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TJ manda soltar rival de Arcanjo em negócios de jogo do bicho

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Camilla Zeni

Preso há 77 dias, o empresário Frederico Coutinho Muller conseguiu liberdade na tarde desta quarta-feira (14). A decisão foi da Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que acolheu seu habeas corpus.

Frederico alvo da Operação Mantus, da Polícia Civil, deflagrada no dia 29 de maio. A ação visava combater duas organizações que comandavam o jogo do bicho em Mato Grosso. Na mesma ocasião, foi preso seu maior rival, o ex-comendador João Arcanjo Ribeiro.

Ele já tinha buscado liberdade na 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Contudo, teve o pedido negado.

O procurador Mauro Viveiros, do Ministério Público do Estado, foi contra a soltura do empresário. Para ele, a prisão foi bem fundamentada. No entanto, a posição do desembargador Rui Ramos, relator do processo, foi contrária à manifestação do MPE.

Rui Ramos observou que Frederico não possui antecedentes criminais e se encontra na mesma situação de outros alvos da operação, que foram soltos recentemente.

“Estou concedendo da mesma forma, até porque ele não ostenta nenhum antecedente criminal. É a mesma situação dos demais”, disse.

O magistrado afirmou que a prisão não é a unica forma de se promover o fim das atividades ilícitas. Para ele, as medidas cautelares são suficientes.

O desembargador Gilberto Giraldelli também destacou que, não havendo diferença entre os casos, Frederico merecia a liberdade. “É o mesmo peso e a mesma medida. Não podemos diferenciar do que se decidiu em relação a outra facção, vamos dizer assim”, ponderou.

Operação Mantus

A operação resultou em 33 mandados de prisão e denúncia pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPE), oferecida no dia 14 de junho.

Segundo as investigações, Frederico era chamado de “Dom” pelos funcionários – tratamento dado à monarcas e pessoas importantes.

Por meio de interceptações telefônicas, a polícia percebeu que “Dom” agia de forma tão incisiva quanto João Arcanjo. Diálogo travado entre dois gerentes da organização apontou que Frederico não iria tolerar a chegada de uma terceira “empresa” de jogos de azar. Um dos gerentes chegou a alegar que o caso “iria virar uma guerra”.

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