A ferrovia da discórdia

Em 1917 quando a esperadíssima ferrovia Noroeste do Brasil completava seus 1.622 km de extensão entre Bauru – SP e Corumbá, na época Sul de  Mato Grosso, ela trazia junto o espírito da discórdia.

Vamos contar essa história que veio desaguar na frustração dos cuiabanos e acirrou ao limite a discórdia entre o Sul e o Norte de Mato Grosso?

Em 1917 ainda estava recente a lembrança da Guerra do Paraguai (1864 e 1870). A fronteira Oeste brasileira era muito mal demarcada e a guerra serviu pra mostrar a enorme fragilidade brasileira naquela região. Após a guerra o banditismo tomou conta e a propriedade das terras gerou muito sangue derramado. Virou efetivamente terra de ninguém!

Já estava planejada a Ferrovia Noroeste do Brasil saindo de Bauru com traçado até Cuiabá. Ela acabaria com o isolamento de Mato Grosso, então refém do rio Paraguai pra sair do Norte do estado. Era uma ferrovia profundamente estratégica pra o frágil e isolado Mato Grosso de então.

Mas o fim da guerra com o Paraguai mostrou que o Oeste do Brasil precisava ser visto com urgência porque o Paraguai barbarizou na região durante a guerra. Chegou perto de Campo Grande sem muitas dificuldades. Ainda que Campo Grande fosse apenas um pouso de tropeiros paulistas que vinham ao pantanal comprar gado uma vez por ano. (aqui sugiro ao leitor ouvir no youtube a música “Boiada Cuiabana”, que trata do assunto).

A ferrovia foi desviada e chegou a Corumbá em 1917, ainda que a ponte sobre o Rio Paraguai só fosse construída em 1957.

Concluída a ferrovia em 1917, Campo Grande explodiu em crescimento. Deixou de ser um pouso de tropeiros e virou um centro de compra de gado pantaneiro que seguia depois de trem pra São Paulo onde se terminava a engorda e exportava a carne pra Europa. E estabeleceria uma forte conexão com São Paulo dali por diante. Ao contrário, Cuiabá se com conectava com o Rio de Janeiro por via fluvial e passava em Corumbá.

Cá em cima, Cuiabá morria de ódio porque achava que os habitantes do Sul, sediados na riqueza do gado em Campo Grande haviam desviado a ferrovia pra dentro do pantanal no seu interesse próprio. O ódio entre o Sul e o Norte de Mato Grosso chega ao auge dali por diante.

A divisão em 1977 trazia além de todas as questões novas da política, da economia, da sociologia diferente, da cultura e da  riqueza, a mágoa dos trilhos que em 1907 viraram à esquerda em Campo Grande aportaram em Corumbá.

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