Empresa de fachada pagou R$ 30 milhões em dívida feita com Blairo, diz Silval

Secom/MT

blairo silval

Uma empresa de fachada foi a responsável por pagar o resto de uma dívida de R$ 30 milhões com construtoras, segundo o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), um débito negociado com seu antecessor, Blairo Maggi.

O hoje ministro da Agricultura do governo de Michel Temer negou a acusação à reportagem do LIVRE e afirmou que jamais tomou conhecimento de qualquer irregularidade, que envolve créditos tributários, empresas de geradoras energia, a estatal Cemat e respingou até em pagamentos em favor do doleiro Alberto Youssef, pivô da Operação Lava Jato.
 
Segundo Silval Barbosa, em 2010, Blairo pediu-lhe que resolvesse uma antiga dívida do governo com as construtoras, em troca de apoio para sua campanha ao governo do Estado. De acordo com ele, Blairo havia acertado parte dessas dívidas com empreiteiras com ajuda BIC Banco, de José Bezerra de Menezes.

A dívida à época seria de R$ 30 milhões, mas com o banqueiro. “Blairo Maggi deixou claro ao declarante que somente deixaria o governo para concorrer ao Senado e apoiar o declarante na campanha de 2010 para o governo do Estado de Mato Grosso, se o declarante assumisse o compromisso com ele (Blairo), se eleito, de quitar as dívidas políticas existentes em seu governo criadas por Eder de Moraes [ex-secretário], dentre elas a dívida com o BIC Banco que nessa época estava em torno de R$ 30.000.000,00”, contou Silval em depoimento de seu acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR).
 
Com o alegado trato feito, Silval tentou resolver a pendência das construtoras e do governo com o banco. Ao mesmo tempo, passou a receber pressões do empresário José Geraldo Nonino para o governo reconhecer créditos tributários de R$ 70 milhões que pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) que ele representava – como as de Carlos e Marcelo Avalone – teriam com o governo.

Silval propôs um acordo: Nonino teria seu problema resolvido se pagasse os R$ 30 milhões que ele devia ao banco por “herança” de Blairo. Seriam 24 parcelas de R$ 1,3 milhão. Nonino aceitou e usou a empresa Dunax Construções e Engenharia Ltda para intermediar o repasse da “venda” dos créditos das centrais hidrelétricas para a estatal Centrais Elétricas Matogrossenses (Cemat).
 
A Dunax é considerada uma firma de fachada pelo Ministério Público de Mato Grosso e, segundo o procurador geral da República, Rodrigo Janot, foi “constituída para distanciar a propina repassada”. Com os R$ 73 milhões dinheiro recebidos da estatal Cemat, a Dunax pagou as dívidas com o BIC Banco e repassou a diferença a Nonino e aos empresários de PCHs que ele representava, contou Silval.
 
Youssef
A Dunax ainda serviu para fazer pagamentos ao doleiro Alberto Youssef. Por ordem dele, a firma de fachada bancou R$ 9,3 milhões a firmas do ex-parceiro do doleiro Leonardo Meirelles, de acordo com documentos que ele apresentou ao juiz da 13ª Vara de Curitiba, Sérgio Moro. Dali, R$ 4 milhões foram usados para pagar contas de Youssef, de acordo com Meirelles.
 
A promotora da 14ª Promotoria do Ministério Público de Mato Grosso, Ana Bardusco, que investiga o caso da Dunax há pelo menos três anos, afirma que a delação ainda não esclareceu o que Youssef e Meirelles tinham a ver com a história. Ela afirmou à reportagem do LIVRE que pretende reinquirir Silval e outros colaboradores da Operação Ararath para esclarecer melhor detalhes dos pagamentos relatados. “As informações são genéricas ainda.”
 
Sem dívidas
Em nota enviada ao LIVRE, a assessoria de Blairo negou qualquer acerto. “O ministro reafirma que jamais deixou qualquer dívida para ser quitada por Silval, justificativa que ele encontrou para todas as ações criminosas que praticou”, afirmaram os auxiliares do ex-governador e ministro da Agricultura.
 
A assessoria disse que “ele sempre trilhou o caminho da retidão”. “O ministro Blairo Maggi informa não ter conhecimento desse assunto, porém afasta, desde já, qualquer possibilidade de sua participação em atos ilícitos como homem público e empresário”, afirmam os assessores do ex-governador e ministro da Agricultura.

O político disse que as declarações de Silval renderão “medidas judiciais”. “O ministro não aceitará ser caluniado, e tomará as medidas judiciais no tempo oportuno”, declarou a assessoria.
 
O BIC Banco, adquirido pelo banco chinês CCB, não prestou esclarecimentos à reportagem, que não localizou os irmãos Avalone, Nonino e representantes da Dunax.
 
Veja a íntegra da nota de Blairo:

“NOTA À IMPRENSA
 O ministro Blairo Maggi informa não ter conhecimento desse assunto, porém afasta, desde já, qualquer possibilidade de sua participação em atos ilícitos como homem público e empresário. Quem conhece a sua história sabe que sempre trilhou no caminho da retidão.

Ressalta ainda que sempre agiu dentro da mais estrita legalidade e repudia qualquer tentativa de envolvê-lo em ações ilícitas do passado. Por mais que entenda o desespero do ex-governador pela liberdade, e assim, a necessidade de envolver seu nome, não aceitará ser caluniado, e tomará as medidas judiciais no tempo oportuno.

É importante ressaltar que pelas informações já divulgadas pela imprensa, a corrupção, atos criminosos e desvios de dinheiro público eram práticas comuns na gestão do ex-governador Silval Barbosa e não de Blairo Maggi enquanto governador de Mato Grosso. O ministro reafirma que jamais deixou qualquer dívida para ser quitada por Silval, justificativa que ele encontrou para todas as ações criminosas que praticou.

Por fim, afirmamos que o ministro está absolutamente tranquilo, pois tem consciência de todos os seus atos praticados como governador e está à disposição do Poder Judiciário para apuração dos fatos, restabelecendo a verdade.

Assessoria de Blairo Maggi”

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