Acidentes e crimes aumentam em 20% a demanda de transfusões durante o Carnaval

Mas as vítimas de violência não são as únicas. Pacientes crônicos também sofrem com desabastecimento

(Foto: Hemocentro/divulgação)

Todos os anos, a demanda por sangue aumenta cerca de 20% durante o feriado de Carnaval, o que exige muito dos técnicos do MT-Hemocentro, tanto nos setores de captação como tratamento do material.

O acréscimo está relacionado com os acidentes de trânsito, que costumam ter mais incidência devido ao número de carros de passeio nas rodovias, e também de cirurgias necessárias, muitas vezes, por situações de violência, como brigas.

Diretora do MT-Hemocentro, Gian Carla Zanela cita que, em um atendimento de facada, por exemplo, são necessárias no mínimo 3 a 4 bolsas de sangue.

“Porém, estas estatísticas são imprevisíveis quando tratamos de grandes aglomerações em vários pontos do Estados”.

Tempo de vacas magras

O Carnaval está em um mês cujos estoques do Banco de Sangue do Hemocentro tendem a estar baixos por vários fatores. O primeiro deles é o aumento das cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS), entre os meses de outubro e novembro.

Gian Carla Zanela está em busca de doadores de sangue frequentes (Foto: Caroline Rodrigues)

Gian Carla explica que, normalmente, acontecem mutirões para acabar com as filas de espera e isso demanda mais sangue pra transfusões.

Outra questão são as férias escolares e festas dos final do ano, que geralmente levam os doadores frequentes a viagens e também a se distanciar da rotina, recuperada normalmente após o Carnaval.

Para tentar manter, pelo menos, os estoque mínimo de todas as tipagens sanguíneas, o MT-Hemocentro faz campanhas e, nas ações, tenta conquistar o bem mais precioso: o doador frequente.

Homens e mulheres que cumpram o ciclo de doações e possam estar sempre contribuindo com os estoques.

Zanela explica que mais importante do que garantir um bom estoque hoje e ter pessoas para poder contar durante o ano todo. Principalmente, porque os componentes sanguíneos têm prazo de validade curto.

São 35 dias para as hemácias e 45 dias para as plaquetas.

Quem é o público

Além de atender os hospitais público e privados, quando eles estão desabastecidos, o MT-Hemocentro é responsável pela sobrevivência de 12 mil pessoas que precisam de transfusões e materiais sanguíneos periodicamente.

No grupo, incluem-se os hemofílicos, pessoas com anemia falciforme e plasia de medula, por exemplo.

Bolsas de sangue atendem hospitais e o ambulatório do MT-Hemocentro, que recebe pessoas com hemofilias

O atendimento ambulatorial é essencial para muitas pessoas e a frequência depende da analise médica. Em alguns casos, pode ser suspenso por um transplante de medula, em outros serão para vida inteira.

“Temos uma responsabilidade muito grande. Então, precisamos ser criteriosos e, hoje, podemos garantir que a unidade atenda todas as exigências de biosegurança no tratamento do sangue”, assegura Zanela.

Perfil do doador

Atualmente, o MT-Hemocentro tem doadores de todas as idades, porém as pessoas com mais de 30 anos costumam ser mais fiéis aos períodos de coleta. Analisando os dados, a diretora explica que os mais velhos, geralmente, estão lá de 3 em 3 meses, no caso de homens, e de 4 em 4 meses em caso de mulheres.

Os mais jovens doam com frequência, mas não respeitam uma agenda.

Ela explica que ainda existem alguns erros de informação. Muito mudou com relação as exigências para doação, que são todas estabelecidas em lei.

No caso das pessoas que têm tatuagem, por exemplo, é exigido um período de 12 meses após a realização do desenho.

Os que fizeram bariátrica ou que passaram por cirurgia também precisam respeita o período de um ano.

Sangue passa por vários exames e laboratórios atendem todas as regras de biosegurança. (Foto Agência Brasil/Ilustrativa)

No caso dos casais homoafetivos, é exigido um período de 12 meses com o mesmo parceiro e, no caso dos relacionamento de homens com homens, a doação continua proibida.

“Eu, pessoalmente, acho que essa regra é antiquada, porém, temos que respeitar. Na época em que ela foi elaborada, os técnicos entendiam que a relação anal tinha mais fricção e isso ampliava a possibilidade de contaminação. Mas, o sexo anal também existe na relação homem e mulher”, explica a diretora.

Apesar dessa limitação estar mantida, outras já foram revogadas. Por exemplo, as pessoas que tiveram malaria e hanseníase já podem doar após 12 meses após a cura.

Coleta dos foliões

O MT-Hemocentro quer reforçar a doação de sangue até sexta-feira (21), quando começa a folia de Carnaval. Durante o evento, ficará com a captação fechada porque as pessoas costumam ir para as festas e ingerir bebida alcoólica, o que impede a doação.

O MT-Hemocentro fica na Rua 13 de Junho, 1055 e funciona até das 17h30 de segunda a sexta-feira.

Informações pelo telefone: (65) 3623-0044

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