 de outubro de 2019 pelo Brigadeiro-General Daniel L. Shipley. As unidades em serviço ativo já possuem atribuições similares, sendo que agora poderão se juntar a elas grandes contingentes de reservistas.

É dito na diretiva 550/19 que ela visa “…. ativação de fuzileiros navais do componente de reserva (RC) sob §12304a, título 10, código dos EUA, após uma solicitação de assistência federal em resposta a um grande desastre ou emergência nos Estados Unidos. Os pedidos de assistência federal virão com pouco aviso. Conforme necessário, o Corpo de Fuzileiros Navais deve mobilizar rapidamente as unidades e o pessoal de RC da IAW neste MARADMIN para responder às ameaças na Pátria.”. Cabe salientar três passagens elucidativas, a saber: “emergência nos Estados Unidos”, “virão com pouco aviso” e “responder às ameaças na Pátria”, o que denota algo que acontecerá de forma rápida e dentro dos EUA. Importa dedicar especial atenção aos itens 2.B.2, 4.C.3 e 4.C.6 da diretiva militar. Cabe enfatizar que a diretiva também faz alusão aos reservistas das demais forças, Marinha, Exército e Força Aérea – vide.

No artigo da série Xeque-mate intitulado “O xeque-mate antecipa o contra-ataque”, publicado em 05/08/19, eu já havia informado que o Presidente Trump assinou no dia 20/12/17 uma Ordem Executiva, entrando em vigor as 00:00hrs do dia 21/12/17, declarando Estado de Emergência Nacional nos EUA, não tendo sido revogada – vide e vide. Esta nova diretriz do dia 03/10/19 parece complementar as medidas dos EUA para lidar com o Xeque-mate, conforme narrei no artigo citado. Tem-se falado num tal muito importante dia 19. Vamos aguardar.

A Torre não para um minuto. Os sinais da recessão que se avizinha já estão por toda parte. A nova diretora do FMI, a búlgara Kristalina Georgieva, informou que a instituição já está revendo os seus números, inclusive revisando as projeções ainda deste ano e para 2020. Ela avisa: “Nossas novas análises mostram que, se ocorrer uma grande desaceleração, a dívida corporativa em risco de inadimplência pode subir para US$ 19 trilhões, ou quase 40% da dívida total em oito grandes economias. Isso está acima dos níveis observados durante a crise financeira”. A preocupação é evidente – vide.

Os efeitos práticos desta perspectiva que se consolida foi a queda das bolsas de valores no dia 02/10/19, que foi noticiada com o seguinte título por um jornal de grande circulação: “Temores de recessão global derrubam bolsas pelo mundo nesta quarta-feira” – vide. Esta possibilidade concreta de recessão tem se tornado amplamente discutida, com a BBC inclusive associando isso a subida do preço do ouro – vide.

Para se proteger destes cenários, e seguindo o caminho que já informamos em artigos anteriores, a China continua seu processo de desdolarização e compra de ouro. O país adicionou mais de 100 toneladas de ouro às suas reservas, de dezembro de 2018 para cá, conforme informou a Bloomberg em matéria do dia 06/10/19 – vide. O gráfico abaixo mostra de forma inequívoca a pressa dos chineses em realizar a aquisição de ouro em grandes quantidades:

Segundo a citada matéria acima a China não está sozinha neste movimento. A Bloomberg informa: “Juntamente com a China, a Rússia também vem adicionando quantidades substanciais de ouro. Nos primeiros seis meses, os bancos centrais em todo o mundo captaram 374,1 toneladas, ajudando a elevar a demanda total de ouro para uma alta de três anos, afirmou o Conselho Mundial do Ouro.”. Este movimento fez o ouro acumular uma alta de preço no ano de cerca de 17%.

