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Promotor diz que operador de grampos apresenta as versões que lhe convém

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Camilla Zeni

O promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza, da Promotoria Militar, negou que tenha “escorraçado” o advogado do cabo PM Gerson Luiz Ferreira Correa Junior, durante tratativas de acordo de colaboração premiada, e ponderou que o militar “apresenta sempre versões que lhe convém”.

As declarações constam em parecer assinado na sexta-feira (26), quando o membro do Ministério Público de Mato Grosso (MPE) permitiu que a deputada Janaina Riva (MDB) atuasse como assistente de acusação em uma das ações.

Acusado de ser operador no esquema de escutas clandestinas conhecido por Grampolândia Pantaneira, Gerson foi reinterrogado no dia 17 de julho e afirmou à Justiça que, depois que levantou acusações contra membros do Ministério Público do Estado, seu advogado quase foi “escorraçado” do gabinete do promotor.

Allan do Ó negou que a situação tenha acontecido, garantiu que reconhece o trabalho dos advogados, considerados “profissionais indispensáveis à administração da justiça” e que sempre os tratou de forma digna.

Para o promotor, o cabo da Polícia Militar fez uma “tentativa desonrosa” de motivar uma eventual suspeição contra o membro do MPE, por inimizade.

No documento, Allan do Ó também colocou em xeque a credibilidade do militar, afirmando que Gerson “apresenta sempre as versões que lhe convém, de acordo com a ocasião, joga as provas no rio, quer reger o Processo Penal ao seu gosto e, ao final, exige elogios e credibilidade a todo custo”.

O membro do MPE anexou decisão de outubro passado, assinada pelo juiz Wladymir Perri, que conduzia a 11ª Vara Criminal, especializada na Justiça Militar de Cuiabá. Na ocasião, ao decretar prisão preventiva do militar, o magistrado escreveu:

“Gerson Luiz Ferreira Correa Junior não merece credibilidade, ou seja, o descrédito é total, a ponto de se poder concluir que tem uma personalidade distorcida, o que oferece sérios riscos à sociedade”.

O promotor destacou ainda que sequer é promotor titular na Vara Militar, e que aguarda sua mudança permanente de promotoria. Isso porque desde maio ele passou a ser titular da 1ª Promotoria de Justiça Cível da Capital.

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