De país livre a quase totalitário: entenda como a pandemia ameaça a liberdade na Austrália

Fronteiras estão fechadas e viagens internacionais e interestaduais controladas. E quem cumpre quarentena, é vigiado pelo celular

( Foto: Steven Saphore/ Imagem da AAP via AP)

Um dos maiores exemplos de liberdade civil e econômica na história, a Austrália se vê ameaçada pelas medidas impostas a seu povo com o suposto objetivo de controlar a propagação da covid-19.

Com seu próprio primeiro-ministro, Scott Morrison, confessando ao The Economist que a forma como estão lidando com a situação “não é uma maneira sustentável de se viver”, o país da Oceania tem adotado decisões que beiram às de regimes comunistas, como fechar as fronteiras e controlar estritamente as viagens internacionais, permitindo apenas a saída e a entrada de pessoas com licenças específicas, segundo um site do próprio governo.

O The Atlantic informa que, até agosto de 2021, os australianos que viviam fora de sua nação estavam isentos dessas imposições relativas às fronteiras e que podiam voltar livremente a seu país. Porém, o governo passou a ser mais severo com as restrições e, por isso, essas pessoas não conseguiram mais sair do país após entrarem. Até mesmo viagens interestaduais estão limitadas.

Controle por aplicativos de celular

Ainda de acordo com o site, a Austrália Meridional desenvolveu e está testando um aplicativo cujo uso será obrigatório aos recém-chegados ao Estado e que estão fazendo quarentena.

Pelo programa, o governo enviará mensagens em horários aleatórios a eles, que, por sua vez, deverão tirar uma “selfie” em até 15 minutos no local previamente designado pelas autoridades. Se falharem, a polícia local deve ir até essas pessoas.

O primeiro-ministro do Estado ainda disse a um site de notícias australiano que os habitantes da Austrália Meridional deveriam ter orgulho do aplicativo.

Noutro caso, o primeiro-ministro de Victoria, outro Estado do país, respondendo a críticas sobre o toque de recolher adotado no local – medida que não foi imposta nem durante a gripe espanhola -, disse que “não se trata de direitos humanos, mas de vidas humanas”, segundo o The Atlantic.

Num artigo para esse mesmo site, o autor Conor Friedersdorf questiona se o país ainda é uma democracia livre. A dúvida fica após essas decisões quase totalitárias virem à tona, cujas consequências vão de adolescentes sendo algemados durante um passeio a lockdowns exagerados em Estados inteiros.

O preço da liberdade

De acordo com Conor, a baixa taxa de mortalidade na Austrália para o vírus da covid-19 é, obviamente, um ponto positivo – mesmo com uma estratégia de vacinação deficiente.

Entretanto, resta ver se o governo conseguirá manter essa performance sem tolher as liberdades tão caras ao país.

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