Efeito pandemia: UFMT reduz 25% de gastos com energia e coloca orçamento nos trilhos

Principal motivo para economia é a ausência de aulas presenciais. Parte do dinheiro tem sido investida em novos projetos

Assim como outras instituições, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) passou por momentos extremamente delicados, em 2019. O corte no fornecimento de energia, a situação dos terceirizados sem salários e a precarização de unidades como o Hospital Veterinário são exemplos dos problemas. Mas cerca de um ano depois, após o advento pandemia, a situação parece entrar nos trilhos.

Segundo a reitoria, todas as dívidas estão zeradas e todos os contratos estão em dia. O saldo no azul se dá, em parte, pela suspensão das aulas presenciais. Sem aulas, só a economia com energia elétrica chegou a 25%.

Em 2019, a dívida com a concessionária chegou a beirar os R$ 5 milhões e o fornecimento foi interrompido. A UFMT chegou a ficar oito horas sem energia elétrica, em julho do ano passado.

À época, a então reitora Myrian Serra apontou o bloqueio de 30% no orçamento como causador dos problemas. Decretado pelo governo federal, o corte orçamentário reduziu o custeio de R$ 90 milhões para R$ 60 milhões.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A estimativa é que, de março até agora, a Universidade tenha gastado em média R$ 300 mil a menos com energia elétrica. O gasto anual é de quase R$ 4 milhões.

O impacto positivo na conta vem das salas de aula fechadas em função da pandemia da covid-19. A ausência dos alunos influencia também no uso de outras estruturas, como o Restaurante Universitário, que também está fechado e, por isso, representa um gasto a menos.

A economia poderia ser maior já que os setores administrativos continuam funcionando.

LEIA TAMBÉM

Essa economia tem sido transferida para o auxílio dos estudantes em vulnerabilidade social e projetos de extensão. Entre eles, o investimento em acesso à internet para estudantes, produção de álcool em gel e máscara para atendimentos psicológicos para a comunidade”, cita o atual reitor, Evandro Soares.

A UFMT também enviou caminhões-pipa para o combate ao fogo no Pantanal.

Mais crise e renúncia

Em 2019, a crise também teve outros episódios: os seguranças – servidores terceirizados – protestaram contra a falta de pagamento. Com faixas e cartazes, eles alegaram três meses sem salário, em outubro de 2019.

De um lado, a empresa contratada informava a falta de repasse da UFMT que, por sua vez, argumentava que os pagamentos estavam em dia.

Já em 2020, a precariedade foi denunciada no Hospital Veterinário. Com falta de seguranças, a unidade foi alvo de dois furtos. Os casos forma registrados em fevereiro.

Em protesto, os alunos carregaram cartazes e cobraram providências. Em conversa com os universitários, a até então reitora, Myrian Serra, falou mais uma vez das dificuldades orçamentárias e acabou vaiada. Com ar de insatisfação, ela deixou a manifestação dos alunos no meio da fala.

Dias depois, Myrian renunciou ao cargo. Quem assumiu foi o vice, Evandro Soares.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro nomeou Soares para mais quatro anos no comando da instituição. Ao assumir o cargo, o novo reitor apontou, novamente, o orçamento como maior desafio a ser superado.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorMinistro diz que só 6% do Pantanal é competência do governo federal
Próximo artigoLiderança hereditária