Mais que desempregados: cresce número de brasileiros que desistiram do mercado de trabalho

Levantamento realizado pelo Ipea mostra que a crise da pandemia é diferente da enfrentada em 2015

Davi Valle

Que a pandemia e as medidas de isolamento social causariam desemprego todo mundo sabia e comentava desde o início da crise sanitária. Mas um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que os efeitos da covid-19 no mercado de trabalho foram um tanto diferentes: cresceu o número de brasileiros que, simplesmente, desistiu de procurar emprego. São os inativos.

Os dados da pesquisa foram antecipados em reportagem publicada no jornal Valor Econômico que circula nesta quarta-feira (12). E eles revelam que mulheres, negros e jovens foram os mais afetados.

Entre elas, o número de inativas passou de 7,6%, na transição entre o primeiro e segundo semestre de 2019, para 11,8% no mesmo período de 2020.

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No caso de negros esse percentual passou de 7,1% para 11,2% no mesmo período. A taxa de inatividade também aumentou entre homens brancos, mas os percentuais ainda são mais baixos: passou de 4,7% para 7,6% na comparação entre os dois períodos.

Trata-se de pessoas, segundo o Ipea, que saíram da posição de empregadas e/ou ocupadas (que têm uma atividade mesmo que informal) para inativas, ou seja, sem nenhuma perspectiva de ganho de renda.

Auxílio emergencial

A reportagem do Valor Econômico questionou os pesquisadores responsáveis pelo levantamento se o pagamento do auxílio emergencial pelo governo estimulou de alguma forma essas pessoas a não procurarem emprego durante o período em que estavam recebendo o benefício.

Joana Simões da Costa disse acreditar que não. Para ela, o auxílio foi importante para manter esses brasileiros porque a oferta de emprego diminuiu com a pandemia. “A taxa de desemprego não subiu tanto quanto a taxa de inatividade”, ela disse. Em outras palavras, as pessoas sequer passaram pela fase do desemprego.

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