Homem destrói a casa do vizinho por não aguentar mais ouvi-lo praticar o candomblé

Ele chegou a dizer à polícia que achava que os vizinhos o haviam enfeitiçado

Imagem ilustrativa

Um homem de 40 anos foi preso na madrugada desta terça-feira (26) depois de invadir a casa de um vizinho, destruir tudo e se justificar dizendo não aguentar mais ouvir e ver a prática de Candomblé no local.

O caso aconteceu no Bairro Tijucal, em Cuiabá, por volta das 03h10. Conforme o boletim de ocorrência, o vizinho entrou na casa sem permissão e começou a atirar pedras em toda a residência.

Ele causou danos em diversas partes da casa e em muitos objetos, incluindo no veículo dos proprietários da casa.

Ele chegou a ir embora, mas logo retornou com um podão (objeto semelhante a um facão) e começou a ameaçar todas as pessoas que estavam no local, proprietários e visitantes.

A Polícia Militar foi acionada e, ao questionar o motivo da ação do suspeito, ele alegou não suportar mais ficar escutando e visualizando a prática religiosa de seus vizinhos, praticantes do Candomblé.

“Ainda dizia que sentia cutucadas na região do ânus e acreditava que era feitiçaria vinda de seus vizinhos”, consta no boletim de ocorrência.

O suspeito e as vítimas foram encaminhadas para a Central de Flagrantes de Cuiabá, onde o caso foi registrado como ameça, dano, violação de domicílio, pertubação do trabalho ou sossego alheios e praticar, induzir, ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, ou procedência nacional.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Ficamos perplexo ao ler no site O Livre a matéria: “Homem destrói a casa do vizinho por não aguentar mais ouvi-lo praticar o Candomblé”. Primeiro e antes de mais nada, nós do Egbè Omorisà Sangò nos solidarizamos com a sacerdotisa que foi vítima desse despautério.
    Em pleno mês da Consciência Negra, tal ato de violência que esse templo e consecutivamente sua sacerdotisa e filhos foram vítimas, vem demonstrar o quanto ainda é necessário a luta por respeito aos nossos Cultos Ancestrais de Matriz Africana, como também a efetividade da Constituição Federal de 1988, no caso especialmente o Inciso VI do Artigo 5º, que afirma que: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” (www.planalto.gov.br).
    Atos dessa natureza coloca em xeque nossas liberdades de consciência e crença, afinal a partir do momento que um ser humano invade uma propriedade privada, no caso um templo Religioso de Matriz Africana, e começa a depredá-lo usando como desculpas um desvario pessoal, no mínimo é de provocar indignação à sociedade em geral e especialmente \nós religiosos(as) de matriz africana e afro-brasileira em especial. Visto que, nossos ancestrais africanos mesmo na condição de escravizados nos deixaram um legado primordial que é nossa fé, nossa maneira de crer e louvar. Por isso temos que bradar no mais alto tom: Basta de falta de respeito às nossas práticas religiosas. Basta de intolerância e desrespeito em nome devaneios incompreensíveis de pessoas que não conseguem respeitar e conviver com o diferente e com as diferenças.
    Ainda de acordo com a Constituição Federal de 1988, também seu Artigo 5º, Inciso XI: a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. Portanto, pelo fato desse senhor invadir o templo que também é o lugar onde a sacerdotisa reside, depredou bens materiais do ambiente, entre os quais o automóvel da vítima, já merece ser punido por desrespeitar a Carta Magna da Nação Brasileira.
    Parabenizamos a atitude dela em não se intimidar, acionar a polícia e denunciar seu algoz. Esperamos que as autoridades façam cumprir a lei, ou seja, punir este homem por violar, depredar e vilipendiar patrimônio privado, já que, se é dever do Estado garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais […], bem como apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais. Ou seja, cabe ao: Estado proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, […] (Artigo 215; Parágrafo 1º – Constituição Federal de 1988). E as manifestações Culturais Religiosas de Matriz Africana, entre as quais o Candomblé.
    Nós, do Egbè Omorisà Sangò reiteremos nosso apoio e solidariedade a sacerdotisa Mãe Karla de Dandalunda e sua família de Axé. E reafirmamos nossa indignação com o ocorrido em seu templo. Ao mesmo tempo que parabenizamos sua garra e luta em favor das práticas religiosas de matriz africana em Cuiabá/MT. Que nossos(as) Ancestrais Divinizados nos dê sempre força, fé e destemeza para juntos lutarmos pelo que acreditamos. Axé a nós que ousamos a crer e louvar nossas Divindades Africanas e Afrobrasileira. ( Babá Bosco d’ Sango – Sacerdote do Egbè Omorisà Sangò )

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