“Como lidar com a depressão em um relacionamento?” Psicólogas falam sobre papéis e metas dos cônjuges

Membro do casal que não tem depressão deve cuidar de si mesmo para que não venha a ficar sob a mesma condição ou pior

Da esquerda para a direita: o realizador Marco Túlio Ribeiro e as psicólogas Mariana Nunes e Marian Stech (Foto: Alexia Godoy)

A vida em casal possui seus bons momentos, mas também oferece desafios que devem ser vencidos diariamente. Cuidar um do outro com amor e zelo faz parte do relacionamento e não é tão fácil quanto parece. Se a depressão surge no meio disso tudo, torna-se um agravante que necessita de cuidados minuciosos.

Visando ajudar pessoas que se encontram nessa situação, a psicóloga e musicoterapeuta Mariana Nunes e a psicóloga cognitivo-comportamental Marina Stech promoveram, junto ao realizador Marco Túlio Ribeiro, a palestra “Como lidar com a depressão em um relacionamento?”. A primazia em auxiliar o próximo foi pauta recorrente no evento, ocorrido no cenário descontraído da escola de música Bateras Beat Cuiabá, em 11 de fevereiro.

Psicóloga e Musicoterapeuta Mariana Nunes

Mariana Nunes iniciou a palestra fazendo um interessante comparativo com o filme “Um Lugar Silencioso” (A Quiet Place, 2018). Na produção, os personagens não podem emitir sons, pois seriam rastreados, mesmo a longas distâncias, e atacados por criaturas mortíferas com superaudição em busca de presas a serem devoradas.

A psicóloga usou sua analogia para mostrar que muitas pessoas com depressão não falam ou têm medo de falar algo sobre isso, porque sabem que serão julgadas por outros. Frases do tipo “Isso é drama!” ou “Eu passo por coisa pior e estou bem!” não costumam ajudar. Pelo contrário: fazem com que o depressivo se sinta culpado por sua condição.

A musicoterapeuta citou uma cena específica em que a personagem principal pisa, descalça, num prego, furando violentamente seu pé, mas não pode gritar por causa dos monstros à solta. O paciente depressivo muitas vezes se sente dessa forma, segundo ela: não pode expressar sua dor, pois será “atacada”.

A psicóloga e musicoterapeuta Mariana Nunes fez um interessante comparativo com o filme “Um Lugar Silencioso” (Foto: Alexia Godoy)

“Falar é a solução. Não falar causa e aumenta o problema”, disse Mariana Nunes. “Fugir do problema só aumenta o problema. Faz com que ele cresça e fique mais ‘corajoso’ para nos enfrentar, mas nós somos maiores que o problema.”

Sendo assim, é importante que os membros do casal não só conversem sobre esses assuntos entre si, mas que ouçam um ao outro. Ressaltou, ainda, que todos devem buscar, também, o prazer, não apenas trabalho ou obrigações, pois faz parte de uma vida saudável de casal buscar meios de “extravasar”.

Psicóloga cognitivo-temperamental Marina Stech

Para Marina Stech, a pessoa que está disposta a ajudar seu parceiro na depressão deve estudar sobre o assunto. Buscar saber o que deve ou não ser falado, como interagir com o depressivo, como incentivá-lo a fazer terapia, entre outras formas de auxílio, é essencial para o controle da situação.

De acordo com Stech, por falta de pesquisa, muitos não sabem que a taxa de recuperação de pacientes depressivos é alta, favorecida por um tratamento adequado. Obter este conhecimento traz esperança tanto na pessoa que está ajudando como no parceiro sob depressão, o que acelera o processo de melhoria.

Para Marina Stech, psicóloga cognitivo-comportamental, é essencial que a pessoa estude a depressão para ajudar seu parceiro (Foto: Alexia Godoy)

Para ajudar, o cônjuge pode trocar a frase “Se precisar de algo, é só me chamar” por “Do que você está precisando agora?”. É importante ter iniciativa, pois a pessoa com depressão pode não ter forças para “chamar” e pedir algo deliberadamente.

Marina advertiu que o membro do casal que não tem depressão deve cuidar de si mesmo para que não venha a ficar sob a mesma condição ou pior, o que agravaria a situação.

Buscar ajuda

Concluindo o evento, ambas deixaram claro que é estritamente necessário procurar ajuda profissional. Conversar com o parceiro é importante, mas não vai substituir o auxílio de um bom psicólogo ou um bom psiquiatra.

Quanto a isso, Marina Stech reproduziu a seguinte pergunta que constantemente fazem a ela: “Mas e se meu parceiro não quiser ir ao psicólogo ou ao psiquiatra?”.

“Simples: vá você”, disse ela, dando sua habitual resposta à mesma pergunta. Desta forma, o cônjuge disposto a ajudar pode obter os métodos eficazes para convencer o futuro paciente a buscar terapia, além de entender melhor a depressão e aprender a lidar com o parceiro nessa árdua caminhada.

(Foto: Alexia Godoy)

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