Liderança hereditária

Por Francisney Liberato

A liderança é uma habilidade a ser treinada e conquistada.

Muitos ainda acreditam que a liderança é um dom exclusivo de algumas pessoas, ou seja, o indivíduo já nasce com o perfil de ser um líder. É até possível que algumas pessoas possuem maior facilidade para assimilar, compreender, entender a liderança e aplicá-la na sua vida cotidiana.

Porém, apesar da facilidade de alguns indivíduos no trato com a liderança, não quer dizer que qualquer ser humano não pode desenvolver essa nova habilidade. Acredito que ambas as situações são verdadeiras, e que nas duas circunstâncias podem ser treinadas e aperfeiçoadas.

A expressão “filho de peixe, peixinho é”, muito comum no nosso dia a dia, significa que alguém é muito semelhante ao pai ou à mãe, em aparência ou personalidade. No entanto, mesmo que haja uma certa similaridade, não quer dizer que os filhos terão capacidade e habilidade iguais às dos pais.

Muitas vezes, o que se espera é que os pais sejam exemplo para seus filhos. Para isso, tomam atitudes responsáveis, zelam por um lar harmonioso e apresentam o ensinamento de valores morais e pessoais, com intuito de transformar o caráter daquele individuo em evolução. Nesse caso, os pais exercem um papel de liderança, afinal, ser um Líder é ser alguém digno de admiração que inspira as pessoas a sua volta a se tornarem melhores, tendo a si como modelo.

Entretanto, muitos filhos não têm esse exemplo dentro de casa e mesmo assim conseguem se transformar em pessoas íntegras, responsáveis e com total capacidade de liderança. Dessa forma, é possível perceber que o senso comum da expressão citada acima é muito relativo, uma vez que os filhos podem seguir o exemplo de seus pais ou desenvolver seu próprio senso de responsabilidade e se tornar um Líder.

 Destaco que todos os seres humanos têm todas as possibilidades de adquirir novas habilidades para o desenvolvimento de sua vida, e a liderança é uma dessas habilidades.

No filme “O Segredo dos Animais”, cujo enredo é sobre a liderança de um boi, ele é responsável por organizar a vida, a segurança e o bem-estar de todos os animais no espaço da fazenda, não importando a espécie.

O segredo dos animais é relevado quando o dono da fazenda não está próximo deles. Ao “virar as costas”, os animais assumem características humanas, como andar sobre duas patas, conversar, brincar, cantar, dançar.

O boi pai, chamado de Ben, é extremamente sério, sereno, e responsável pela ordem do celeiro. Ben emite avisos diários sobre coiotes, que ameaçam todos os animais da fazenda. Já o filho adotivo, chamado de Otis, é um jovem que aprecia brincadeiras, contar piadas e fazer bagunça de modo geral.

Otis anda em bando com os seus amigos: Pip, o rato; Fred, o furão; Pedro, o galo, e Pig, o porco. Eles estão sempre dispostos a dar uma boa gargalhada e aprontar uma nova pegadinha. Percebam que, apesar do filho ser adotivo, ele teve todos os ensinamentos do seu pai de criação, contudo, a sua uma personalidade é totalmente diferente do seu pai adotivo. Se fosse um filho natural, é provável que também haveria diferenças de personalidades.

O pai era responsável, creio que seja pela maturidade; quanto ao filho, ainda jovem, não tinha responsabilidade e era o bagunceiro da fazenda. A princípio, não haveria nenhuma liderança hereditária para o Otis.

O pai alertava o filho para não fugir de suas responsabilidades, uma vez que ninguém é feliz assim. O filho não dava importância aos chamados do pai.

Porém, no decorrer do filme, o pai foi morto pelos coiotes. A bicharada da fazenda precisava eleger um outro líder. Um cão se prontificou para ser o líder, mas foi rejeitado pela assembleia dos animais. Então, abriu a possibilidade de o boi filho ser o sucessor do pai, mesmo estando ausente da reunião; ainda assim, foi eleito como o novo líder.

O filho não queria assumir a liderança do seu pai. Não obstante, ele se lembrou dos conselhos e dos cuidados do pai, com isso aceitou o desafio de ser um líder. O que, de fato, foi.

Existe a liderança hereditária? Pode ser que exista, em raras exceções, mas eu indico a liderança treinada, que está acessível a todos os seres humanos.

Se o filho levasse mais a sério a liderança do seu pai, pode ser que ele tivesse absorvido mais conhecimento e aplicado na sua vida, tendo o pai como coach, antes mesmo de perdê-lo. Com a morte do pai, o filho sentiu um grande sofrimento. Só depois de perdê-lo, conseguiu enxergar e valorizar os anos de dedicação que o seu pai exerceu na fazenda com todos os animais que lá moravam. A responsabilidade de que seu pai tanto falava chegou, e ele não estava preparado. O sofrimento é um despertar para o amadurecimento; só depois da perda, Otis conseguiu se transformar em um grande líder.

Em suma: agarre todas as oportunidades enquanto existem pessoas interessadas em te ensinar e te ajudar. A melhor liderança que existe é a liderança treinada, e não a liderança hereditária. Jamais podemos deixar que ocorra um vazio de um cargo de liderança para, só então, treinar os potenciais sucessores para assunção dessa missão.

Francisney Liberato Batista Siqueira é Auditor Público Externo do Tribunal de Contas de Mato Grosso e Chefe de gabinete de Conselheiro do TCE-MT. Palestrante Nacional, Professor, Coach e Mentor. Bacharel em Administração, Bacharel em Ciências Contábeis (CRC-MT) e Bacharel em Direito (OAB-MT). Autor dos Livros: “Mude sua vida em 50 dias”, “Como falar em público com eficiência”, “A arte de ser feliz” e “Singularidade”.

http://www.francisney.com.br

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