Trabalho dentro e fora de casa: por que o fim da quarentena prejudica mais as mulheres?

Pesquisa nacional apontou que, pelo menos, metade das mulheres passou a ter que cuidar de outra pessoa durante a pandemia

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Metade das brasileiras passou a ter que cuidar de alguém durante o período da pandemia. Na zona rural, esse percentual chega a 62%. Já na urbana, 41% das mulheres empregadas no país afirmam estar trabalhando mais do que antes.

Os dados são de uma pesquisa realizada pela organização de mídia Gênero e Número, em parceria com a SOF Sempreviva Organização Feminista e apontam para um problema aparentemente sem solução e que só cresce à medida em que as quarentenas impostas pelos governo vão acabando.

“Dados oficiais mostram que 43% dos lares são chefiados por mulheres. Elas voltam ao trabalho, mas não há alternativa para que elas possam fazer isso com as escolas e creches ainda fechadas”, destaca a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso, procuradora Glaucia Amaral.

Uma proposta em trâmite na Câmara Federal – mas sem previsão de quando e se será aprovada – poderia amenizar a situação. Ela prevê uma licença maternidade mais longa até que o período de calamidade pública no país acabe.

Mas não resolveria, por exemplo, os problemas de Cristina Auxiliadora de Oliveira, presa na semana passada por ter que deixar os cinco filhos sozinhos enquanto trabalha. O período de licença maternidade dela terminou faz tempo. A criança mais nova tem um ano de idade.

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A pesquisa da organização de mídia Gênero e Número aponta ainda que cerca de 39% das mulheres brasileiras passaram o período entre abril e maio – quando o levantamento foi realizado – sem renda ou com a renda prejudicada.

E mesmo as que seguiam trabalhando, com renda, estavam sob condições diferentes, mais precarizadas em relação ao período anterior ao da quarentena. Elas relataram estar trabalhando mais.

Para os pesquisadores, entender a situação do cuidado durante a pandemia é fundamental para o desenho de ações que sejam capazes de transformar essas dinâmicas de desigualdade entre gêneros.

“O cuidado está no centro da sustentabilidade da vida. Não há possibilidade de discutir o mundo pós-pandemia sem levar em consideração o quanto isso se tornou evidente no momento de crise global”, avalia Guilliana Bianconi, diretora da Gênero e Número.

(Com informações da Agência Bori)

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