Justiça determina que SUS forneça tratamento completo para criança com diabetes tipo I

A criança convive com a doença há um ano e sete meses

(Foto: Acervo pessoal)

A 1ª Vara de Fazenda Pública de Várzea Grande determinou que em 15 dias o Governo de Mato Grosso e a Prefeitura de Nova Xavantina (645 km de Cuiabá) forneçam dois tipos de insulina – uma de efeito prolongado e outra de efeito ultra-rápido -, agulhas e sensor para medição de glicose (freestyle libre) para uma criança de 6 anos, diagnosticada com diabetes tipo I.

A criança convive com a doença há um ano e sete meses.

O pedido da medicação, dos insumos e do equipamento para monitorar a alteração glicêmica no sangue foi feito pelo defensor público Tiago Passos. A medida foi tomada após a mãe da criança pedir ajuda para monitorar e medicar a filha, que precisa fazer a leitura glicêmica 24h por dia.

“A família não tem condições de arcar com os custos da medicação, equipamento e insumos e é importante destacar que, a patologia da paciente é uma das principais causas básicas de óbito, amputações, insuficiência renal e cegueira”, explica o defensor na ação.

“Mãe pâncreas”

A mãe da menina se autodenomina “mãe pâncreas”, aquela que faz a função do órgão por sua filha e conta a rotina de nunca mais dormir uma noite inteira, preocupada com a vida da criança. A doença se manifestou quando a menina tinha quatro anos.

A diabetes tipo I é uma doença autoimune, crônica, na qual o sistema imune ataca as células que produzem insulina.

“Ela nasceu normal, saudável, assim como o irmão gêmeo. Porém, aos quatro anos começou a perder peso demais, a apresentar muita fome e a fazer xixi na cama. Levei ela num posto de saúde e mediram a glicemia dela e estava tão alterada e elevada, que ela foi direto para o hospital, com urgência, onde ficou internada quatro por dias. Como não resolveram o problema, procurei uma endocrinologista em Barra do Garças e ela conseguiu me ajudar”, relata.

A dona de casa afirma que ela e os dois filhos vivem com a pensão paga pelo pai das crianças. E que após o diagnóstico da filha, passou a verificar a glicemia dela por meio das picadas nos dedos e a ministrar a insulina chamada basal, de longa duração, todos os dias. A de urgência é usada sempre que a alteração é muito elevada.

“Nesse percurso, aprendi muito. Tive que aprender o que é uma hipoglicemia, uma hiperglicemia e descobri esse equipamento, o freestyle libre, que a Defensoria Pública está me ajudando a conquistar”, comenta.

Menos sofrimento

A mãe explica que o freestyle libre custa em média R$ 250 e pode ser usado por 14 dias. É colocado no braço da criança e ao longo do dia e da noite coleta o nível de glicose no sangue e a informação é lida por um sensor.

“A minha filha ganhou o primeiro da tia, depois, do avô, mas agora ninguém está mais conseguindo ajudar. A pensão alimentícia deles é insuficiente para as consultas a cada três meses, a comida e tudo o mais. Eu não tenho condições de bancar”, explica

A mãe informa ainda que este ano a filha começou a frequentar a escola municipal, onde faz o primeiro ano do ensino fundamental. E que o equipamento, ajuda as professoras e auxiliares, a ajudá-la no monitoramento.

“Com esse equipamento, não preciso furar os dedos dela para medir a glicose e ela só recebe a picada para que eu ministre a insulina. É menos um sofrimento. Sem a insulina ela não vive, preciso de ajuda em tudo. Na medicação, no equipamento e a ajuda da Defensoria e essa decisão me deixam muito aliviada, pois todo mês é um sufoco”, afirma.

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