MPE é controverso ao mandar investigar “fato requentado”, diz cabo da PM

Quando tentou delação, Gerson ouviu que “fatos não eram novos”; agora MPE investiga

Cabo PM Gerson apresentou à Justiça lista dos grampos (Foto: Suellen Pessetto/O Livre)

Ele tentou fazer acordo de colaboração premiada com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e recebeu “um tapa na cara”, conforme suas palavras. O cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Correa Ferreira Junior, confessadamente operador da Grampolândia Pantaneira, disse ser controverso o órgão mandar investigar fatos que alegaram não ser novidade.

“Eu não estou grilado com isso, mas é que vocês entram em contradição. Por que não fechou a delação comigo, poxa?”, comentou Gerson, dirigindo-se ao promotor de Justiça Vinícius Gahyva, durante reinterrogatório na tarde dessa quarta-feira (17).

Conforme o cabo, as tratativas para colaboração com o Ministério Público pareciam ir bem, mas algo mudou. Ele revelou que, no fim, seu advogado “quase saiu esculachado da sala do promotor Allan do Ó”, da promotoria militar.

Depois, as alegações foram levadas para o procurador Domingos Sávio, coordenador do Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco Criminal). Mais uma vez, segundo Gerson, os fatos narrados foram muito bem recebidos, o que o deixou esperançoso.

“Por ironia do destino, e um verdadeiro tapa na nossa cara, o procurador Domingos Sávio, num parecer defensivo, que parecia até advogado de algum deles, falou em fatos requentados”, comentou.

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva garantiu que o fato de o pedido de delação premiada não ter sido aceito não significava que o Ministério Público não iria investigar as alegações levadas pelo policial.

Ele frisou ainda que um procedimento já foi instaurado para apurar a doação das placas usadas para os grampos clandestinos, que antes eram do Gaeco e passaram a ser da PM, revelada pelo coronel Evandro Lesco, na terça-feira (16).

O fato também consta no pedido de delação de Gerson, levado ao MPE e protocolado à Justiça no dia 10 de julho, em documento classificado como “sigiloso”.

“Se eu não narrasse isso, que dia que o Ministério Público ia investigar? Que dia? Está investigando agora, depois de eu narrar. Então por que não fechou a delação comigo?”, questionou Gerson.

Conforme o LIVRE divulgou, ao negar o pedido de delação, Domingos Sávio alegou que o militar era incoerente em seus depoimentos, não teria apresentado fatos novos e nem apresentado um mínimo de provas.

(Foto: Suellen Pessetto/O Livre) Advogado Neyman Monteiro

Na própria carne

Para o advogado de Gerson, Neyman Monteiro, a situação envolvendo a delação do militar é clara: “cada um salva o seu time”.

Neyman destacou que todos os documentos que foram apresentados à Justiça também tinham sido levados para o Ministério Público do Estado, mas o órgão teria “interesse” em investigar. “Pra mim, era só querer investigar. Então, na opinião desse humilde advogado, ele [Domingos Sávio] não quis cortar a própria carne”.

“Não tem que se falar que não tem provas. Tem provas, caminhos. Os documentos estão todos com carimbo do Naco. Cada um salva o seu time, a grande verdade é essa. Estão aqui as provas. É simples, era só querer investigar”.

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