Pixé costura gerações e atualiza a linha do tempo da literatura de Mato Grosso

Novos nomes da literatura surgem em 2019: Geração Pixé começa a ser formada!

Iniciativas independentes estão ajudando a ocupar os espaços da linha do tempo da literatura mato-grossense. Realçando uma transição, ao tempo em que une os “pontos”. A última e grande ação deste ano, voltada ao incentivo da produção literária, vem da Revista Pixé, idealizada e editada pelo escritor e pesquisador Eduardo Mahon.

Já na nona edição, a publicação por ora virtual, vai ganhar uma publicação impressa, com 20 nomes que representam o frescor da literatura mato-grossenses. Esses escritores foram reconhecidos pelo Prêmio Pixé, que neste ano ganhou sua primeira edição.

Mahon está radiante pelo registro. Como pesquisador contumaz da literatura mato-grossense, especializando-se nas publicações dos anos 1990, ele acredita que o cenário atual seja um divisor de águas.

Geração Coxipó

“A Pixé vem a se tornar uma costura de uma geração, porque estudo essa matéria e pesquisei revistas publicadas na década de 1990, como a Vôte, Estação Leitura, Fagulha, Borboletras, Dazibao, Sub… várias revistas que tiveram entre três e oito números. Qual geração é esta? A Geração Coxipó”.

E surgiram desta fase, nomes representativos como Ivens Scaff, Gabriel e Aclyse de Mattos, Amauri Lobo, Luiz Renato, Lucinda Persona e Lorenzo Falcão, por exemplo. “Que inclusive, são tributários e admiradores de Ricardo Guilherme Dicke. Isso ficava bem claro nas publicações que em boa parte eram editadas e diagramadas por Wlademir Dias-Pino. E então, marcava-se uma geração”.

O escritor e pesquisador que vem ganhando cada vez mais destaque como animador cultural, atribui o mérito do marco dessa produção aos editores. “Quando você escolhe o casting de escritores, você seleciona uma geração. E eu tenho visto muito isso. Acredito que estamos fazendo uma transição de uma geração, da Coxipó – que era formada por estudantes da UFMT do final da década de 1980 – para a Geração Pixé”.

Ele ressalta ainda, que nessa “costura”, estão ligados nomes como Marta Cocco, Cristina Campos e Luciene Carvalho, por exemplo, a jovens literatos, como Matheus Barreto, Stéphanie Medeiros e Caio Ribeiro. E ele pontua ainda os nomes de Danilo Fochessato, Júlio Custódio e Rodrigo Meloni. “Há uma mistura e abertura para o novo e eu diria, novo, novíssimo, pois na Pixé escreve Marilza Ribeiro, de mais de 80 anos e Helena Werneck, de 17”.

“É um grupo de autores que está começando agora e é provável que amadureça daqui há 15, 20, 30 anos. Então, eu acho que a literatura nunca esteve tão aquecida em Mato Grosso. Nunca em 150 anos”, avalia.

Ele considera que a literatura mato-grossense teve bons momentos, mas este é singular. “Tivemos bons momentos, como Dom Aquino na Academia Brasileira de Letras, Ricardo Guilherme Dicke com o Prêmio Walmap, a consagração de Manoel de Barros na Editora Leia, mas foram lampejos, grandes flashes”.

Neste momento, destaca a seleção de duas autoras nacionais na relação dos livros indicados pelo Ministério da Educação, Marly Walker e Marta Cocco; o prêmio Sesc de Literatura que realçou o nome de Felipe Holloway; de Luciene Carvalho para o vestibular da Unemat e a recente compra de livros de autores que produzem literatura em Mato Grosso por prefeituras do interior.

Na entrega da premiação da Pixé escritores de várias gerações compartilharam de momento festivo da literatura (Arquivo)

“E tem ainda o edital da Secretaria de Cultura do Estado, o único desse ano. E então, para fechar, temos o Prêmio Pixé de Literatura. Oferecer estímulo com premiação, publicação e visibilidade é importante. Como fez a Livraria Adeptus em outros tempos, fizeram antes de mim. Mas o registro da geração quem faz é uma publicação, um periódico. E esse mérito, a Pixé tem”.

Confira os vencedores e selecionados do Prêmio Pixé nas categorias Prosa e Poesia:

PROSA

1º Lugar – Thiago Rafael da Costa Santos

2º Lugar – William V. C. Fernandes

3º Lugar – Márcio Felipe da Silva

André Luis Alvez Campos

Antonio Cesar Gomes da Silva

Carlos Benedito Pinto

Gabriel E. R. Crispim

Mirian Cristina da Silva Schio

Simone de J. Padilha

Túlio Paniago Vilela

POESIA

1º Lugar Jorge Guilherme Bazzo de Arruda Axkar

2º Lugar – Bruna da Silva Ferreira

3º Lugar – Isa A. de Souza

Augusto Emmanuel Krebs Ferreira

Agnaldo Batista de Lima

Aryanne Rocha

Edelson Santana de Almeida

Stefânia Pereira da Silva

João Pedro Boesing Bernardo

Luana Soares de Souza

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1 COMENTÁRIO

  1. Cadê o cerrado do interior do meu Estado?
    Já foi serrado, já foi serrado.

    O córrego aonde o tamanduá
    ia beber e se espojar,
    com seu focinho alongado.
    E os ipês quando floridos eram três cores,
    enchiam o sertão de flores
    deixando o ar perfumado,
    já foi serrado… já foi serrado.

    Cadê o cerrado do interior do meu Estado?
    Já foi cerrado, já foi cerrado.

    Tatus, raposas, emas, lobos em matilhas,
    caíram nesta armadilha,
    foram dizimados.
    Cadê o faval da fava de sucupira?
    Até eu, bicho caipira,
    estou vivendo assustado.
    A caneleira, o óleo de capaíba,
    o angico, a pindaíba? Já foi serrado.

    Cadê o o cerrado do interior do meu Estado?
    Já foi serrado, já foi cerrado.

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