Desigualdade reduz no Brasil porque famílias ricas perderam mais renda

Pesquisa do Ipea aponta ainda que as quedas da renda efetiva foram mais intensas entre os trabalhadores com maior nível de escolaridade

(Foto: Freepik)

Após o pico de desigualdade causado pela pandemia, o índice de Gini – que capta a desigualdade de renda entre as classes sociais no Brasil – se reduziu continuamente em 2021 e vem mostrando a mesma tendência no primeiro trimestre deste ano.

Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado na última sexta-feira (10), no primeiro trimestre de 2022, a renda domiciliar de famílias com renda alta era 28 vezes maior que a de famílias com renda muito baixa.

No primeiro trimestre do ano anterior, essa diferença era de 28,8. A queda, segundo o Ipea, é a maior entre os domicílios de renda mais alta observada nos últimos quatro trimestres.

A explicação

O estudo do Ipea apontou que os rendimentos habituais reais médios das famílias brasileiras caíram 8,7% no primeiro trimestre de 2022 em comparação com o mesmo trimestre de 2021.

Entretanto, os domicílios de renda mais alta foram os mais afetados (3,98%), enquanto a faixa de renda baixa foi a que apresentou a menor queda, de 1,17%.

A explicação estaria – ao menos em partes – no fato de empregados do setor privado e, especialmente, os do setor público terem encontrado dificuldade em negociar reposições salariais ao longo de 2021.

Ainda conforme o levantamento, empregados do setor privado mostraram quedas da renda menores que no trimestre anterior; por outro lado, os trabalhadores do setor público e por conta-própria tiveram a deterioração da renda intensificada.

Em contrapartida, ao longo de 2021, houve um retorno de trabalhadores menos qualificados ao mercado de trabalho.

Região, gênero, idade e escolaridade

O recorte regional da pesquisa do Ipea indica que a renda efetiva mostrou maiores quedas nas regiões Sudeste e Sul (quedas de 8,2% e 6,1% respectivamente). A menor queda da renda habitual foi observada no Norte, que inclusive mostrou um pequeno aumento da renda efetiva no início de 2022.

Já o corte por gênero revela que os rendimentos efetivos e habituais recebidos pelas mulheres indicaram quedas superiores às dos homens (6,7% contra 5,5% na renda efetiva no primeiro trimestre de 2022 e 8,7% contra 8,3% na renda habitual).

Os trabalhadores mais jovens apresentaram pequeno aumento da renda efetiva no início de 2022, ao passo que os rendimentos dos ocupados com 60 anos ou mais apresentaram queda de 14,5%.

Já sob a ótica do ensino, as quedas da renda efetiva foram mais intensas entre os trabalhadores com maior nível de escolaridade (queda de 6,9%).

(Com Assessoria)

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