Esquema milionário foi descoberto depois que suposto líder de grupo criminoso começou a “ostentar”

Foto: PJC

O esquema de desvios de mais de R$ 28 milhões da Cooperativa de Produtores de Álcool e Cana-de-açúcar (Coprodia) foi descoberto pela Polícia Judiciária Civil de Campo Novo do Parecis devido a ostentação de padrão de vida do líder do grupo criminoso, Nivaldo Francisco Rodrigues, ex-diretor financeiro da Coprodia.

“Ele começou a ostentar um padrão de vida que não condizia com o bom salário que ele tinha, com uma série de aquisição de imóveis na cidade, que chamou atenção dos diretores da cooperativa, que levaram essa notícia na delegacia e daí nós começamos a investigar esse gerente financeiro”, contou o delegado Adil Pinheiro de Paula, da delegacia de Campo Novo do Parecis, que está à frente das investigações.

A terceira fase da Operação Etanol, que investiga o esquema, foi deflagrada nesta quinta-feira (23). Nivaldo, que teve os bens apreendidos já na primeira fase e está preso há 40 dias, desde a segunda fase, agora tem colaborado com as investigações, entregando outros participantes do esquema.

Como a quadrilha atuava

O grupo criminoso utilizava empresas de fachada para emitir notas para serviços que nunca seriam prestados. “A maior parte das empresas sequer existia, algumas já não funcionavam mais, mas seguiam emitindo nota para a cooperativa”, disse o delegado Adil.

Até o momento já foram comprovadas 21 empresas de fachada. Os serviços não prestados eram de transporte, consultoria, informática, web site e advocatícios.

“Um alvo da cidade de Sinop, um advogado, recebeu mais de R$ 700 mil em serviços advocatícios, que não tem relação com a Coprodia”, citou o delegado.

[featured_paragraph]A cooperativa tem 46 cooperados, divididos em 19 famílias, quase todas moradoras de Campo Novo do Parecis, constitui importante fonte de renda e emprego da cidade e movimentou cerca de R$ 1 bilhão em 2017. [/featured_paragraph]

Nesta quinta-feira (23), foram expedidos 46 mandados de busca. Quatro membros da organização criminosa foram presos: Adriano Froelich Martins, ex-gerente da cooperativa (preso em Jaciara), Haran Perpétuo Quintiliano, responsável por abrir as empresas fantasmas (preso em Cuiabá), Heberth Oliveira da Silva, ex-responsável pelo setor de compras (preso em Sapezal) e Júnior José Graciano, ex-gerente financeiro da empresa (preso em Marília – SP).

Todos os presos que eram funcionários já estão desligados da cooperativa. Haran é apontado como o principal articulador do esquema, ele foi preso em seu apartamento no Bairro Duque de Caxias, em Cuiabá.

Os desvios foram cessados na primeira fase da operação, porém, devido ao fato do grupo tentar esconder as notas, há dificuldade em comprovar o valor exato desviado, na segunda fase acreditava-se tratar de R$ 23 milhões, nesta a Polícia Civil já chegou ao valor de R$ 28 milhões.

O delegado Adil Pinheiro de Paula espera desmembrar o inquérito em outros 21, número de empresas descobertas até o momento. Os acusados serão indiciados por furto qualificado (Nivaldo, por exemplo, já foi acusado por 44 crimes de furto qualificado até essa fase da operação), lavagem de capital e organização criminosa.

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