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Coronel que investigou morte de Scheifer diz que ele se tornaria um grande oficial

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Camilla Zeni

O tenente-coronel da Polícia Militar Cláudio Fernando Carneiro de Souza afirmou em depoimento que, pela trajetória do 2º tenente do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Carlos Henrique Paschiotto Scheifer, ele seria um dos grandes nomes da Polícia Militar de Mato Grosso. A fala fez parte de seu depoimento prestado na 11ª Vara Criminal de Cuiabá, já no início da noite dessa quarta-feira (3).

Para o coronel, a morte de Scheifer, principalmente por ter sido causada por um colega de farda, foi uma perda para a corporação.

“Sem querer fazer peso nas minhas decisões, foi lamentável o que aconteceu com ele. E eu quero mais é que essa situação sirva para que a gente possa até padronizar melhor as nossas ações, para que outras pessoas não tenham a vida ceifada da forma como ele foi”, avaliou.

Em um depoimento que durou mais de uma hora e meia, Fernando observou que não teve a oportunidade de conhecer Scheifer, mas que, após investigá-lo quando se tornou o encarregado do inquérito policial pela sua morte, notou que o 2º tenente colecionava conquistas na Polícia Militar.

“Eu não o conheci na época. Na realidade, eu tinha até vontade de conhecê-lo, depois que eu fiz o inquérito, porque me parece que ele ia ser um dos grandes oficiais da Polícia Militar. Porque, por onde passou, concluiu seus cursos com muita dedicação. Uma pessoa que, pelo que eu vi ali, era apaixonada pela Polícia Militar”, disse o coronel ao Conselho de Sentença da Vara Militar.

Elogiado

Após o depoimento, já por volta das 18h50, Fernando foi elogiado pelo coronel PM Nerci Adriano Denardi, que compõe o conselho de sentença do caso. Militar há 29 anos, o oficial disse ter orgulho de ter trabalhado com o coronel Fernando, dando a entender que ficou bastante satisfeito com seu trabalho de investigação pela morte do tenente Scheifer.

“Eu quero dizer que eu tenho orgulho de ter trabalhado contigo. Nós estivemos em várias ações e operações, e eu sei que sua conduta é sempre dentro da legalidade. Eu quero dizer o senhor está preparadíssimo para ser promovido ao último posto da Polícia Militar”, disse Denardi.

A fala do coronel foi endossada pelo promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza, da promotoria militar do Ministério Público de Mato Grosso.

Além do oficial, também prestaram depoimento ao juízo militar o soldado Alexsander de Souza Vicentin, o sargento Antônio João Ribeiro e os tenente-coronéis Heber Rodrigues da Silva e Jonas Puziol. Já o tenente-coronel José Nildo Silva de Oliveira, que comandava o Batalhão de Operações Especiais (Bope) à época dos fatos, não compareceu à audiência. Ele será ouvido na próxima quinta-feira (11).

A morte

Carlos Scheifer entrou para a Polícia Militar em 2011 e, após se formar no Curso de Formação de Oficiais (CFO) da PM, serviu no Grupo Especial de Fronteira (Gefron) por dois anos. Depois que fez o Curso de Operações Especiais (Coe) em Mato Grosso do Sul, passou a integrar a equipe do Bope, em março de 2017. Sua morte aconteceu em maio daquele ano, quando ele tinha 27 anos.

Scheifer foi escalado para comandar a equipe para atuar em uma operação de repressão a um assalto a banco, da modalidade Novo Cangaço, no distrito de União do Norte, próximo à cidade de Matupá (695 km de Cuiabá). Além dele, faziam parte do time o soldado Werney Cavalcante Jovino, o cabo Lucélio Gomes Jacinto e o sargento Joailton Lopes de Amorim.

Conforme o promotor Allan Sidney do Ó Souza, durante a operação teria acontecido um desentendimento entre a equipe e o tenente. Isso porque, já no segundo dia de confronto com bandidos, o cabo Jacinto atirou contra um dos suspeitos, vindo a causar sua morte.

[featured_paragraph]Para Scheifer, o tiro do Bope era desnecessário e, como toda ocorrência, deveria ser relatado no boletim. O fato teria irritado o militar, que chegou a comentar com os demais: “esse comando é muito legalista, né?”.[/featured_paragraph]

Naquele mesmo dia, o grupo retornou para a área de conflito. Conforme o inquérito policial, os militares teriam ouvido um barulho na mata, o que o fizeram aguardar, em posição de defesa, por 40 minutos. Dali, Scheifer já saiu sem vida. Foi atingido por um disparo na região abdominal.

A primeira informação repassada pelo trio aos demais militares, que também davam suporte a ocorrência, era de que o tenente teria sido atingido por um tiro dos suspeitos. No entanto, depois de um laudo pericial, ficou comprovado que o projétil encontrado alojado no corpo do tenente partiu de um fuzil do cabo Jacinto.

Confira como foi a audiência:

“Não tinha como os policiais não saberem que o tiro partiu deles”, diz coronel

Caso Scheifer: acusado caiu em prantos ao saber de morte, diz testemunha 

Leia mais sobre o caso:

Tenente Scheifer: a história do bom policial que não sobreviveu à polícia

Morte de tenente: policiais do Bope se tornam réus e têm audiência marcada

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