Os números divulgados pelo Banco Central da Rússia (CBR) em setembro mostram que as reservas de ouro da Rússia atingiram US$ 107,85 bilhões, à medida que o país continua a afastar suas crescentes reservas internacionais do dólar. Como relata a Bloomberg, em matéria do dia 09/09/19, o banco central da Rússia tem sido o maior comprador de ouro nos últimos anos. “Existe uma substituição maciça dos ativos em dólares americanos pelo ouro – uma estratégia que rendeu bilhões de dólares para o Banco da Rússia dentro de alguns meses”, disse Vladimir Miklashevsky, estrategista do Danske Bank em Helsinque. – vide. Em valor fica mais fácil visualizar a evolução do estoque russo de ouro através do seguinte gráfico:

De fato, o movimento de compra de ouro é mundial. Em outra matéria de 26/08/19, intitulada “Os bancos centrais adoram o ouro e vão continuar assim” – vide, a Bloomberg informou que a compra líquida deve ficar acima de 650 toneladas. Em outro ponto é dito: “As autoridades vêm aumentando as reservas à medida que o crescimento diminui, as tensões comerciais e geopolíticas aumentam, e algumas nações procuram se diversificar em relação ao dólar. As compras oficiais agora representam cerca de 10% do consumo mundial, de acordo com a ANZ.”.

Nesta mesma matéria da Bloomberg, visando apresentar uma explicação para esta corrida as compras de ouro, o Deutsche Bank, em relatório, aponta fatores que incluem uma migração gradual dos ativos de reserva para longe do dólar. Outro analista, Jeff Currie, do Goldman Sachs, quando perguntado do “porque” das compras de ouro, responde: “Por quê? Porque eles não querem possuir dólares com risco de sanção, risco geopolítico, risco de guerra comercial por aí”. John Sharma, economista do National Australia Bank Ltd disse: “Além disso, com o aumento da incerteza política e econômica, o ouro fornece um hedge ideal e, portanto, será procurado pelos bancos centrais em todo o mundo”.

O gráfico abaixo mostra, em quantidade (onças), a corrida da China e Rússia ao ouro:

Durante uma entrevista no RT Boom Bust, Peter Schiff chamou isso de “corrida global do ouro por parte dos bancos centrais”, em preparação para uma queda do dólar. “Os dias em que o dólar é uma moeda de reserva são contados e os bancos centrais inteligentes estão tentando comprar o máximo de ouro possível antes do número subir”, disse Schiff.

Ao mesmo tempo que compram ouro estes países, paralelamente, continuam a alienar Títulos do Tesouro dos EUA, como já antecipamos desde julho em nossos artigos. Se desfazem de um papel sem lastro substancial e adquirem ativo real. Estão se preparando para o Xeque-mate. Esta tendência é evidente e pode ser comprovada no gráfico abaixo:

O retorno da adoção do padrão ouro tem sido amplamente discutido como uma solução viável, como mostrei nos artigos anteriores. Autoridades financeiras tem se referido a isso, tendo até mesmo o Banco mundial já se pronunciado a respeito – vide

As autoridades do Brasil não enxergam, ou preferem não ver, o colossal movimento mundial dos grandes países de proteção das suas reservas internacionais, o que implica dentre outras coisas, na desdolarização e aquisição de grandes reservas de ouro, mantendo sua custódia física. Como pode ser visto abaixo o Brasil continua a manter a praticamente a totalidade de suas reservas em Títulos, dentre outros ativos.  Somente possui insignificantes US$ 3,18 bilhões em ouro, o que significa 0,85% das suas reservas. A Rússia, com uma economia menor que a brasileira, tem reservas de ouro de US$ 107,85 bilhões.

As reservas brasileiras em setembro de 2019 tinham a seguinte composição:

Observando o quadro acima percebe-se que quase nada mudou em relação ao que descrevi no primeiro artigo da série Xeque-mate, intitulado “O xeque-mate se aproxima célere”, publicado em julho de 2019. Continua sendo um péssimo negócio financeiro, pois pagamos juros mais elevados nos empréstimos tomados internamente para financiar o Tesouro Nacional do que os juros que recebemos neste Títulos que compõe nossa reserva, e também não atende um critério de segurança, visto que como pode ser visto 99,15% destas reservas são títulos, depósitos e outros ativos sobre os quais o país não possui nenhum controle e ancorados majoritariamente em dólar. É como você pegar todas as suas economias e dar a outro para cuidar, sem ter qualquer influência na valorização ou desvalorização destes ativos e nem mesmo posse real deles. Apenas 0,85% é ouro, que espero seja físico e esteja custodiado no Brasil, o que também não é garantido. Alguns me perguntaram se não é proposital as autoridades deixarem o país nesta posição tão vulnerável. Francamente é uma hipótese que não pode ser descartada. A eclosão da crise econômico-financeira, que é somente uma parte do Xeque-mate, pegará o país sem reservas conversíveis ou extremamente desvalorizadas, o que fragilizará decisivamente o governo federal, podendo comprometer a sua manutenção.

