Drogas sintéticas: conheça as mais consumidas em raves de Mato Grosso

Dos clássicos Ecstasy e LSD, à perigosa N-etilpentilona, drogas levam à depressão crônica

Dos laboratórios clandestinos para as raves: MDMA é a droga sintética mais consumida (Pixabay)

Das drogas desenvolvidas em laboratório, o MDMA é o “combustível sintético” mais consumido por frequentadores de raves em Mato Grosso.

A afirmação é confirmada pelo volume de análises da Gerência de Perícias em Química Forense da Politec, que somou um número considerável de detecções da substância nos últimos anos.

O MDMA deixa as pessoas mais falantes, mais sensíveis e aumenta a libido e a vontade de dançar. Mas também pode provocar alucinações visuais e auditivas.

Especialistas alertam que seu uso contínuo pode desregular os neurotransmissores, diminuindo a produção de serotonina e, assim, deixando a pessoa suscetível à depressão crônica.

Cientificamente conhecido como 3,4-metilenodioxidometanfetamina e popularmente como Ecstasy, ele costuma ser vendido no formato de comprimido ou em cristais que podem ser colocados diretamente na língua ou dissolvidos em água.

MDMA em comprimido é o popular Ecstasy. Para atrair jovens, este veio gravado com a palavra “Netflix” (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

As mais identificadas

Na lista de drogas que aparecem com frequência entre as apreensões da Polícia Federal em todo o Brasil, o MDA e o LSD também são presença regular no radar da perícia de Mato Grosso.

Das substâncias produzidas em laboratório, o índice de detecção do MDMA está entre os mais preocupantes: corresponde a 79,8% dos laudos produzidos em todo o Brasil.

Segundo levantamento da Polícia Federal, em 2018, 146 mil comprimidos e 75,4 kg de cristais foram detectados em laboratórios de perícia distribuídos pelo país.

Já entre as novidades desse mundo, as duas substâncias descobertas recentemente aparecem no ranking das cinco drogas produzidas por laboratórios mais identificadas por perito criminais federais em 2018.

Trata-se da N-etilpentilona (do grupo catinona sintética) e a 25I-NBOH (do grupo feniletilamina). Que, a propósito, também já começaram a surgir com frequência entre as análises realizadas no laboratório mato-grossense.

Quem repassa a informação é o perito especialista em Química Forense, Paulo Sérgio Vasconcelos de Oliveira, que participou, em dezembro, de uma capacitação do Projeto Minerva.

O Minerva alia a expertise da Polícia Federal às experiências das perícias estaduais. O objetivo é aperfeiçoar as técnicas de análise e identificação de novas drogas ilícitas que estão sendo encontradas no Brasil.

Paulo Sérgio participou de capacitação com peritos de todo o Brasil. Aqui, opera o infravermelho (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Segundo o perito, na tentativa de burlar a lei, traficantes fazem pequenas modificações químicas em moléculas de drogas já existentes e proibidas pela legislação atual.

Esse surgimento frequente de novas substâncias demanda atualizações constantes nos métodos empregados para sua detecção.

Perícia em MT: uma das mais rápidas do Brasil

É o constante investimento em capacitação e em equipamentos de ponta para as análises e identificações que coloca Mato Grosso entre os Estados mais eficientes na área, contendo, assim, o avanço do tráfico e seus impactos na saúde pública.

Depois de levantar a suspeita da polícia, supostas substâncias entorpecentes são encaminhadas ao laboratório. Daí para frente, o trabalho fica a encargo do perito.

Seja tablete ou planta, o laudo para maconha sempre sai rápido (Foto: Ednilson Aguiar)

“Mato Grosso figura, atualmente, como um dos centros de perícia mais rápidos do Brasil. No caso de drogas de abuso – como a cocaína e maconha -, na Região Metropolitana, a identificação leva em média uma hora. Até chegar ao sistema da Justiça para eventual prisão, no máximo, em duas horas o processo é finalizado. Isso favorece o êxito das operações policiais”, sustenta Paulo Sérgio.

Já em relação às drogas sintéticas, depois do Projeto Minerva, a equipe registrou uma redução expressiva no tempo de identificação de entorpecentes, o que aconteceu já no fim de dezembro de 2018.

“Normalmente, as drogas sintéticas exigem um pouco mais de tempo de análise, porém, com o conhecimento adquirido no curso e compartilhado com a equipe, uma identificação que demoraria 30 dias levou 30 segundos”, ele celebra.

Novas drogas circulam por MT

Sobre a N-etilpentilona e a 25I-NBOH, Paulo Sérgio demonstra preocupação. Elas apareceram há pouco tempo e foram classificadas como novas, sendo assim, seus efeitos ainda não são totalmente conhecidos.

No caso do Ecstasy, Paulo Sérgio conta que até quem promove as raves já alerta os usuários para consumir junto com a droga muita água.

“É que ele tira a fome, a sede, o cansaço. A pessoa tem a sensação de invencibilidade. Assim, dança a noite toda, mas chega uma hora que ‘trava’, passa mal. O problema dessas drogas novas é que ainda não conhecemos seus efeitos”.

Segundo o perito, no caso do LSD, algumas pessoas chegam a tomar dois comprimidos e micro-selos – que costumam ser atrativos aos jovens – com ilustrações temáticas. Uma droga que custa em média de R$ 40 a R$ 50.

“Mas no caso das novas drogas, como a Efilona, tomar dois pode levar à morte. E muitos consomem de maneira rápida, pensando que é ectasy”.

A N-etilpentilona foi identificada em um dos laudos da Gerência de Perícias em Química Forense em julho do ano passado. É a mesma substância que causou a morte da universitária Ana Carolina Lessa, de 19 anos, neste mesmo período, em uma festa rave que ocorreu em Brasília.

Segundo a investigação da polícia, Ana Carolina ingeriu a substância com bebida alcoólica. Os efeitos foram intensos: muitas horas de alucinações ocasionaram uma sobrecarga do coração e ela não resistiu a duas paradas cardiorrespiratórias.

Ranking brasileiro

Estas foram, então, as drogas sintéticas mais identificadas por laudos produzidos por peritos criminais federais em 2018:

  1. MDMA (droga clássica)
  2. N-etilpentilona (catinona sintética)
  3. MDA (droga clássica)
  4. LSD (droga clássica)
  5. 25I-NBOH (feniletilamina)

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