Corona Day e as promoções na Bolsa

A Bolsa de Valores é constituída por empresas, não apenas por letras e números numa tela luminosa

(Foto: Agência Brasil)

Nestes últimos dias de fevereiro as bolsas de valores do mundo todo despencaram devido à ameaça do coronavírus. Novos casos estão aparecendo no mundo todo.

No Brasil, (des)graças aos feriados de Carnaval, a B3 (Brasil Bolsa Balcão, bolsa de valores oficial do Brasil), nesta semana, só começou a funcionar a partir das 13h da Quarta-feira de Cinzas, dia 26 de fevereiro de 2020.

O dia ficou conhecido como “Corona Day”. Os ativos abriram em queda vertiginosa (assim como alguns foliões embriagados – no melhor dos casos – nas ruas, durante o Carnaval).

Quem vê de fora pensa que “investir na bolsa de valores é muito arriscado”. Porém, gostaria de lembrar aos leitores: você está vivo, a nossa B3 está viva e as empresas cadastradas nela estão vivas.

Saltos no tempo

O que quero dizer com isso? Simples: olha para trás. Por quantas catástrofes mundiais nós brasileiros já passamos?

Comecemos nossas recordações a partir do Regime Militar. Tivemos esse período conturbado: de um lado arruaceiros terroristas querendo dominar a população para implantar um governo comunista no Brasil.

De outro, os militares, por vezes cometendo excessos, preocupando-se apenas com as ameaças físicas ao povo brasileiro, esquecendo-se das ameaças culturais – ainda piores. Mesmo assim, a bolsa e suas empresas sobreviveram e estão de pé até hoje.

Façamos mais alguns saltos rápidos no tempo. Tivemos a hiperinflação. Governos não conseguiam controlar a desvalorização da nossa moeda. Mesmo assim a bolsa e suas empresas sobreviveram e estão de pé até hoje. Mais tarde tivemos o bug do milênio: a preocupação de que os sistemas do mundo todo iam parar por causa da passagem dos números “1999” para “2000”.

Nada de grave aconteceu e a bolsa e suas empresas seguiram viagem. Tivemos também a bolha da internet. Muitas pessoas apostaram alto em empresas desse ramo e muitas delas acabaram falindo, pois não passavam de promessas vazias. A Bolsa despencou, mas até hoje oferece lucros.

“Marolinha”

Pulando alguns anos tivemos a crise imobiliária dos Estados Unidos em 2008. Bancos irresponsáveis concediam empréstimos de alto risco para “investimentos” hipotecários. Como não havia tanta procura por imóvel quanto se imaginava, lá se foram os sonhos (e até algumas vidas, infelizmente) de quem queria se tornar rico do dia para a noite. As bolsas do mundo todo desapareceram? Não.

A nossa Bolsa de Valores chegou a cair mais de 10%, o que não foi uma “marolinha”, como disse um condenado ex-presidiário, mas depois se reergueu.

Logo mais, em razão (ou por falta dela) das políticas de esquerda de uma analfabeta funcional que governava o país, o Brasil passou por uma crise que começou entre 2015 e 2016. Gerou uma queda que foi mantida por um período relativamente longo e doloroso. Após isso houve o famoso “Joesley Day” em 18 de maio de 2017, já no governo Temer.

O então presidente (apelidado de “Vampirão” e “Drácula” – sem ofensas ao empalador Conde Vlad) estava com sua magra Reforma da Previdência engatilhada para ir ao Congresso quando, em detrimento de uma delação premiada, vazaram gravações entre ele e o “empresário” da JBS Joesley Batista, em que os dois discutiam propinas para favorecer a empresa em relação a problemas com o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica. A Bolsa despencou novamente quase 10%, porém segue firme até hoje.

Apesar de tudo isso, quem compra a longo prazo não se preocupa nem um pouco. Na verdade, acontece o contrário: ficam felizes com a situação (mas não necessariamente com a causa). Ora, a ideia é comprar ações de empresas confiáveis para que num futuro distante elas se valorizem e, de preferência, deem dividendos, funcionando como uma aposentadoria. Sendo as empresas sólidas, tais causas catastróficas não abalam tanto suas estruturas, apenas seus preços.

Preço é diferente de valor. Os valores fundamentais das empresas continuam. No entanto, os preços caem desproporcionalmente. Desta forma ocorrem as “promoções”, como se fossem ofertas imperdíveis em um shopping center chamado B3: você consegue obter mais ações de boas empresas a preços menores.

No dia seguinte, na semana seguinte, no mês seguinte ou no ano seguinte os preços provavelmente voltarão ao normal e a empresa continuará firme gerando lucros. A diferença é que agora você tem mais ações de boas empresas – e os dividendos são gerados por ação. Ou seja, você vai ganhar mais dividendos pagando menos.

Além das letras e números

Ressalto que a Bolsa de Valores é constituída por empresas, não apenas por letras e números numa tela luminosa. Muitas delas já passaram por diversas crises e catástrofes e continuam gerando excelentes lucros e dividendos há anos sem abalos preocupantes, como Itaú Unibanco, Itaúsa, Taesa, Transmissões Paulista, entre outras. Algumas há séculos, como a Klabin e o Banco do Brasil. E você pode ser sócio de todas elas, se quiser!

É óbvio que a causa deste Corona Day é triste e preocupante. A esmagadora maioria de nós investidores não tem coração de pedra, ou seja, sentimos compaixão pelas famílias dos que foram atingidos pelo coronavírus. Porém, a nossa vida continua (espero).

É provável que a situação mude e tudo volte ao normal, como já aconteceu com a gripe suína e a SARS, por exemplo.  E tudo voltará ao normal também com as boas empresas da Bolsa de Valores.

É interessante participar das “promoções”, ter paciência para esperar e concluir que investir em ações não é tão arriscado como falam. No futuro haverá outros “Coronaday”, “Joesley Day”, governos ruins, entre outras crises.

Mesmo vendo seu patrimônio se reduzir momentaneamente, quem investe a longo prazo aproveitará tais períodos para engordar sua carteira de investimentos e seus dividendos e não se preocupará, pois sabe que o mundo dará um jeito de sobreviver. Você está vivo, as bolsas de valores estão vivas e as empresas estão vivas.

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