Lars Grael: “Conquistar amizades pode ser muito mais valioso do que conquistar medalhas”

O esportista esteve em Cuiabá e respondeu Cinco Perguntas para o LIVRE

Medalhista olímpico, o velejador Lars Grael fará palestra (Foto: Divulgação)

De família tradicional no iatismo brasileiro, o velejador Lars Grael viu sua vida mudar após um grave acidente no mar, que quase lhe ceifou a vida em 1988.

Antes desse acontecimento ele já havia participado de quatro Jogos Olímpicos, conquistando duas medalhas de bronze. Foi decacampeão brasileiro, pentacampeão sul-americano da Tornado e campeão mundial da classe Snipe.

Mesmo após a perda de sua perna direita, o atleta não deixou o esporte. Após sua recuperação, tornou-se coordenador técnico da equipe de vela brasileira, participando da Olimpíada de Sydney 2000 e Atenas 2004. Voltou a competir 2005, conquistando o vice-campeonato Mundial na Classe 12 Metros Internacional. Em 2007, foi vencedor da Copa do Centenário da Classe.

Atualmente, o esportista divide a carreira de atleta com a de palestrante, comentarista e dirigente esportivo. Em suas exposições, fala sobre a sua experiência de vida, superação, trabalho em equipe, planejamento e prevenção de acidentes.

Lars Grael esteve em Cuiabá para realizar a uma série de palestras a convite da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat). Em entrevista exclusiva para o LIVRE, Lars falou o que mudou em sua vida após o acidente, o que o motiva a continuar trabalhando e dos seus sonhos.

1 – O que o motivou a continuar depois do acidente?

Acho que foi uma questão de resiliência. Eu quis provar para mim mesmo que eu era capaz de continuar a viver fazendo aquilo que é a paixão da minha vida, a vela. Obviamente dentro de uma dificuldade muito maior, me reprogramar, me reposicionar dentro do meu esporte. Mas eu acho que foi o pensamento de que, se eu já não poderia mais ser exemplo, ao menos como atleta, que ao menos eu podia me inspirar em pessoas que passaram por situações semelhantes e tentar produzir um exemplo.

2 – Passados 20 anos do acidente, o que mais mudou em sua vida?

Mudou muito a minha percepção sobre a vida. Descobrir que ela tem que ser vivida intensamente. Conquistar amizades às vezes pode ser muito mais valioso do que você conquistar medalhas. Até então [antes do acidente] eu tinha uma visão muito mais ortodoxa, buscando resultados, resultados e resultados, achando que a consagração viria com o futuro e que a felicidade era uma coisa programada para o futuro. Entendi que se trata de curtir muito mais o hoje.

3 – As crianças são curiosas e inocentes. Já passou por alguma situação inusitada quando encontra os pequeninos?

Praticamente toda semana eu vejo; as crianças são puras né?! Quando vê uma pessoa andando de muletas ou sem perna, tem toda aquela curiosidade. Algumas perguntas são inoportunas para os adultos, aí vejo a mãe puxando a criança pelo braço e saindo. Mas acho que isso é natural e temos que encarar com absoluta naturalidade, porque é uma forma de você ir derrubando os preconceitos.

4 – Ainda tem sonhos para realizar?

Eu acho que muitos relacionados aos meus filhos. Acompanho a trajetória dos três. Também estão relacionados a tantos jovens que passaram pelo nosso projeto Grael. Já se formaram mais de 15 mil que passaram por lá. Quando eu vejo cada um deles se consagrando hoje, como um velejador internacional, comandante de embarcações, fico muito feliz. Um desses já é oficial da Marinha do Brasil. Acho que é um compartilhar de sonho com outros.

5 – Qual é a frase que define a sua vida, mudaria algo nela?

Aquela do escritor inglês William George Ward. “O pessimista reclama do vento, o otimista espera que ele mude, o realista ajusta as velas [para o vento que tem]”. É difícil afirmar, porque a vida segue. É como a água que desce o rio: é difícil você dizer o que faria lá na montante, né?! Acho que a vida segue seu ritmo. Estamos sempre tentando aprender, melhorar, corrigir o nosso rumo quando necessário.

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