Mil faltosos por dia: por que todos preferem a Pfizer?

11 mil pessoas já deixaram de tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19 porque o posto não tinha a marca preferida

Luiz Alves

À exemplo do que está sendo registrado em outros Estados, como São Paulo, muitas pessoas em Cuiabá estão deixando de ir aos postos de vacinação porque querem escolher a marca da vacina contra a covid-19 que vão receber.

Contudo, vale lembrar que a Prefeitura de Cuiabá estabeleceu prazo de 48 horas para quem faltar na data marcada, aparecer em um posto de vacinação. Caso contrário, vão para o final da fila.

A situação está causando um forte impacto no avanço do processo de imunização. A Secretaria Municipal de Saúde não pode abrir o cadastro para novos grupos, enquanto os prioritários não forem atendidos.

Resumindo: a pessoa que escolhe a vacina, está tirando a oportunidade de quem quer ser imunizado e ainda não foi convocado.

A coordenadora da campanha de vacinação, Valéria de Oliveira, relata que muitas pessoas chegam ao local de vacina e, quando descobrem que não serão ofertadas doses da Pfizer, vão embora. Elas alegam o interesse em fazer viagens internacionais.

“Às vezes tenho a impressão que Cuiabá ficará vazia e todos estarão no exterior no meio da pandemia. Porque a viagem é a desculpa mais comum”, afirma.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Dados

Conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde, apenas em junho, mais de 11 mil pessoas agendadas deixaram de comparecer aos postos de vacinação para tomar a primeira dose da vacina contra o coronavírus.

De acordo com a pesquisa, feita entre o dia 1º e 12 de junho, cerca de mil pessoas  faltaram à vacinação por dia.

Até o momento, o grupo prioritário com maior número de abstenções é o que reúne os  profissionais da Educação, com 1.541 faltosos. O segundo grupo mais ausente é o de pessoas de 50 a 54 anos com comorbidades, que somam 1.131 agendados, seguido pelo grupo de pessoas com comorbidades de 45 a 49 anos, com 987 faltantes.

Por que todos querem a Pfizer?

As pessoas estão querendo escolher a vacina por três motivos: o grau de eficácia, a aceitação da imunização na União Europeia e Estados Unidos, bem como as reações adversas registradas.

De acordo com as pesquisas, a Coronavac têm a eficácia mínima de 50%, já a AstraZeneca 62%. Enquanto isso, a Pfizer, conforme dados oferecidos pela empresa que produz, chega a 95% de eficácia contra a covid-19.

Também pesa a favor da Pfizer o fato dela ser aceita nos Estados Unidos e na União Europeia, o que é um plus para quem planeja viagens ao exterior. Nessas regiões a AstraZeneca também é aceita. Já a Coronavac não tem a mesma confiabilidade.

Luiz Alves/Secom

Porém, a coordenadora da campanha de vacinação em Cuiabá alerta que todas as vacinas funcionam e que esperar pode ser arriscado até mesmo para a pessoa, tendo em vista a letalidade do vírus.

Enquanto escolhe, o cidadão pode, não só contrair o vírus, como também contaminar as pessoas que estão próximas. Sem contar a possibilidade de ter a forma grave da doença e acabar na UTI.

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Imunizar é preciso

Mesmo diante desses fatores, todos os organismos de saúde são claros e mantêm a posição de que o importante é ser vacinado. Em Cuiabá não é diferente.

Valéria de Oliveira ressalta que todas as vacinas são boas e todas elas têm o mesmo resultado: evitam a internação. Sendo assim, quanto mais pessoas vacinadas, menor a quantidade de leitos ocupados – UTI e de internação -, menor a sobrecarga do sistema de saúde e menor as estatísticas de morte.

Foto por: Michel Alvim | SECOM-MT

 A covid pode ser erradicada?

A especialista explica que o vírus não será erradicado porque sofre constantes mutações, o que o difere do vírus do sarampo, por exemplo.

Contudo, acredita-se que com a imunização, a incidência será baixa e, em um futuro próximo, o controle será feito por meio de doses anuais, como acontece com a gripe.

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