Rejeição à vacina chinesa tem fundamento? Médico explica situação

Vacina que começaria a ser distribuída em janeiro foi desautorizada pelo presidente Jair Bolsonaro com justificativa de "experimentação" nos brasileiros

(Foto: Reprodução/Internet)

O anúncio da produção de uma vacina contra o novo coronavírus na China gerou especulação de diversos aspectos – vai de disputa ideológica e a uma suposta articulação chinesa com interesses econômicos para a difusão do Sars-Cov 2 e a apresentação da potencial cura. 

A desautorização do presidente Jair Bolsonaro da compra da CoronaVac, produzida em parceria pela empresa Sinovac e o Instituto Butantan, nesta quarta-feira (21), reacendeu essa discussão. 

Mas, qual é a validade da vacina chinesa/brasileira? Médico infectologista ouvido pelo LIVRE, o doutor Germano Augusto Alves Pacheco, membro do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), diz que o método usado na produção é simples. 

Ele explica que os pesquisadores submeteram o Sars-Cov 2 a um processo de enfraquecimento. O termo usado é “atenuado”, pois ao longo do procedimento, o vírus  perde a virulência até chegar um nível considerado seguro. 

“Esse vírus atenuado é incorporado ao organismo humano, com risco bem mais baixo, e uma vez que essa versão do vírus esteja no corpo, o organismo vai criar uma reação de proteção contra o vírus”, disse. 

Ou seja, o organismo humano passaria por um “impulsionamento” para criar anticorpos ao novo coronavírus. O método já foi utilizado para a produção de vacina contra a varíola e é considerado um dos “mais simples” no rol de mecanismos de produção. 

“Etapas queimadas” 

A desconfiança está no tempo que a vacina levou para ficar pronta. Conforme o médico Germano Augusto, o processo para a conclusão de estudos de antivirais levam anos e, mesmo assim, pode ocorrer de não se conhecer todo o leque de reações e feitos. 

O exemplo citado pelo especialista é a vacina contra a dengue, que está em análise há 10 anos e o resultado continua inconclusivo.  

“A vacina da dengue já tem 10 anos, inclusive com laboratório de análise em Cuiabá, e só depois que ela entrou no mercado que se descobriu que algumas pessoas que a tomam e já tiveram antes da doença, podem ter uma versão bem mais grave da doença após a imunização, aumentando o risco de morte”, afirmou. 

No tempo de nove meses, desde a confirmação do primeiro caso de covid-19, até o aparecimento da vacina como produto finalizado, portanto, caberiam apenas algumas etapas de avaliação, por exemplo, os efeitos em animais. 

Além da manipulação em si, os testes incluiriam a fase de aplicação do produto em ser humanos em mais de uma etapa, com duração que pode levar anos. 

“Com certeza, alguma etapa foi queimada para produção dessa vacina. Isso significa que o espectro do que não sabemos é maior. Não sou contra o teste, mas disponibilizar a vacina tão rápido é algo que me deixa receoso”, pontua.   

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