Ferrovia Senador Vuolo, um legado

A chegada dos trilhos a Cuiabá não é fruto de uma ação individual

(Foto: Johannes Plenio/Pexels)

É importante saber de onde viemos para também saber para onde vamos. Isso é um ensinamento valioso que aprendi com grandes mentores políticos e que faço questão de ressaltar, caso alguém se esqueça.

Política é continuidade, é representar o povo, fazer valer cada voto de confiança depositado respeitando quem veio antes e construindo para quem vier depois. A chegada dos trilhos a Cuiabá não é fruto de uma ação individual, nem tão pouco aconteceu do dia para a noite com aprovação de um edital.

Ela é um legado de alguém que lutou toda uma vida para se tornar realidade e que não podendo presenciar os trilhos chegando a Cuiabá, vindo a falecer antes, passou essa missão ao filho. Esse legado tem nome e é como chamamos a ferrovia hoje: Ferrovia Senador Vicente Vuolo e isso não pode e não vai ser esquecido.

É escandaloso ter que vir a público para recordar história de Mato Grosso para quem deveria sabê-la de cor e salteado. Mas é ainda mais escandaloso e revoltante a agressão gratuita aos nossos valores, nossa tradição, nossa gente, nossa memória partindo de quem ocupa o mais alto cargo do Executivo Estadual. Uma injustiça! Uma covardia!

Quero começar relembrando que um menino que escutou seu pai dizer que o país precisava de ferrovias para crescer se tornou senador e lutou toda a sua vida com obstinação para ver os trilhos da ferrovia chegar até seu estado.

Infelizmente, esse menino que se tornou nosso saudoso senador Vicente Emílio Vuolo não conseguiu assistir a concretização de seu trabalho, mas passou sua perseverança ao filho, Francisco Vuolo, que desde seu falecimento tem mobilizado entidades e autoridades políticas, a exemplo de seu pai, em torno do sonho de trazer desenvolvimento e mais qualidade de vida para a baixada cuiabana e consequentemente para todo o estado.

No passado, foi a aliança do então deputado federal Vuolo com o senador Orestes Quércia que permitiu a construção da ponte-rodoferroviária, que cruza o Rio Paraná, símbolo do avanço dos trilhos para Mato Grosso. Foram alianças com governadores, como Dante de Oliveira, Jayme Campos, José Orcírio Miranda dos Santos e tantos outros políticos de renome que sedimentaram o terreno para que se pudesse lançar um edital estadual para extensão dos trilhos até Cuiabá.

Foram 46 anos desde 1976, quando o então deputado federal Vuolo apresentou o projeto de lei para extensão da ferrovia de São Paulo até Mato Grosso, dentro do Plano Nacional de Desenvolvimento e dentre tantas lutas, a inauguração dos terminais em Chapadão do Sul e dos terminais de Alto Araguaia e Rondonópolis, até a assinatura desta concessão para que, via investimento privado da Rumo Logística, os trilhos da ferrovia Senador Vuolo ficassem cada vez mais palpáveis.

Isso é história de Mato Grosso. Isso é legado.

Faço questão de lembrar também a iniciativa do deputado estadual Wilson Santos, autor da lei nº 7.027, de 02 de julho de 1998, que denomina Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo o trecho da Ferronorte que atravessa o Estado de Mato Grosso. Essa lei foi sancionada pelo governador Dante de Oliveira.

Quero deixar claro que o que está em jogo é a causa, o sonho, a luta, o trabalho dos seus verdadeiros idealizadores e protagonistas. A mudança repentina e desonesta do nome da ferrovia é primeiramente questionável do ponto de vista legal e o senhor governador deveria saber disso. Como governador deveria também saber que a Rumo faria essa mudança e não tem o direito de entrar no nosso Estado agredindo a nossa história.

É inconcebível que uma afronta dessas passe despercebida pelo chefe do Executivo do nosso estado e que não seja levada com a devida seriedade por ele. Basta!! Respeitem a nossa história!!

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Emanuel Pinheiro é prefeito de Cuiabá.

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