Cidades

MP pede que Bope junte procedimento de Scheifer contra Jacinto em processo

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Camilla Zeni

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE) pediu, na terça-feira (16), que o Poder Judiciário determine ao comando do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) o envio de um procedimento instaurado pelo 2º Tenente PM Carlos Henrique Paschiotto Scheifer contra o cabo da PM Lucélio Gomes Jacinto, denunciado como um dos autores do homicídio do oficial.

De acordo com o promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza, informações divulgadas pela imprensa revelam que, dois dias antes do crime, o tenente Scheifer comunicou aos seus superiores sobre a instauração de procedimento administrativo contra o cabo Jacinto.

Ainda conforme a imprensa, dias depois, o procedimento foi arquivado pelo então comandante do Bope, tenente- coronel José Nildo Silva de Oliveira.

Em depoimento prestado à Justiça no dia 11 de abril, no entanto, José Nildo Silva de Oliveira negou ter conhecimento de qualquer desavença entre o tenente morto e dos demais integrantes da equipe.

Para o Ministério Público, a existência de procedimento administrativo instaurado pela vítima em desfavor do acusado Jacinto, inclusive com aparente determinação de arquivamento pela testemunha tenente-coronel José Nildo, é absolutamente relevante à elucidação dos fatos.

Sobre o caso, além de José Nildo, outras quatro testemunhas também já prestaram depoimento ao Juízo da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em Justiça Militar. A próxima oitiva está marcada para o dia 17 de junho, quando serão ouvidas as testemunhas de defesa e os réus.

A morte

Carlos Scheifer entrou para a Polícia Militar em 2011 e, após se formar no Curso de Formação de Oficiais (CFO) da PM, serviu no Grupo Especial de Fronteira (Gefron) por dois anos. Depois que fez o Curso de Operações Especiais (Coe) em Mato Grosso do Sul, passou a integrar a equipe do Bope, em março de 2017. Sua morte aconteceu em maio daquele ano, quando ele tinha 27 anos.

Scheifer foi escalado para comandar a equipe para atuar em uma operação de repressão a um assalto a banco, da modalidade Novo Cangaço, no distrito de União do Norte, próximo à cidade de Matupá (695 km de Cuiabá). Além dele, faziam parte do time o soldado Werney Cavalcante Jovino, o cabo Lucélio Gomes Jacinto e o sargento Joailton Lopes de Amorim.

Conforme o promotor Allan Sidney do Ó Souza, durante a operação teria acontecido um desentendimento entre a equipe e o tenente. Isso porque, já no segundo dia de confronto com bandidos, o cabo Jacinto atirou contra um dos suspeitos, vindo a causar sua morte.

[featured_paragraph]Para Scheifer, o tiro do Bope era desnecessário e, como toda ocorrência, deveria ser relatado no boletim. O fato teria irritado o militar, que chegou a comentar com os demais: “esse comando é muito legalista, né?”.[/featured_paragraph]

Naquele mesmo dia, o grupo retornou para a área de conflito. Conforme o inquérito policial, os militares teriam ouvido um barulho na mata, o que o fizeram aguardar, em posição de defesa, por 40 minutos. Dali, Scheifer já saiu sem vida. Foi atingido por um disparo na região abdominal.

A primeira informação repassada pelo trio aos demais militares, que também davam suporte a ocorrência, era de que o tenente tinha sido atingido por um tiro dos suspeitos. No entanto, laudo pericial comprovou que o projétil encontrado alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil do cabo Jacinto.

Leia o depoimento de outros militares:

Coronel que investigou morte de Scheifer diz que ele se tornaria um grande oficial

“Não tinha como os policiais não saberem que o tiro partiu deles”, diz coronel

Caso Scheifer: acusado caiu em prantos ao saber de morte, diz testemunha 

Com assessoria

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