Os bancos internacionais continuam a mostrar fragilidades relevantes com evidências de ruptura. Àquela lista de bancos que citamos em artigo anterior, podemos agora acrescentar o J P Morgan Chase, fechando assim uma lista de quatro candidatos a problemas no curto prazo, a saber: Goldman Sachs, Deutsche Bank, HSBC e agora J P Morgan Chase. A crise de recompras que citei anteriormente, que gerou a intervenção do FED em operações de assistência de até US$ 75 bilhões diários, teve neste banco a sua “origem”, segundo a Reuters. A Reuters disse: “”o JPMorgan Chase tornou-se tão grande que alguns bancos e analistas rivais dizem que mudanças em seu balanço de US$ 2,7 trilhões foram um fator de alta no mês passado no mercado de recompra dos EUA, que é crucial para muitos tomadores de empréstimos”. Informa ainda que “o JPMorgan reduziu o caixa depositado no Federal Reserve, do qual poderia ter emprestado, em US$ 158 bilhões no ano até junho, uma queda de 57%.” – vide. A queda nos níveis de caixa dos bancos fez as reservas do Fed descerem ao nível mais baixo desde 2012, numa tendência de queda que pode chegar aos níveis de 2008, conforme pode ser visto no gráfico abaixo:

Ademais, não foi só o J P Morgan que retirou depósitos. Dentre outros, o  Bank of America, o segundo maior banco dos EUA em ativos, com um balanço de US$ 2,4 trilhões, retirou 30% de seus depósitos, o que significa uma redução de US$ 29 bilhões. A liquidez do sistema parece estar indo para o espaço.

Um especialista do mercado de ações avisa que um crash no mercado, semelhante ao de dezembro de 2018, é inevitável. O ex-aluno do Goldman Sachs Raoul Pal disse numa entrevista à Market Watch: “Estamos entrando em um período de falta de liquidez para as ações”. Pal é o autor do boletim Global Macro Investor, consultado pelos maiores fundos de hedge globais. Vale a pena dar atenção ao que ele diz – vide.

Os movimentos são frenéticos de Leste a Oeste. A busca pelo legado de ouro movimenta peças na Indonésia, e outros locais na Ásia. À medida que a pressão aumenta fortemente, prenunciando a ruptura, vozes levantam-se para clamar contra a radicalização crescente. Um importante ex-comandante do exército israelense, General Yair Golan, fez recentemente uma grave advertência neste sentido –   vide.

Como tem sido demonstrado ao longo da série Xeque-mate caminhamos rapidamente para um cenário gravíssimo. É bem conhecido que a toda grave crise econômica seguem-se distúrbios sociais. No brasil o ambiente de radicalização política, somado ao descrédito porque passam as instituições brasileiras e a falta de medidas preventivas de segurança eficazes (ao estilo de que outros países estão fazendo), acrescenta componentes explosivos nesta mistura. Basta que haja um desabastecimento de itens básicos (comida, combustível e/ou energia elétrica) por curto período para vermos explodir a violência, cujas consequências podem mudar completamente a forma como conhecemos o Brasil. Alguns pensam que poderão lidar com isso, mas estão enganados.

O mouro grande está sendo disposto no acampamento dos sublimes príncipes nas 4 direções em filas de 8 (4×8) para marcação do perímetro e proteção futura. Um dia poderá ser levado abaixo da linha para o real segredo onde as peças são direcionadas. Deve cuidar para, ao tentar ser soberano, não se tornar vassalo.

Lamentavelmente no jogo muitos não compreendem a linguagem, não decifram os signos, tem ouvidos mas não ouvem, tem olhos mas não enxergam. As consequências serão profundas, amplas e ocorrerão muito em breve.

“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas” – Sun Tzu em “A arte da Guerra”.

O efeito dominó começou, na medida que a cada movimento um novo dominó cai e empurra outro para a queda seguinte!

Todo jogo acaba ou muda de fase. O xeque-mate se aproxima.

Luiz Antonio Peixoto Valle é Professor e Administrador de Empresas.

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